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Crítica | Pi – A Entediante Estreia de Darren Aronofsky

A dúvida exata.

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
17 de setembro de 2017 · 4 min de leitura
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Crítica | Pi – A Entediante Estreia de Darren Aronofsky

Pi, filme de estreia de Darren Aronofsky, felizmente, não é infinito como o número do título. Porém, cada minuto parece se estender de todas as maneiras para, através da repetição, do cíclico, do indecifrável, sustentar seu conteúdo.

O thriller de 1998 é produto de uma época em que certas ficções (científicas) começam a se tornar realidade. Os computadores, ainda na forma arcaica e de interface e funcionamento pouco acessíveis, inspiravam certa repulsa, por serem indecifráveis, afinal, possuem uma linguagem própria, estranha, alienígena, ainda que totalmente feita por humanos.

Essa distinção entre o exato e o humano é o que mova a jornada do protagonista Max (Sean Gullette), um matemático paranóico, modelado ao mito de Ícaro, preso ao seu mundinho em busca de uma sequência numérica equivalente à chave do universo.

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Nesta sua busca particular, porém encontrará estranhas personalidades do mercado financeiro – buscando se aproveitar da sua pesquisa para os negócios – e um grupo de judeus crentes de que a sequência procurada por Max é, convertendo os algarismos em caracteres hebraicos, o verdadeiro nome de Deus.

Aronofsky opta pela filmagem em 16mm, em preto e branco com alto contraste, fazendo o que pode para que cada plano seja incômodo, apertado, ou simplesmente exagerado. Ao som de baterias e música techno, quase onipresente e irritante, Pi constrói um clima de iminência constante, desaguando um par de vezes em um momento catártico.

Tal como seu computador, figura ora maquinal, ora humana (os sussurros misteriosos como reflexo perturbador), Max frita o cérebro a ponto de chegar nestas epifanias, mas seu objetivo parece sempre falhar. É uma busca tão infantil quanto a sua atitude de fixar o olho no sol até sua visão ser interrompida, e retornar tempos depois.

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“Antes da pane, eles se dão conta da própria estrutura”, conta Sol (Mark Margolis), ex-professor do protagonista, uma espécie de mestre com que Max vai jogar Go e pedir conselhos acerca de sua obsessão, ao descrever a reação dos computadores à resolução de certos problemas. Isto é, um problema cíclico, enfim, absoluto.

No final das contas, tudo é construído para exibir que, se a matemática é a linguagem da natureza, a natureza também é a linguagem da matemática – portanto, impossível de se compreender totalmente. Como característica humana, a razão só pode ser incerta e que “exatas” é só uma denominação que implica um rigor científico, que impede o matemático de ser um numerólogo.

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Nessa viagem entre planos detalhes, planos de câmera na mão frenéticos, desenvolvendo um ritmo alucinante ao espírito mais superficial de sua época, Aronofsky só baba sobre o óbvio. As formigas lembram aquelas que brotam da mão de um personagem de Um Cão Andaluz, ou uma massa cerebral ensanguentada numa pia pode lembrar o surrealismo grotesco de Eraserhead. Ainda, surge ele, o motivo do duplo, no reflexo do espelho do banheiro, como o ponto final na saga de panes repetidas.

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A estética “opressora”, cyberpunk, repleta de sinais da cultura oriental, une-se à falação sobre conceitos matemáticos (pi, proporção áurea, passagens históricas…) para trazer fumos de experimento, de radicalidade, tentando camuflar um falso deslocamento em revelação.

Os paralelos religioso e monetário servem como contribuição para mostrar caminhos “da prática”, posições rejeitadas pelo herói (“Eu O vi”, diz ele). O deleite gerado pela descoberta de que a dúvida é mais importante que a resposta, encontrada pelo protagonista não repercute, porém, na narrativa de Aronofsky.

Sua certezas pasteurizadas são tão entediantes quanto o moralismo que contamina seu filme seguinte, Réquiem para um Sonho, que recupera mais uma vez a chave caótica, de um choque ainda mais sensacionalista. Em comparação com o que se desenvolve na época, por exemplo, em Ghost in the Shell (1996) e Matrix (1999), a histeria deste jovem narrador procura a transcendência numa busca interior muito mais próxima de uma autoajuda escrita em um arroubo paranoico.

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Pi (EUA – 1998)

Direção: Darren Aronofsky
Roteiro: Darren Aronofsky

Elenco: Sean Gullette, Mark Margolis, Ben Shenkman, Pamela Hart e Stephen Pearlman
Gênero: Thriller
Duração: 84 minutos

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https://www.youtube.com/watch?v=xzAjzoNOaaU

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Tags: #Cinema norte-americano #Darren Aronofksy #Thriller
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