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Crítica | Uma Razão para Viver – Uma estreia pouco promissora

Uma Razão Para Viver poderia facilmente ir pela via mais fácil: a da completa melosidade. No cinema, doenças terminais ou fisicamente

Redação Bastidores
Redação Bastidores Redação
13 de novembro de 2017 · 3 min de leitura
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Crítica | Uma Razão para Viver – Uma estreia pouco promissora

Uma Razão Para Viver poderia facilmente ir pela via mais fácil: a da completa melosidade. No cinema, doenças terminais ou fisicamente violentas costumam exigir, pela sua própria natureza trágica, uma abordagem dramaticamente densa. Evidentemente, não há problema algum em trilhar esse caminho, ao contrário do que a sensibilidade contemporânea afirma rotineiramente. O melodrama sempre foi um recurso válido e imensamente poderoso, quando empregado corretamente. Todavia, é inegável que abordar enfermidades usando esse tipo de tratamento narrativo se tornou, ao longo dos últimos anos, um lugar-comum, não só pela repetição narrativa, como também pelo lançamento de um número considerável de obras similares.

Sendo assim, Andy Serkis, em seu longa-metragem de estreia como diretor, mostrou ter dentro de si a fagulha da inquietude, presente em alguns cineastas debutantes. Ao olhar para a triste história de Robin Cavendish (Andrew Garfield), um explorador inglês que passou a maior parte da vida preso a uma cama, de uma maneira delicada e bem-humorada, ele subverteu a lógica estabelecida recentemente pelas produções dessa natureza e entregou uma obra de tom distinto. Obviamente, há momentos melodramáticos -, os minutos derradeiros, em que três finais se atropelam, são os mais sintomáticos -, mas a chave na qual a narrativa opera, na maior parte do tempo, se afasta razoavelmente disso.

No entanto, todas as outras escolhas de Serkis como diretor são equivocadas e/ou corriqueiras, a começar pela decupagem excessivamente fragmentada, a qual revela uma extrema falta de discernimento narrativo e imagético (quando o conteúdo não é atingido, a imagem é interrompida abruptamente, como a cena que se passa na África e na qual a atmosfera crepuscular, obtida pelo uso corretíssimo de uma grua, é quebrada por um corte indevido). A isso se segue o emprego de perfumarias estilísticas, como a substituição de um diálogo diegético por um recorte em off de algumas falas separadas, e momentos exemplarmente cafonas – a câmera lenta no momento em que o protagonista descobre a doença. 

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Até as atuações são surpreendentemente irregulares. Era de se esperar que Serkis, um ator magistral, conseguisse extrair do talentoso elenco performances sólidas e que Andrew Garfield, depois de brilhar em Até o Último Homem e Silêncio, mantivesse o nível atingido recentemente, mas todas são apenas corretas (com um destaque negativo para as poucas variações de Garfield) e a melhor delas, a composição de atriz Claire Foy, que interpreta a corajosa, persistente e carinhosa esposa de Robin, demora para se estabelecer. Até o instante em que a sua personagem descobre a doença do marido e se transforma em uma outra pessoa, Claire tem dificuldades para oferecer vislumbres da forte personalidade de Diana.

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Juntos, esses aspectos, os quais também estão a serviço de um roteiro que, como tantos outros, busca condensar décadas de existência em uma narrativa de duas horas, acabam por produzir uma obra problemática, a ponto de a abordagem diferente de um tema comumente manipulativo se diluir consideravelmente e entrar várias vezes em choque com as convenções estilísticas e técnicas usadas pelos realizadores. No fim, trata-se de uma obra esquizofrênica, em que a originalidade é sabotada pelo conforto da narrativa mais comum.

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Uma Razão para Viver (Breathe, EUA e Inglaterra – 2017)

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Direção: Andy Serkis
Roteiro: William Nicholson
Elenco: Andrew Garfield, Claire Foy, Hugh Bonneville, Ed Speleers, Tom Hollander, David Butler, Miranda Raison
Gênero: Drama, Romance
Duração: 118 min

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Tags: #Andrew Garfield #Andy Serkis #Até o Último Homem #Cinema #Claire Foy #crítica #Filme #Silêncio
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