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Crítica | Um Grito de Liberdade (2019) Drama Turco que Lembra um Novelão

Um Grito de Liberdade deve emocionar aqueles que buscam dramas carregados com histórias de vida, mas também pode decepcionar

Gabriel Danius
Gabriel Danius Redação
20 de junho de 2020 · 3 min de leitura
Crítica | Um Grito de Liberdade (2019) Drama Turco que Lembra um Novelão

Uma mãe faria de tudo para ajudar a sua filha a alcançar o sucesso na vida profissional e também na pessoal. Se há uma relação familiar que o cinema adora transmitir para as telas essa é sem dúvida é entre mães e filhas, até porque é uma relação cheia de conflitos, mas também cheia de amor e ternura. E o filme Um Grito de Liberdade (Mustafa Kotan) é mais um desses expoentes.

A produção turca é exatamente o que os fãs do gênero desejam encontrar, pois é um drama que lembra uma novela, tamanha as reviravoltas que o roteiro apresenta. O longa conta a história de uma mãe que luta contra o preconceito de um pai machista para enviar a filha para a escolha, e depois para a faculdade, nesse meio tom o diretor dá uma guinada na história e faz a mãe se tornar vítima não apenas do marido, mas também da filha, que passa a tratar a mãe mal – isso já na fase adulta de Nazil, a filha. A filha tem vergonha da mãe, isso é mostrado em vários momentos do filme, e quando vai para a cidade grande simplesmente a ignora de vez.

Depois de um primeiro ato interessante, o longa em um segundo ato que começa a abraçar de vez a novela, com várias confusões que são feitas para forçar o drama, principalmente uma situação trágica envolvendo Nazli, que certamente está ali para fazer o espectador chorar e que lembra outro filme turco, O Milagre da Cela 7 (Mehmet Ada Öztekin), que também tinha umas cenas no roteiro aleatórias, filmadas apenas para o público chorar sem parar.

Já no terceiro ato o diretor resolve abraçar o novelão de vez, com Nazli já sofrendo suas tragédias pessoais, e agora o roteiro a faz sofrer mais ainda, e a coloca em outra situação pior ainda, e não dá para entender o porquê de ter feito isso com a personagem tão abruptamente, sendo que o filme não caminhava para esse sentido. Claramente o diretor quis novamente fazer o público chorar e força a mão para isso, não havia necessidade em fazer aquilo que ele fez nos últimos vinte minutos com a personagem que tinha tudo para ser a protagonista, praticamente jogou um final que seria interessante no ralo.

Fora esses encalços, Um Grito de Liberdade é um drama razoável e que tem um público cativo, pois ele trabalha bem certos elementos, principalmente a relação atemporal de mãe e filha e como questões familiares conflituosas podem tumultuar certos ambientes, fazendo com que estruturas familiares tradicionais possam mudar de uma hora para a outra. Outra discussão interessante que o filme traz é em relação ao papel da mulher na sociedade, com Nazli indo estudar em uma sociedade em que o machismo impera tema delicado, mas que é bem abordado pelo diretor.

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Um Grito de Liberdade deve emocionar aqueles que buscam dramas carregados com histórias de vida, mas também pode decepcionar aqueles que procuram tramas mais bem elaboradas e trabalhadas e que fujam do óbvio.

Um Grito de Liberdade (Annem, Turquia – 2019)

Direção: Mustafa Kotan
Roteiro: Evren Erdogan, Bener Karaçor, Ayse Balibey Tanil
Elenco: Özge Gürel, Sumru Yavrucuk, Sercan Badur, Tuna Orhan, Itir Esen, Fatma Toptas
Gênero: Drama
Duração: 110 min.

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Gabriel Danius
Escrito por

Gabriel Danius

Jornalista e cinéfilo de carteirinha amo nas horas vagas ler, jogar e assistir a jogos de futebol. Amo filmes que acrescentem algo de relevante e tragam uma mensagem interessante.

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