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Crítica | O Mendigo com uma Escopeta – Trasheira, Violência e Frases de Efeito

Do falso trailer de Grindhouse surge um divertido filme B.

Guilherme Coral
Guilherme Coral Redação
23 de fevereiro de 2018 · 4 min de leitura
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Crítica | O Mendigo com uma Escopeta – Trasheira, Violência e Frases de Efeito

Baseado no trailer falso, parte do projeto Grindhouse de Robert Rodriguez e Quentin Tarantino, O Mendigo com uma Escopeta é uma jornada violenta, repleta de gore, em um universo praticamente distópico, que homenageia os clássicos filmes B. Naturalmente que a obra já nasce sem a intenção de ser levada a sério, com diálogos e situações propositalmente exagerados, portanto somente há de ser aproveitado por quem já sabe no que está se metendo. Em razão do alto teor de sanguinolência, além, é claro, de sua premissa absurda, o filme prova ser perfeito para apreciadores de filmes “R-Rated”.

A obra conta com um bucólico início, com o mendigo (Rutger Hauer), que jamais é nomeado, andando em um trem de carga, passando pelas verdejantes paisagens até chegar em uma cidade a qual, claramente, não se encontra na melhor das condições. Logo nos minutos iniciais já contemplamos a violência que engolira esse local, especialmente após testemunharmos os feitos de Drake (Brian Downey) e seus dois filhos, Slick (Gregory Smith) e Ivan (Nick Bateman), a família que praticamente governa a cidade. Após ser vítima e testemunhar vários atos de selvageria, o mendigo decide que precisa fazer algo a respeito e compra uma escopeta na loja local, iniciando uma jornada sangrenta no intuito de limpar a cidade.

É bastante difícil decidir quais os melhores momentos de O Mendigo com uma Escopeta, aqueles que exploram, na plenitude, a violência já esperada do filme, ou as breves ocasiões de tranquilidade, nas quais o protagonista nos oferece um pouco de sua filosofia de boteco, além de outras informações de arregalar os olhos, como os hábitos violentos dos ursos (claramente uma tentativa de traçar paralelos entre ele e tais criaturas, por parte do roteiro). Todo o texto de John Davies exala exagero e isso funciona perfeitamente para criar esse cenário visceral, repleto de humor negro. O realismo certamente não é um dos objetivos aqui e, se você esperava isso do filme, é melhor passar longe.

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Esse não compromisso com a realidade também é demonstrado com toda a clareza no tratamento de cor do filme, o qual intensifica as cores de forma a causar mais impacto, seja nas cenas de violência extrema, com o vermelho saltando aos olhos, ou na bucólica introdução do longa-metragem, com a paisagem verdejante chamando a atenção, criando uma bela oposição com o que veríamos mais tarde. O uso constante de filtros, em especial o vermelho e amarelo, também é notado – um funcionando para causar ainda mais desconforto com o gore, tão presente na narrativa, o outro para nos remeter a filmes antigos, afinal, essa é uma grande homenagem, como já mencionado, aos filmes B de outrora.

Rutger Hauer, o eterno Roy Batty de Blade Runner, é uma das peças centrais para o funcionamento da obra. Perfeitamente escalado, nos remetendo imediatamente aos seus papéis dos anos 1980, o ator faz cada uma de suas muitas frases de efeito funcionarem, pincelando seu personagem com os necessários tons de exagero, os quais fazem com que nós, automaticamente, passemos a gostar dele. Como um elemento estranho àquela cidade, o mendigo funciona como uma espécie de salvador, mesmo que adotando métodos violentos, sendo o único capaz de quebrar a estranha hierarquia ali instaurada.

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Evidente que o longa está longe de ser perfeito e, apesar de acertar no tom e na forma como constrói seus personagens, John Davies, que assina o roteiro, peca pela falta de originalidade conforme a obra progride. Claro, temos a inesperada dupla bizarra no final do filme, mas me refiro à maneira como as situações progridem. O inexperiente Jason Eisener, na direção, também não demonstra um trabalho muito inspirado, com uma decupagem bastante simples que falha em realizar as necessárias homenagens ao cinema B antigo.

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Tais elementos, porém, não devem afastar qualquer um que aprecie uma boa “trasheira” repleta de violência e frases de efeito. Situado praticamente em um universo distópico, O Mendigo com uma Escopeta é uma divertida aventura banhada em sangue, com Rutger Hauer nos fazendo dar boas risadas enquanto percorre a cidade chacinando os depravados criminosos que tomaram conta dela. Um belo filme B, no estilo dos filmes de outrora, realizado em pleno século XXI.

O Mendigo com uma Escopeta (Hobo with a Shotgun – Canadá, 2011)

Direção: Jason Eisener
Roteiro: John Davies
Elenco: Rutger Hauer, Pasha Ebrahimi, Robb Wells, Brian Downey, Gregory Smith, Nick Bateman, Drew O’Hara, Molly Dunsworth
Duração: 86 min.

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Tags: #Rutger Hauer
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Guilherme Coral
Escrito por

Guilherme Coral

Refugiado de uma galáxia muito muito distante, caí neste planeta do setor 2814 por engano. Fui levado, graças à paixão por filmes ao ramo do Cinema e Audiovisual, onde atualmente me aventuro. Mas minha louca obsessão pelo entretenimento desta Terra não se limita à tela grande - literatura, séries, games são todos partes imprescindíveis do itinerário dessa longa viagem.

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