É normal, após terminar de assistir Neon Genesis Evangelion na Netflix, ficar com aquela dúvida em relação a todos os acontecimentos que levaram ao final do anime. Este artigo tem como finalidade explicar seu emblemático final e do filme The End of Evangelion.

É estranho, mas Evangelion tem dois finais e tanto a série quanto o filme estão na Netflix. O primeiro final é da série de TV Neon Genesis Evangelion que termina nos episódios 25 e 26 e que foi transmitida no ano de 1996. Em 1997 foi ao ar o filme The End of Evangelion, e entre estas duas produções teve outro filme chamado Death and Rebirth e que também está disponível na Netflix com o título de Death (True). Não é necessário assistir a este último para entender este artigo, pois este OVA serve apenas para relembrar fatos da série de TV com o acréscimo de imagens novas que serviam de ponte entre os finais da série e do filme.

Spoilers

O Final Apocalíptico

Começando pelo final do anime Neon Genesis Evangelion. No final do episódio 24, Shinji acaba por matar Kaworu, personagem que havia sido declarado como sendo o último anjo. Isso feito para que se junte a Lilith, e assim destruindo com a humanidade e deixando os Anjos como a forma de vida dominante no planeta Terra. Kaworu então acaba por entregar sua vida em prol da humanidade. Na realidade isso ocorre para que Shinji continue adiante. Após o sumiço dos anjos, o pai de Shinji e SEELE colocam em prática um projeto que servirá para unir todos os seres humanos em apenas uma consciência só.

O projeto conhecido pelo nome de Instrumentalidade (que irá criar a consciência compartilhada) é o objetivo dos dois lados, mas com idéias diferentes para seu uso. SEELE quer que essa fusão seja algo permanente. Os integrantes do SEELE participam do culto da morte, em que acreditam que a humanidade não tem nenhuma condição de sobreviver do jeito que está e para isso precisam se tornar um ser superior.

Já Gendo (pai de Shinji) em contrapartida está trabalhando em um plano que sem saber é algo que sua falecida esposa Yui queria. A ideia de Gendo é utilizar o EVA Unit 01 para usar de forma que desse a oportunidade de todos se curarem de seus traumas, e também de ter suas individualidades de volta. Isso não é algo implícito na série, mas é algo que ocorre de forma explicita em The End of Evangelion e que na série de TV acontece antes do episódio final.

O que será descrito agora não fica tão evidente na série de TV. O episódio 25 já se inicia com Shinji tendo o processo de instrumentalidade já em andamento. O que é mostrado, em relação ao corpo de Misato tendo o mesmo ferimento a bala de Asuka, é de se presumir que o acontecimento mostrado no filme também está ocorrendo no fim do episódio 24 com o início do 25 da série, que não se importa muito em abordar a ideia do cosmo e o apocalipse e sim em trabalhar melhor os sentimentos dos personagens.

A SEELE cria um plano de tomar a Unidade 01 e realiza um ataque contra à NERV, matando grande parte dos funcionários. Misato é ferida, e antes de ser atingida fala com Shinji sobre relação entre os anjos e todos da raça humana serem descendentes de Lilith, e que cada anjo seria uma espécie de versão diferente do que seria a raça humana caso tivesse se evoluído. Desta forma, a humanidade estaria tentando se unir com Lilith e assim ascender a outra forma, que seria a instrumentalidade. Misato pede para Shinji não deixar que isso aconteça, mas o EVA 01 não sai do lugar.

No porão da NERV Rei suga o embrião de Adam – a criatura encontrada pela SEELE na Antártica e que foi criada pela Primeira Raça Ancestral – mas não admiti Gendo como condutor do apocalipse. Como sabemos REI é um clone criada com os DNAs de Lilith e Yui, e por isso consegue se unir com a máscara bizarra de Lilith e assim se tornar uma REI gigantesca e aterrorizante. Ao conseguir este feito Rei vai à procura de Shinji que entrou no EVA 01.

Shinji fica assustado ao ver o EVA de Asuka destroçado, fica imponente e sem reação e desta forma não consegue impedir o EVA de se unificar com Lilith (Rei gigante). Rei-Lilith surge para todos como uma pessoa, enquanto Shinji é Kaworu, Maya é Ritsuko e Hyuuga é Misato e assim sucessivamente, com exceção de Gendo. Tais fatos são apresentados até a metade do filme, mais ou menos, e nos leva até o início do episódio 25 da série de TV.

É um final bastante confuso, mas que tem sua beleza em um apocalipse cheio de simbologia. O fim de Evangelion pode ser interpretado deixando a narrativa de lado e pensar em tudo como uma grande metáfora do armageddon. Pensando no fim do mundo como resultante de doenças mentais como depressão e ansiedade. Muitos fãs acabam por interpretar, levando em conta o fim de End of Evangelion, como sendo um universo diferente do apresentado na série de TV em relação a instrumentalidade, com cada rumo diferente que Shinji poderia ter seguido. Essa ideia de multiverso é uma teoria bastante conhecida e aceitável entre o público e até que faz sentido e serve para explicar como dois finais diferentes podem existir dentro da mesma história. 

Conclusão

É estranho o que será dito a seguir, mas na realidade Evangelion não tem um jeito considerado certo de se entender seu final. Isso pode estar relacionado a sua produção problemática, tendo alguns elementos da história mudado de caminho durante a trama, algo que explica, de alguma forma, a confusão da estrutura narrativa. A série teve dois finais diferentes, fora os vários diálogos entre personagens que davam margens a diversas interpretações. Portanto, querer entender o final de forma direta e racional é uma tarefa bastante ardilosa e complicada.

Pode-se dizer que Evangelion é uma espécie de Lost, em que as pessoas interpretaram a sua maneira o final. E talvez seja isso que deixa a produção mais fascinante em se assistir, pois a emoção e os vários rumos que os personagens tomam ajudam nessa tarefa de assistir e se deliciar com este grandioso anime.

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