Ex-BioWare diz que EA pode vender Mass Effect e Dragon Age ou enterrar as franquias para sempre
Mass Effect e Dragon Age ficaram sem nenhum time na EA após o fim da BioWare, alerta Mark Darrah, veterano de 20 anos do estúdio.
Com a BioWare fechada, Mass Effect e Dragon Age viraram órfãs dentro da própria casa. Quem resume a situação é Mark Darrah, que passou mais de 20 anos no estúdio canadense e foi codiretor de Dragon Age: Origins. Num vídeo publicado em seu canal no YouTube, ele avalia que hoje não existe ninguém na Electronic Arts trabalhando em jogos das duas séries, e que provavelmente nunca vai existir.
A partir daí, segundo ele, o futuro das marcas pode seguir dois caminhos opostos.
Leilão ou cofre
O primeiro é a venda. Sem um time para desenvolver os jogos, a EA teria mais motivos para negociar as propriedades intelectuais com outra empresa. O segundo é o esquecimento. Darrah lembra que a editora também pode simplesmente trancar as franquias no cofre e fingir que elas nunca existiram.
O veterano não aposta em nenhuma das hipóteses. E há bons argumentos para os dois lados. Nem sempre grandes corporações enxergam o valor afetivo de uma marca, por mais amada que ela seja pelos fãs.
A dívida pesa na decisão
O dinheiro entra na conta. A EA foi comprada por um grupo liderado pelo fundo soberano da Arábia Saudita, numa operação de US$ 55 bilhões que deixou a empresa com uma dívida bilionária e juros de cerca de US$ 1,8 bilhão por ano. Vender Mass Effect, Dragon Age e até a esquecida Jade Empire poderia render dinheiro rápido.
Por outro lado, negociar marcas desse porte exige tempo, energia e atenção de executivos que, neste momento, parecem focados em esportes, Battlefield, Apex Legends e Star Wars. A empresa pode preferir não gastar mais um centavo pensando na BioWare.
Dez anos difíceis
O histórico recente também não ajuda a valorizar as marcas. Mass Effect: Andromeda, de 2017, dividiu o público. Anthem, de 2019, nunca encontrou seus jogadores e teve os servidores desligados. Dragon Age: The Veilguard, lançado em 2024, ficou abaixo das expectativas comerciais da própria EA.
Para quem cresceu com a trilogia de Shepard ou com as aventuras em Thedas, a sensação é de um ciclo encerrado. A única ponta solta é a série de Mass Effect em desenvolvimento no Prime Video, que, segundo relatos, segue viva mesmo sem o estúdio que criou o universo.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
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