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Crítica | Quem Vai Ficar com Mário? – Humor com pontada de Crítica Social

O humor brasileiro vem se revigorando nos últimos anos e ganhando uma nova cara no cinema, com produções menos novelescas e mais voltadas para o grande público. Um dos cineastas que vem fazendo parte deste novo cenário é Hsu Chien, que mesmo não sendo conhecido por grande parte dos cinéfilos brasileiros é um diretor consagrado e com bagagem no audiovisual. Ele já se aventurou em diversos gêneros, como drama, suspense e comédia.

O diretor retorna – depois de lançar o fraco Ninguém Entra Ninguém Sai – com a produção Quem Vai Ficar com Mário?, um longa que dialoga com o espectador a respeito de temas atuais e que não perde a chance de fazer o público rir com piadas bem feitas e sem precisar forçar a barra ou criar um cenário absurdo de acontecimentos.

O filme conta a história de Mário (Daniel Rocha), um rapaz que toma a decisão de contar para sua família que é homossexual, mas para isso precisa perder o medo de seu pai e confrontá-lo com a verdade. É uma ideia bastante interessante a do roteiro, em trazer um drama pessoal do personagem que muitas pessoas vivem e dar um lado cômico para a situação, isso sem esquecer do tema principal do longa.

Quem Vai Ficar Com Mary Brasileiro

É nítido a referência que o diretor faz ao dar um nome parecido com o do clássico americano Quem Vai Ficar com Mary?, que traz uma trama bastante engraçada entre dois homens que buscam o amor da personagem interpretada por Cameron Diaz.

Na versão nacional ocorre algo parecido, com Fernando (Felipe Abib) e Ana (Letícia Lima) disputando o amor de Mário. É claro que por ser uma comédia muitas confusões acabam ocorrendo, não apenas desse embate para saber quem irá ficar com o protagonista, mas também em relação a Mário contar ou não para o seu pai que é gay.

É um humor com uma pontada de drama, já que há em diversos momentos há conflitos pessoas entre Mário e seu pai e a paixão de sua vida, Fernando. Há circunstâncias que o diretor acaba repetindo piadas ou situações embaraçosas para que a cena se torne cômica, mas isso não atrapalha o andamento do longa e também não é algo de mal gosto, nem extremamente forçado, pelo contrário, se percebe que houve um trabalho para que os diálogos fossem mais leves e divertidos, isso como dito antes, sem esquecer a mensagem final.

Crítica Social

O ponto alto da narrativa está na apresentação do conflito entre Mário e seu pai, há outros momentos conflituosos na trama, mas que servem apenas para fazer a narrativa seguir adiante e para dar mais humor para o filme, mas o principal mesmo é em relação ao preconceito de seu pai.

Tal preconceito é bem discutido, mas não tão aprofundado quanto deveria ser. No primeiro ato, esse embate entre os dois é mais forte, no segundo ato ele praticamente desaparece até ressurgir para definir toda a situação no terceiro ato. O que o diretor quis fazer é apresentar outras situações que envolvem critica social, como o machismo.

A ideia de criar atritos em volta desse drama de Mário e do preconceito do pai poderia facilmente discorrer por todo o filme, mas o diretor prefere abandonar o caminho principal trilhado pelo roteiro e seguir outro, algo que acaba tornando o final óbvio e sem a força que deveria ter tido.

Quem Vai Ficar com Mário? é uma produção que poderia ter ido mais adiante no tema que pretendia discutia e assim fortalecer a sua mensagem principal contra o preconceito. Apesar de cansativo e enrolativo em alguns momentos a produção entrega aquilo que o público quer, um filme suave e que faça rir.

Quem Vai Ficar com Mário? (idem, Brasil – 2021)

Direção: Hsu Chien Hsin
Roteiro: Stela Freitas, Laura Malin, Rafael Campos Rocha, Luís Salém
Elenco: Nany People, Daniel Rocha, Felipe Abib, Marcos Breda, José Victor Castiel, Letícia Lima, Elisa Pinheiro
Gênero: Comédia
Duração: 105 min.

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Publicado por Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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