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Catálogo

Crítica | Tron: O Legado

Reboot honesto.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
8 de julho de 2016 · 6 min de leitura
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Crítica | Tron: O Legado

Dezembro parece ser o mês dos efeitos visuais. Para os esquecidos, há exatamente um ano estreou “Avatar” nos cinemas. O “Tron” clássico de 1982 inseriu a moda da CGI nos filmes, mas, apesar de ser visionário, não emplacou e acabou esquecido. Agora, 28 anos depois, a Disney tenta reviver a franquia injetando milhões de dólares na produção e apostando nos efeitos visuais. Será que de fato ela conseguiu?

Kevin Flynn, CEO da ENCOM desapareceu misteriosamente e deixou o pequeno Sam para ser criado pelos avós. Depois de vinte anos, Alan, antigo parceiro de Kevin, recebe uma mensagem dele e avisa Sam que, por sua vez, parte para o antigo fliperama do pai. Chegando lá, encontra um velho computador que o lança para o Grid – o mundo virtual do filme – onde descobre que Clu, um programa, se tornou um ditador determinado a escapar do Grid. No meio tempo, ele tenta encontrar seu pai e sobreviver aos jogos deste mundo virtual.

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Escrita em pixels

Para situar o espectador na trama, o roteiro relembra alguns personagens e explica, detalhadamente, porque Kevin ficou preso no Grid e como Clu conseguiu tomar o poder. Ele também possui referências ao filme original  – principalmente nos jogos e em alguns personagens –  e a época dos anos 80, as mais expressivas na passagem no fliperama. Infelizmente, não é bem desenvolvido apesar de ter uma trama/mitologia interessante e bem concluída.

Nas pausas obrigatórias entre uma cena de ação e outra ele peca. Estas passagens servem para desenvolver os personagens e a história, mas graças aos diálogos desinteressantes e monótonos elas tornam-se chatas, maçantes e previsíveis tirando o ritmo extremamente frenético das cenas de ação além de não cumprir seu papel de desenvolvê-los. Fora isso ele possui algumas frases de efeito mal elaboradas. O personagem que mais gosta de proferi-las é Kevin. Em quase todas suas falas existe uma como “Look at this!” e “Radical, man!”. O maior problema do fraco roteiro foi esse: ser conservador e não tentar inovar em praticamente nada.

Beirando o aceitável

As atuações do filme cumprem seu papel mediano. Jeff Bridges retorna e ironicamente está melhor em seu papel digitalizado de Clu do que como Kevin (o homem que brinca de deus). Michael Sheen é o destaque, aqui ele encarna Castor um personagem que parece uma mistura de Gato que Ri, David Bowie e Charles Chaplin. Shenn simplesmente atuou da forma mais caricata possível tirando proveito de suas inúmeras caras, bocas e gestos. Garret Hedlund conseguiu criar o protagonista mais sem graça que já vi. Seu personagem é completamente desinteressante (talvez por culpa do roteiro ou de sua total falta de carisma) não há nada em sua atuação que a torne única. Encare isto: ele é o avatar do espectador no mundo digital do filme. Por último a bela Olivia Wilde, ela conseguiu fazer uma personagem com personalidade e interessante, isto graças a relação que ela tem com Sam sempre tentando descobrir como é o mundo de fora.

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Beleza virtual

A direção de arte do filme é o aspecto técnico que mais brilha, seja na fotografia, no figurino, no sempre presente neon, até nos cenários, em sua montagem e seus elementos. Durante as cenas que se passam no mundo real, a fotografia sempre puxa para um tom de marrom com planos abertos da cidade. Quando muda para o mundo digitalizado do Grid, passa a apostar no contraste entre o preto e o branco com o neon azul e laranja. Nas sequências de ação, tira o fôlego de quem assiste, tudo muito bem filmado sem deixar o espectador perdido no meio das correrias. Fora isso os efeitos visuais esbanjam qualidade e criam uma atmosfera única. Destaques para o rejuvenescimento de Bridges para o personagem Clu, a transformação dos bastões em light cycles e seus rastros translúcidos coloridos, na morte pixelizada dos programas, enfim, o filme inteiro.

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O 3D merece um pequeno parágrafo. É mais utilizado na profundidade dos planos e, poucas vezes, o espectador verá um disco voando em sua cara. O efeito melhora ainda mais a beleza do filme, mas para os que estão empolgados em ter um passeio numa light cycle podem esquecer.

Simplesmente eletrônica

A dupla francesa Daft Punk compôs toda a trilha original do filme e a escolha não poderia ter sido melhor. Todas as músicas são envolventes e combinam com universo tecnológico do filme. Atente que na parte da “balada” do filme, têm uma breve participação especial.

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Os efeitos sonoros também são incríveis e acompanham a qualidade técnica do filme. São responsáveis pelas características aos personagens – a voz de alguns programas é digitalizada. Vários ruídos e “explosões” são únicos, como a colisão das light cycles nos rastros de luz, o barulho dos motores das naves “firewall” e na queda dos cristais de pixels. Fora isso utiliza de forma brilhante a transição de um cenário para outro em respeito à música. Por exemplo, quando Sam chega no fliperama e liga a energia, começa a tocar “Separate Ways” e logo depois “Sweet Dreams” e conforme explora os quartos do lugar, a música fica distante e abafada E quando volta ao salão principal ela volta a ficar alta. Isto acontece também na cena da boate de Castor. Um dos primeiros filmes a brincar com a física do som foi o alemão “O Anjo Azul” na época que o cinema tinha cérebro (1930), ao contrário de hoje em dia, apesar das raras exceções.

Abrindo as portas da direção cinematográfica

O novato Joseph Kosinski estréia em alto estilo no cinema – logo de cara dirige um projeto milionário. Com certeza, ele sabe dirigir sequências de ação porque todas prendem a atenção do espectador e são dinâmicas, o que não acontece na edição das cenas que desenvolvem a história deixando-as bem forçadas e lentas.

Também insere corretamente em seu filme a última modinha do mercado, slow motions. Além disso, homenageou o projeto original com algumas referências, como o pôster do “Tron: Uma Odisséia Eletrônica” no quarto de Sam e a posição dos personagens no set durante o clímax do filme. Existem algumas ideias que ficaram muito interessantes como a cena que Sam se prepara para entrar na arena dos jogos “gladiatoriais”. Nesta parte as Sirens e Beau Garret se movimentam roboticamente evidenciando a artificialidade de suas personagens.

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Vamos assistir?

“Tron – O Legado” não será lembrado por suas atuações “memoráveis” e muito menos pelo seu roteiro “brilhante”. Com certeza, marcará época graças a sua qualidade técnica e sua música viciante. Com toda a certeza, vale a pena mergulhar na distopia mecatrônica de Tron. Eu não sei vocês, mas meu ingresso para um retorno (agora em IMAX) já está no meu bolso.

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Tags: #Adam Horowitz #Edward Kitsis #Garrett Hedlund #Jeff Bridges #Michael Sheen #Olivia Wilde
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Matheus Fragata
Escrito por

Matheus Fragata

Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema. Apaixonado por histórias que transformam. Contato: matheus@nosbastidores.com.br

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