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Crítica | Peter Pan (2015) – Uma reinvenção desnecessária e vergonhosa

Sobrou até pro Nirvana.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
10 de janeiro de 2018 · 4 min de leitura
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Crítica | Peter Pan (2015) – Uma reinvenção desnecessária e vergonhosa

Em maio de 2011, recebíamos a notícia animadora de que Peter Pan ganharia uma nova releitura. Intitulada simplesmente como Pan, o projeto traria Aaron Eckhart como Capitão Gancho, mas o eterno vilão seria aqui um detetive que investiga o rapto de crianças por uma misteriosa figura que “nunca iria crescer”. É uma ótima e sombria ideia que poderia explorar temas complexos e originais dentro do imortal conto de fadas. Como esse thriller acabou convertido em uma bizarra e fantasiosa história de origem, é um mistério.

Assinada por Jason Fuchs, a trama parte para criar uma inédita história de origem para os personagens de J.M. Barrie, nos apresentando a um órfão (o estreante Levi Miller) que é abruptamente raptado por um navio pirata voador, controlado pelo cruel Capitão Barba Negra (Hugh Jackman). A viagem o leva pela primeira vez à Terra do Nunca, onde os piratas estão em constante guerra com os nativos liderados pela Princesa Tigrinha (Rooney Mara) e o reino das Fadas, e Peter acaba jogado no meio do conflito para servir à uma antiga profecia.

Uau. Quem diria! Peter Pan era o escolhido de mais uma das trocentas profecias que já serviram de muleta temática para o cinema desde sempre. Não seria um problema muito grave se o texto de Fuchs fosse capaz de explorar bem os conceitos básicos da jornada do herói, mas não há absolutamente nada de original – bem, excluindo o fato de termos um protagonista muito mais, como dizer, “burro” do que a habitual ingenuidade dos tantos “Neos” e “Lukes Skywalkers” da cultura pop. E já que citei o protagonista de Star Wars, é gritante a semelhança temática com o primeiro filme de George Lucas, com Peter, Tigrinha e o ainda amigo Gancho (Garrett Hedlund), cobrindo perfeitamente os personagens de Luke, Leia e Han Solo, chegando ao nível de copiar descaradamente uma das mais marcantes reviravoltas daquele filme. As explicações para a origem das fadas (então quer dizer que o pó de pirlimpimpim é extraído de grandes pedras de crack?), da liderança de Tigrinha e o “gancho” que o futuro capitão pirata carrega não empolgam, e perigam manchar a história original com um pano de fundo genérico e sem graça, ainda que o filme seja uma produção absolutamente caprichada e impressionante.

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Afinal, Joe Wright é um diretor que se sai bem quanto ao visual e escala de seus projetos (vide seu impecável uso dos cenários teatrais em Anna Karenina), e com a ajuda da designer de produção Aline Bonetto, cria uma Terra do Nunca exótica e fantasiosa, com forte presença de elementos circenses e a criação de um universo pirata que beira a ficção científica com seus barcos voadores e esferas flutuantes de água, quase como um Baz Luhrmann sem toda a purpurina. Wright só não se sai bem na condução de suas cenas de ação, que acabam melhores aproveitadas pelo cenário ou a boa música de John Powell, ao invés de uma montagem confusa que deixa bizarros reaction shots (quantas vezes teremos que ouvir algum personagem interrompendo a ação para dizer “Ah, qual é?”) e efeitos visuais nem sempre tão convincentes, especialmente nas cenas de voo que transformam Pan num horroroso boneco digital.

Quanto ao elenco, é uma pena constatar que o talentosíssimo Hugh Jackman fique limitado a uma figura muito mais caricatural do que o filme exigia, limitando-se em muitos momentos a uma cópia da performance de Johnny Depp em Piratas do Caribe. Rooney Mara deveria ter vergonha de um trabalho tão desleixado e mal escalado (nem vou entrar em méritos de etnia, o buraco é mais embaixo) e o estreante Levi Miller não mostra à que veio, carecendo do carisma e a malandragem que tornam Pan uma figura tão divertida. O destaque fica mesmo para Gancho, que Garrett Hedlund transforma num adorável canastrão aos moldes de Indiana Jones, e confesso que sua futura transformação no arqui-inimigo de Peter Pan é um dos únicos motivos que me fariam querer uma continuação.

Peter Pan é uma releitura descartável e danosa ao mito original de J.M. Barrie, apoiando-se demais em estruturas que por si só não funcionam. Tem bons valores de produção e algumas boas ideias, mas sem dúvida é uma Terra do Nunca para qual eu não teria interesse de retornar.

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Obs: Esta crítica seria originalmente de Matheus Fragata, mas este tragicamente perdeu a visão devido ao forte contato com o brilho colorido das fadas.

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Peter Pan (Pan, EUA – 2015)

Direção: Joe Wright
Roteiro: Jason Fuchs
Elenco: Hugh Jackman, Garrett Hedlund, Rooney Mara, Levi Miller, Cara Delevingne, Adeel Aktar, Amanda Seyfried
Gênero: Aventura

Duração: 111 min

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Tags: #Amanda Seyfried #Cara Delevingne #Garrett Hedlund #Hugh Jackman #Levi Miller #Peter Pan #Rooney Mara
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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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