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Crítica | Rei Arthur (2004)

Enfim, essa versão de Rei Arthur pode ser definida em uma palavra: insossa. Ele acha que vai trazer algo de novo, mas é uma ideia

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
19 de maio de 2017 · 4 min de leitura
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A lenda do Rei Arthur é uma das mais fantásticas já feitas. O garoto que após tirar a espada Excalibur se tornou o rei da Inglaterra e criou a Távola Redonda, etc.. Mas assim como Ridley Scott tentou fazer uma versão mais verossímil de Robin Hood que acabou deixando a desejar, o picareta Antoine Fuqua tentou fazer uma versão “realista” sobre o Rei Arthur em 2004. E o resultado é um filme chato que não consegue despertar um mínimo de interesse ao espectador.

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Essa versão mostra Arthur (Clive Owen) como um comandante de Roma que está servindo na Bretanha. Após 15 anos de serviço junto com os seus cavaleiros para evitar que o posto seja atacado pelos rebeldes liderados por Merlin (Stephen Dillane), Arthur recebe a missão para salvar um jovem chamado Alecto (Lorenzo de Angellis), que está em território inimigo. Se concluir essa missão será dispensado junto com os seus comandados.

Além de a sinopse ser um plágio de O Resgate do Soldado Ryan (um esquadrão que recebem uma missão suicida para salvar um jovem), o roteiro de David Franzoni é repleto de personagens apáticos e desinteressantes. Dos comandados de Arthur, apenas Bors (Ray Winstone) é interessante e bem desenvolvido, os outros não passam de cascas vazias que não tem nenhuma substância. O trio principal da “lenda” – Arthur, Lancelot (Ioan Gruffudd) e Guinevere (Keira Knightley) – é insuportável. Os dois primeiros por serem mal humorados e em momento algum parecem que são melhores amigos. Mesmos os próprios dizendo que são não há sinceridade ou química entre os personagens para que o expectador se convença quanto a isso. E essa versão, no mínimo bizarra, de Lady Guinevere é um estereótipo da mulher macho, não uma mulher forte e independente. O próprio triangulo amoroso entre eles só serve para encher linguiça. É um roteiro que não faz jus a própria ideia de ser baseado em fatos históricos.

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Se o roteiro de Franzoni se mostra aborrecido, o mesmo pode ser dito quanto a direção de Antoine Fuqua. Em 2004, Fuqua já mostrava um vício que tem até hoje: o diretor parece escolher a dedo as cenas que irá decupar de uma maneira decente, enquanto faz outras de qualquer maneira. Se temos algumas cenas de batalhas “divertidas” – o combate na geleira é muito bem filmado -, em compensação as cenas mais sérias são de bocejar. Não há emoção nas cenas dramáticas e o diretor não consegue extrair algo dos seus atores. Clive Owen está monotônico; Keira Knightley não traz nenhuma personalidade; Ioan Gruffud sempre foi um ator inexpressivo e limitado e não faz diferente; e o geralmente ótimo Stellan Skargard compõe um vilão que resume suas maldades em gritos e olhares ameaçadores. O elenco de coadjuvantes feitos por atore formidáveis como Hugh Dancy, Ray Stevenson, Mads Mikkelsen, Ray Winstone e Joel Edgerton conseguem criar personagens interessantes, mas não são bem aproveitados, uma falha grave de roteiro e direção.

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A fotografia e a direção de arte não são das mais inspiradas. Todo o conceito visual do longa parece ter vindo da primeira parte de Gladiador e se contenta em ser uma cópia fiel. Não há uma melhora ou algo novo durante a projeção desse filme. É algo genérico que já foi visto em vários outros filmes: como se passa em locais frios, a paleta de cores é mais fria e tem névoa para dar mistério. Pois é, nada de novo. A recriação de época até é bem feita, mas assim como a fotografia é mais do mesmo. A direção de arte acerta ao trazer personalidade aos designs dos personagens, que vão desde a cor de suas roupas ao seu tipo de espada. Mas é só isso que agrega ao filme.

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Enfim, essa versão de Rei Arthur pode ser definida em uma palavra: insossa. Ele acha que vai trazer algo de novo, mas é uma ideia que morre na praia. Nenhum rei ou cavaleiro consegue superar tal desafio: conferir esse filme sem bocejar em momento algum.

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Rei Arthur (King Arthur, EUA – 2004)

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Direção: Antoine Fuqua
Roteiro: David Franzoni
Elenco: Clive Owen, Keira Knightley, Ioan Grufudd, Stellan Skarsgard, Mads Mikkelsen, Ray Stevenson, Ray Winstone e Joel Edgerton
Gênero: Ação, Aventura
Duração: 126 min

Tags: #Antoine Fuqua #Clive Owen #Keira Knightley #Rei Arthur
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