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Crítica | Maria e João: O Conto das Bruxas – Abrace a Escuridão

Maria e João prende a si mesmo numa zona de conforto frustrante, brincando na superfície de algo que poderia ser bem maior

Thiago Nolla
Thiago Nolla Redação
12 de fevereiro de 2020 · 5 min de leitura
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Crítica | Maria e João: O Conto das Bruxas – Abrace a Escuridão

É muito difícil encontrar alguma pessoa que nunca tenha ouvido falar dos contos dos Irmãos Grimm. Dentre suas obras mais famosas, podemos citar A Bela Adormecida, Rapunzel, Cinderela e muitos outros – que foram imortalizados em versões mais sombrias com o filme homônimo lançado em 2005. Entretanto, é João e Maria que funciona como uma das narrativas mais fantásticas e que até hoje é passada de boca e boca, encantando as crianças e ensinando-lhes algumas lições de moral bem-vindas e amedrontadoras. O enredo original gira em torno dos dois irmãos titulares que são abandonados na floresta e acabam cruzando caminho com uma casa de doces, lar de uma terrível bruxa que os prende para se alimentar deles.

Seguindo os passos dos inúmeros remakes e readaptações de clássicos da literatura mundial, o diretor Oz Perkins (I Am the Pretty Thing That Lives in the House) resolveu imprimir sua própria perspectiva para a trama, desconstruindo-a e reerguendo-a dentro de uma atmosfera ainda mais horrenda que resgata (ou ao menos tenta resgatar) os melhores estilos de filmes de terror. Entretanto, o resultado final não é tão espetacular quanto pensamos e não aproveita todo o potencial que cultiva nas primeiras cenas e até mesmo nos trailers, ficando no meio do caminho. Na verdade, Perkins canaliza seus esforços para o tecnicismo do longa-metragem, preferindo arquitetar um cenário deslumbrante em vez de lapidar um roteiro excessivamente metafísico e filosófico que sai de lugar nenhum e chega a nenhum lugar.

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Antes de mais nada, Maria e João: O Conto das Bruxas procura se situar no tempo e no espaço, voltando séculos no passado para um pequeno vilarejo tomado pela peste e pela total desesperança. Lá, Maria (Sophia Lillis) e João (Sam Leakey) procuram ao máximo encontrar algum trabalho para levarem comida para casa, que está à beira da ruína depois da morte do pai. É a partir dessa necessidade de sobrevivência que o roteiro, assinado por Rob Hayes, se curva a um amadurecimento obrigatório e traz elementos do mundo adulto para duas crianças que foram forçadas a abandonar sua infância – ainda que João ainda tenha algumas brechas para se manter esperançoso e ingenuamente atado a um falso otimismo. Eventualmente, a matriarca da família os expulsa de casa e ambos adentram a floresta para encontrar um novo lar.

A história já é conhecida por todas: depois de se embrenharem nas densas árvores nórdicas, eles encontram uma misteriosa casa isolada do resto do mundo e com um convidativo cheiro de comida – uma fraqueza imediata de quem já se rendeu à abarcia. Logo na transição do primeiro para o segundo ato, percebe-se que Perkins decide tornar as coisas mais palpáveis e opta por não transformar a moradia de Holda (Alice Krige) em uma construção de doces, arrancando a petrificação do público a partir de uma estrutura geométrica ao extremo, como a ponta triangular de um iceberg insurgindo no meio do nada.

Tudo a partir daí derrapa em deslizes amadores que vão desde a delineação da narrativa até o processo de edição. Na verdade, a obra é autofágica; procura desenvolver um pano de fundo complexo com o apoio de diálogos existencialistas e metafóricos, mas torna-se pedante à medida que nos aproximamos do final e percebemos que sua essência foi perdida há muito tempo. A começar, o diretor parece preso a um passado remoto e destrincha-se em dois narradores – o primeiro se restringindo à voz perturbada e agourenta de Krige; o segundo, encontrando-se na voz mais cândida de Lillis. Ambas mergulhando de cabeça nas versões de fábulas de terror que ouviram quando criança e que estão prestes a ganhar mais um capítulo – mas o intimismo não muda em nada o desenrolar dos eventos e não auxilia em nada nos arcos do personagens (que também não estão fixados numa estrutura de apoio sólida).

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De qualquer forma, não podemos tirar mérito de alguns pontos aplaudíveis da produção. De um lado, o estilo artístico de Perkins funde-se num equilíbrio perfeito entre o expressionismo alemão, utilizando de sua literariedade para condensar os personagens em uma névoa constante e inebriante, e da perspectiva noir dos filmes detetivescos (principalmente quando um dos protagonistas está prestes a fazer alguma descoberta ou ser engolfado numa revelação cosmológica); do outro, as performances de Krige e Lillis é soberba, afastando-se de seus trabalhos anteriores ao mesmo tempo que traz certos elementos para as telonas. Apesar dos picos de glória supracitados, tudo não passa de uma medida paliativa para uma montagem datada e uma resolução ridiculamente fácil para a história apresentada no começo.

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Maria e João prende a si mesmo numa zona de conforto frustrante, brincando na superfície de algo que poderia ser bem maior – ou ao menos que poderia se contentar com as expectativas que cultivou desde o início. Ademais, é provável que o longa seja satisfatório ou aprazível o bastante para abrir espaço para um suposto universo compartilhado que já foi premeditado pelo próprio Perkins.

Maria e João: O Conto das Bruxas (Gretel & Hansel – EUA, 2020)

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Direção: Oz Perkins
Roteiro: Rob Hayes, baseado no conto dos Irmãos Grimm
Elenco: Sophia Lillis, Sam Leakey, Alice Krige, Jessica De Gouw, Charles Babaloa
Duração: 90 min.

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Tags: #Alice Krige #Sophia Lillis
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Thiago Nolla
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Thiago Nolla

Thiago Nolla faz um pouco de tudo: é ator, escritor, dançarino e faz audiovisual por ter uma paixão indescritível pela arte. É um inveterado fã de contos de fadas e histórias de suspense e tem como maiores inspirações a estética expressionista de Fritz Lang e a narrativa dinâmica de Aaron Sorkin. Um de seus maiores sonhos é interpretar o Gênio da Lâmpada de Aladdin no musical da Broadway.

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