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Crítica | Rainhas do Crime – Um grande tiro no pé

Rainhas do Crime é daqueles filmes de máfia que não acrescentam absolutamente nada de novo ao tema, além de não discutir nada de importante, como o próprio feminismo

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
8 de agosto de 2019 · 4 min de leitura
Crítica | Rainhas do Crime – Um grande tiro no pé

A Warner Bros parece estar se especializando em lançar filmes inspirados em quadrinhos que são uma perfeita bomba. Rainhas do Crime é inspirado na hq The Kitchen do selo Vertigo, da DC Comics e conta a história das personagens Ruby O’Carroll (Tiffany Haddish), Claire Walsh (Elisabeth Moss) e Kathy (Melissa McCarthy) que precisam viver a uma nova realidade sem os maridos presos pelo FBI, e sem dinheiro começam a tomar conta máfia local e assim se tornam gângsters famosas pelo bom caráter e bom mocismo. 

Obviamente que a ideia do longa, dirigido por Andrea Berloff, é o de dar um caminho para as protagonistas que seja o de mostrar como elas se viraram sem nenhum homem por perto e como, de um jeito ardiloso, se vingam e se despregam das amarras dos maridos. A mensagem feminista do filme é algo que está presente na HQ e que é bem explicada e dirigida ao público, algo que não ocorre com o filme, que acaba por deixar uma mensagem tão interessante e bacana mal explicada e desenvolvida, fazendo com que muitas cenas que eram para ser de libertação feminina das personagens acabem se tornando algo extremamente caricato, jogado e sem um direcionamento claro.

Tal fato se dá por conta de diversos fatores. Um deles é o roteiro preguiçoso que pula etapas e faz com que Claire, Kathy e Ruby rapidamente tomem coragem de confrontar os poderosos da máfia, sem um trabalho mais especifico em relação a essa motivação que veio quase que do nada. Há ainda vários diálogos frágeis que são desperdiçados com facilidade, fora o tom meio teatral visto na interpretação das três protagonistas que soa como algo novelesco e que não funciona na produção. O roteiro confuso também erra por ir por outro caminho que traz uma mensagem no mínimo equivocada.

Os filmes sobre a máfia, geralmente, trazem uma mensagem que foge do heroísmo, pois muitas das pessoas que escolhem ir pelo caminho do crime vão por algum motivo, mas sempre acabam sendo presos ou participando de atos violentos contra aqueles que os desafiam. Longas como O Poderoso Chefão, Os Bons Companheiros e Scarface sempre mostraram que o crime não compensa, e Rainhas do Crime vai para o outro lado ao dar a entender que o crime compensa sim. Há uma motivação inicial para que as três mulheres entrem nesse mundo obscuro. A ideia era ganhar dinheiro para se sustentarem, mas não há menção do porque estão continuando nesse mundo se já conseguiram o dinheiro, fora que não há um momento que alguma personagem reflita se aquilo é legal ou ilegal, e nem o roteiro dá a entender se aqueles atos são imorais ou não, algo que é comum em produções do gênero.

A direção de Andrea Berloff se mostra preguiçosa e óbvia em muitos momentos, pois todos os acontecimentos são coreografados quanto ao jeito que Irão ocorrer. Não há uma surpresa decente que sirva para dar uma virada no roteiro. Há uma tentativa envolvendo a personagem de Melissa McCarthy com o seu marido, mas que é abandonada de uma maneira banal pela diretora. O pior é em relação aos personagens, alguns aparecem sem muito destaque e são rapidamente abandonados pelo foco ser todo nas protagonistas. Tais personagens não são atraentes, até porque não são explorados, mas poderiam servir para dar maior dinâmica e aprofundamento para história, casos dos três maridos das protagonistas e do capanga Gabriel, que aparece como uma mudança para a história, mas que também se torna coadjuvante.

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Rainhas do Crime é daqueles filmes de máfia que não acrescentam absolutamente nada de novo ao tema, além de não discutir nada de importante, como o próprio feminismo e até mesmo da violência constante da máfia na época. Parece que tudo no longa foi aprontado de forma tão superficial que fica difícil de comprar a ideia, pois dos diálogos ao jeito que as situações são apresentadas é quase tudo aprontado de forma forçada, sem naturalidade alguma. O pior é o fato da produção ser vazia em novas ideias. Tal fato se deve a falta de experiência da diretora que ficou a frente de um projeto que tinha tudo para ser tão interessante, mas que acabou se perdendo no caminho.

Rainhas do Crime (Rainhas do Crime – EUA, 2019)

Direção: Andrea Berloff
Roteiro: Andrea Berloff, Ollie Masters (autor da HQ), Ming Doyle (Ilustrador da HQ)
Elenco: Elisabeth Moss, Melissa McCarthy, Domhnall Gleeson, Tiffany Haddish, Annabella Sciorra, Common, James Badge Dale, Margo Martindale, Jeremy Bobb, Brian d’Arcy James
Gênero: Ação, Crime, Drama
Duração: 100 min.

Tags: #Common #Elisabeth Moss #Melissa McCarthy #Tiffany Haddish
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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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