Cinema

Diversão garantida com satanismo e duas irlandesas encrenqueiras em Casamento Sangrento: A Viúva

Casamento Sangrento: A Viúva é uma sessão de cinema descompromissada e divertida, que sabe lidar bem com os lugares-comuns que visita.

Daniel Moreno
Daniel Moreno Redação
4 min de leitura
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Casamento Sangrento: A Viúva é uma continuação que, embora modifique um pouco a abordagem em relação ao filme original, tem tudo para agradar o espectador que procura uma diversão ligeira que lança mão de variados elementos em seu conjunto caótico, barulhento e eletrificado. Ele expande o universo criado pelos roteiristas Guy Busick e R.Christopher Murphy em direção a uma comédia de ação onde as reviravoltas e lutas se sobrepõem ao suspense. A direção deixa que a ação predomine sobre a tensão, mas a química entre as protagonistas e a elaboração caprichada de algumas sequências compensa essa opção.

No primeiro filme, o espectador era introduzido a um conjunto de regras ainda desconhecido, o que fazia o mistério prevalecer. Na continuação, tais regras estão explicitadas muito rapidamente, e então o filme parece livre para se nutrir de suas referências algo escancaradas, como as franquias John Wick e Kingsman, com uma pitada inevitável de Guy Ritchie. Estão aqui os indefectíveis psicopatas sarcásticos, as tiradas espertas e o clima habitual levemente cartunesco que faz com que a audiência aceite melhor os assassinatos e a violência gráfica. 

A despeito de o material com o que o filme trabalha esteja longe de ser novidade, ele consegue equilibrar bem os componentes algo repetidos desse tipo de cinema de ação contemporâneo, cujo suporte é a superficialidade e o caráter quase farsesco da encenação. Talvez o maior diferencial de Casamento Sangrento: A Viúva esteja não em suas partes que reafirmam uma fórmula, mas na porção de cada um deles: um pouco de conspiração, um pouco de satanismo, um pouco de gore, um pouco de slasher, um pouco de final girl, e assim por diante. Nada é exagerado, tampouco fraco a ponto de passar despercebido. Nesse sentido, o filme da dupla Matt Bertinelli-Olpin e Tyler Gillett respeita a inteligência de seu público, reconhecendo que o terreno é conhecido, que as situações ecoam outros filmes e a atenção está em uma receita levemente renovada de um prato tradicional.

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Na trama, após sobreviver ao massacre do primeiro filme, a ex-noiva Grace MacCaullay (Samara Weaving) vira suspeita pelas mortes da família de seu noivo pervertido. Ela tem uma relação mal resolvida com a irmã Faith (Kathryn Newton), a qual logo que reaparece é envolvida em uma nova desventura, porque Grace será caçada outras vez – agora, por diferentes famílias de satanistas milionários em disputa pelo trono momentaneamente vago. Há poucas explicação porque a lógica é de história em quadrinhos: os violões são aqueles, a noiva e sua irmã precisam escapar, mas há reviravoltas suficientemente “originais” dentro do próprio universo para que o espectador seja novamente capturado num turbilhão de cenas de perseguição e luta, com destaque para a sequência lindamente editada e tornada nostálgica pela incrível canção da galesa Bonnie Tyler, “Total Eclipse of the Heart”.

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Enquanto os vilões do filme variam em caricaturas étnicas (latinos, chineses, indianos), num grupo que remete a uma versão bizarra e superficial dos personagens de Succession (cheios de laços familiares disfuncionais e rivalidades internas), o destaque fica para a dupla de irmã loiras, irlandesas e encrenqueiras: elas têm carisma e graça suficientes para segurar o filme, que inteligentemente não se alonga, chega ao ápice e finaliza numa nota alta. Outro destaque é a presença elegante e discretamente debochada de Elijah Wood como um advogado do mal. O ator parece “pairar” sobre o besteirol do filme como Orson Welles costumava fazer quando era ator em produções que usavam seu nome para ganhar algum prestígio. Wood não tem o peso de Welles, mas será eternamente lembrado por O Senhor dos Anéis e é sempre interessante vê-lo assumindo outras personas que contrastam com aquela assumida na trilogia de Tolkien. Ademais, ele é ótimo ator, tem verve e seus momentos são pontos altos do filme.

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Casamento Sangrento: A Viúva é uma sessão de cinema descompromissada e divertida, que sabe lidar bem com os lugares-comuns que visita. Modesto na metragem e generoso na graça do trio de atores que lhe dá sustentação. Não é um banquete cinematográfico, mas parece um bom buffet de casamento em que você come de tudo e não vai para casa com fome.

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