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Crítica (1994) | O Corvo – Uma Bela história de Morte

A definitiva definição do sonho molhado da geração emo punk rock / gótica e um clássico do Halloween sobre amor condenado e vingança filmado sob um sentimento de pura tristeza e melancolia latente presentes na frente e atrás das câmeras, tudo que ajudou a lançar o nome e imagem tanto do filme quanto sua estrela […]

Raphael Klopper
Raphael Klopper Redação
20 de agosto de 2024 · 6 min de leitura
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Crítica (1994) | O Corvo – Uma Bela história de Morte

A definitiva definição do sonho molhado da geração emo punk rock / gótica e um clássico do Halloween sobre amor condenado e vingança filmado sob um sentimento de pura tristeza e melancolia latente presentes na frente e atrás das câmeras, tudo que ajudou a lançar o nome e imagem tanto do filme quanto sua estrela principal para se tornarem um verdadeiro ícone popular.

Infelizmente o (merecido) status de clássico cult e a infeliz tragédia que cercam O Corvo meio que eclipsam a verdadeira grandeza do filme de Alex Proyas: tanto como um belo debut na direção; como o encapsulamento de todos fetiches estéticos de uma era, entregues sob uma penumbra de criatividade fantástica; ou por seu incrível controle distinto de estilo e linguagem de gênero que ele oferece de sobras sob uma aura de desolação existencial evocativa que formam aquele raro tipo de definição “à frente de seu tempo” para o panteão de adaptação de quadrinhos.

Precedendo a era dos filmes quadrinhos casca-grossa com classificação R, estabelecida por títulos como Blade no final dos anos 90 e depois impulsionada por Sin City em meados dos anos 2000 e suas ruas sombrias banhadas pelo espírito Neo-Noir. Enquanto que Proyas parece ser uma das únicas almas criativas que já havia entendido perfeitamente o que Tim Burton fizera com seu Batman em 89, assumindo o look e tom sombrios de seu material de origem e injetando-os no design artístico, tom e palheta visual. Honrando o traço original do autor de O Corvo, James O’Barr, mesmo que agora à cores, mas filmado sob iluminação “chiaro-escuro” (claro e sombrio), ao mesmo tempo em que ecoa trabalhos semelhantes de Frank Miller ou Alex Maleev, desenhados com aquela tristeza matizada e raiva abstrata impressa em cada traço à mão.

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Sendo recheado da melancolia existencial emo das páginas de O’Barr trazida à vida com uma sensibilidade emocional séria, digna de um romance de monstro gótico, inserida em uma realidade opressiva e assombrada de um mundo condenado, com essa versão videoclip de Detroit se tornando sua própria proto-Gotham City com becos sombrios, ruas molhadas, céus vermelhos e arquitetura industrial esfumaçada, banhada em sombras e uma paisagem urbana decadente. Parecendo a versão absolutamente moderna de um conto de fadas expressionista alemão digno do primeiro Batman de Burton, mas elevado a uma capa álbum de rock en roll de metal, misturado com um conto sombrio de Edgar Allan Poe incorporado à personalidade carnavalesca dos quadrinhos.

Firmando uma tradução “da página para a tela” quase perfeita e que alcança resultados muito melhores do que tentativas posteriores que até hoje se tornam vítimas de ritmos lapidados e desconjuntados vindo de produtores executivos e suas decisões “criativas” icócuas, ou apenas tentativas criativas superestilizadas e vazias. Capturando lindamente a consistência visual Neo-Noir de uma longa noite de pavor onde monstros perambulam, e onde até o ritmo flui como o virar das páginas de quadrinho, ritmado com precisão cronometrada que captura a linguagem sequencial e a câmera se porta como se fosse cada tira quadrinhesca atravessando cada beco escuro, apartamento sujo e calçada encharcada sempre que a narrativa salta de um personagem para outro e habitamos cada centímetro de tempo e espaço desse universo de maneira sempre vívida e contínua.

Que pode até ficar um pouco vago quando a narrativa não vai muito além de sua rica superfície texturizada mas que atua sob uma estrutura de clichês bem previsíveis de busca por vingança, mas com alguns momentos inesperadamente doces e de troca terna entre os adoráveis ​​​​personagens secundários de Albrecht (Ernie Hudson) e Sarah (Rochelle Davis) que novamente reafirmam a aura de luto e melancolia sincera que ronda a própria obra. Fazendo o que acaba impresso na tela forte o suficiente para gerar uma impressão duradoura, presente solamente na performance de Brandon Lee.

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Sua atuação como Eric Draven é nível Heath Ledger como Coringa, devorando absolutamente cada uma de suas falas e tempo de tela com exuberante confiança e entusiasmo que irradia a frieza magnética e imponente de seu personagem. É exatamente como testemunhar uma persona de história em quadrinhos ganhando vida, transmitindo a vingança luxuriosa e espectral ambulante, a sede sádica de sangue, mas também a inocência torturada de um coração puro e bom escondido por trás de tudo. Ele é o vigilante anti-herói que você teme, mas seu lado emo sadicamente deseja ser. Mas também a figura trágica que você absolutamente se vê envolvido, que auxiliada pelas trágicas circunstâncias da vida real, a melancolia que cerca cada uma de suas cenas se torna palpável à um nível espiritual.

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Inegavelmente a alma do filme, mas cada um dos rostos memoráveis ​​​​e personalidades que o cercam também brilham aqui. Michael Wincott não errava nenhuma interpretando vilões nos anos 90 e seu Top Dollar é provavelmente o mais divertido e diabolicamente malicioso do ator, acompanhado pelo próprio Candyman, Tony Todd, como seu assistente / capanga – e Todd ainda o vende de forma tão dominadora e fodão.

E sim por mais que o destaque do filme seja realmente na atmosfera penetrante linguagem visual quadrinhesca trazida à vida graças a icônica atuação central, mas também não faz nada feio quando vamos para usuais sequências de tiroteio e ação onde o imortal arauto da morte se solta chutando alguns traseiros, mesmo em meio à simplicidade básica de decupagem e as sequências básicas de execução ala Desejo de Matar. O destaque em especial fica quando vemos Eric despachando um pequeno exército de capangas no que parece ser um balé caótico de execuções digna de John Woo, onde até cabe uma espada de samurai no meio!

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Por meio de todas as agulhas cegas de seringas sendo usadas como armas assassinas, visões atormentadas de trauma, um banho de sangue do físico e da alma; também testemunhamos uma história pura sobre um amor descontrolado que sobreviveu à própria morte, assim como o legado deixado pelo trabalho de Brandon. Pode não ser muito, mas o forte coração pulsante aqui faz a obra se elevar bem além!

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O Corvo (The Crow, EUA – 1994)
Direção: Alex Proyas
Roteiro: David J. Schow, John Shirley, da hq de James O’Barr
Elenco: Brandon Lee, Rochelle Davis, Ernie Hudson, Michael Wincott
Gênero: Ação, Crime, Drama
Duração: 102 min.

Tags: #Batman #Brandon Lee #Ernie Hudson #Gótico #O Corvo #quadrinhos #Tim Burton
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Raphael Klopper
Escrito por

Raphael Klopper

Jornalista eclético e amante de filmes desde o berço, que evoluiu ao longo dos anos para ser também um possível nerd amante de quadrinhos, games, livros, de todos os gêneros e tipos possíveis. E devido a isso, não tem um gosto particular, apenas busca apreciar todas as grandes qualidades que as obras que tanto admira.

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