EA obtém aprovação final e conclui venda de US$ 55 bilhões para consórcio saudita
EA obtém aprovação final para venda de US$ 55 bilhões a consórcio liderado pelo fundo soberano da Arábia Saudita.
A Electronic Arts confirmou ter obtido todas as aprovações regulatórias necessárias para concluir sua venda a um consórcio de investidores liderado pelo fundo soberano da Arábia Saudita. Segundo documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) nesta quinta-feira (31), a fusão deve se concretizar já na próxima semana, em 4 de agosto.
O negócio, avaliado em US$ 55 bilhões, foi anunciado pela primeira vez em setembro de 2025 e representa a maior aquisição alavancada da história, modalidade em que a maior parte do custo é coberta por dinheiro emprestado, usando os próprios ativos e fluxo de caixa futuro da empresa comprada como garantia do pagamento.
Quem fica com o controle da EA
Com a conclusão do negócio, a EA deixa de ser uma companhia de capital aberto pela primeira vez desde que estreou na bolsa Nasdaq, em março de 1990, há 36 anos. O controle passa a um consórcio formado pelo Fundo de Investimento Público saudita (PIF), pela gestora americana Silver Lake e pela Affinity Partners, empresa de investimentos fundada por Jared Kushner, genro do presidente americano Donald Trump.
Segundo documentação anterior do próprio negócio, o PIF ficará com 93,4% da EA, a Silver Lake com 5,5%, e a Affinity Partners com o restante, 1,1%. Andrew Wilson segue no comando da empresa como CEO, mesmo com a mudança completa na estrutura de controle acionário.
O contexto por trás da presença saudita nos games
O PIF é o fundo soberano da Arábia Saudita e figura central na estratégia do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman de reduzir a dependência econômica do país em relação ao petróleo. O fundo já mantém participação bilionária em outras empresas do setor de games, incluindo a Take-Two Interactive, além de deter o controle da desenvolvedora japonesa SNK.
Autoridades sauditas costumam descrever esses investimentos como parte de um esforço de modernização do país. A movimentação, porém, segue acompanhada de críticas ligadas ao histórico de direitos humanos da Arábia Saudita, incluindo o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi em 2018, atribuído pela inteligência americana ao próprio príncipe herdeiro, além de restrições legais significativas contra ativistas e pessoas LGBTQIA+ no país, segundo relatórios da Anistia Internacional.
A resposta pública de um estúdio da EA
A preocupação com esse cenário levou a Maxis, estúdio da EA responsável pela franquia The Sims, conhecida pela diversidade e inclusão presentes em seus jogos, a se manifestar publicamente ainda em janeiro, garantindo que os valores da equipe permaneceriam inalterados independentemente da mudança de controle acionário. “Desde o primeiro dia, nossos valores foram a base por trás de cada escolha que fizemos. Eles guiaram cada risco que assumimos, cada recurso que criamos”, escreveu o estúdio na ocasião.