Cinema

Crítica | Minions & Monstros diverte com referências para cinéfilos de todas as idades

Durante quase duas décadas, a franquia dos Minions tornou-se tão prolífica que é fácil o espectador mais desavisado se perder. Antes do lançamento de 2026, Minions & Monstros, que chega agora aos cinemas, as simpáticas criaturinhas deram as caras em pelo menos seis longas-metragens. O primeiro foi o original de 2010, Meu Malvado Favorito, como […]

Daniel Moreno
Daniel Moreno Redação
4 min de leitura

Durante quase duas décadas, a franquia dos Minions tornou-se tão prolífica que é fácil o espectador mais desavisado se perder. Antes do lançamento de 2026, Minions & Monstros, que chega agora aos cinemas, as simpáticas criaturinhas deram as caras em pelo menos seis longas-metragens. O primeiro foi o original de 2010, Meu Malvado Favorito, como ajudantes do vilão Gru. Três anos depois, eles retornaram em Meu Malvado Favorito 2. Em 2015, ganharam um filme próprio, Minions, contando sua origem antes de Gru. Dois anos mais tarde, veio o terceiro Meu Malvado Favorito e, em 2022, a continuação de seu longa próprio, Minions 2: A Origem de Gru. Finalmente em 2024, chegou Meu Malvado Favorito 4, que antecede a nova produção de 2026.

Apesar da quantidade de atrações utilizando o mesmo universo imaginário e o grupo principal de personagens, Minions & Monstros apresenta fôlego renovado em uma mistura leve do mesmo tipo de piadas visuais que fizeram a fama dos baixinhos, acrescentando uma pitada bem equilibrada de cinefilia e referências ao riquíssimo repertório do estúdio Universal, que vai desde criaturas do gênero de terror (como a Múmia) até figuras reais, como o diretor e produtor George Lucas, da franquia Star Wars. O roteiro consegue evitar o pedantismo e as inserções não confundem o público infantil, que pode continuar apreciando a história e o tipo de ação física que se explica sozinha.

Na trama, seguimos duas linhas de ação. Estamos na Los Angeles romantizada dos anos 1920, quando a indústria do cinema cria ícones e a população parece viver uma onda de prosperidade infinita (o filme brinca com a proximidade da quebra da bolsa de valores, mas não se aprofunda no tópico). De um lado, um Minion descobre uma insuspeita vocação para diretor de cinema, enquanto outros seguem um robô alienígena com planos de invasão do planeta. Entre eles, há uma espécie de Cthulhu fofinho (embora mortal), que irá competir em maldades com outros vilões conhecidos.

Nesta continuação, os Minions têm alguma dificuldade de servir a um “vilão” específico, tendo ganho uma vida toda própria e fazendo “pouco mal” a quem atravessa seu caminho. A solidez da franquia está, como se sabe, nas piadas visuais, uma tradição hollywoodiana que também é homenageada na referência a Buster Keaton. Para os adultos que acompanham as crianças e gostam da história do cinema, há muitas cenas divertidas com alusões a clássicos como Cidadão Kane e um mergulho no universo de H.P.Lovecraft que dificilmente será percebido pela audiência infantil, mas garante sorrisos por parte dos mais crescidos.

As criaturas do universo de Gru e Minions continuam escrevendo um capítulo à parte. A concepção visual é charmosa e detalhista, sem chegar a se tornar incompreensível como eventualmente acontece em filmes infantis “autorais” como a série Wicked e na filmografia de Tim Burton. Minions & Monstros é um imenso jogo de tabuleiro com regras fáceis de assimilar e do qual crianças e adultos podem participar igualmente, o que é facilitado por uma duração modesta que não deixa o espectador se cansar em momento algum.

O enredo também brinca com a crônica social ao construir um rico retrato de época, com um grupo simpático de sufragistas, além dos meandros da indústria cinematográfica e seus indefectíveis magnatas.

Publicidade

A limitação do filme é que ele por vezes se torna episódico demais, como se uma linha de ação principal não fosse suficiente para segurar o enredo inteiro, que acaba se dispersando um pouco, ora se ocupando de um grupo de personagens, ora de outro, com alguma dificuldade para integrar a todos num só campo de visão para o público. Nada, entretanto, que comprometa uma diversão familiar, inteligente sem pesar para os pequenos, e encantadora sem ser tola na medida certa.

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp