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Hideki Sato, ex-presidente da Sega e criador do Mega Drive e Dreamcast, morre aos 77 anos

Hideki Sato, engenheiro responsável pela criação do Master System, Mega Drive, Saturn e Dreamcast, e ex-presidente da Sega, faleceu

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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A indústria dos videogames se despede de uma de suas mentes mais brilhantes e influentes. Hideki Sato, o designer responsável por arquitetar praticamente todos os consoles da Sega e ex-presidente da companhia, faleceu neste fim de semana aos 77 anos, segundo informações divulgadas pelo portal japonês Beep21.

Sato e sua equipe de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) foram os grandes responsáveis por moldar gerações de jogadores, criando o hardware de fliperamas e consoles de mesa icônicos que definiram a marca, incluindo o Master System, o Mega Drive (Genesis), o Sega Saturn e o saudoso Dreamcast. O engenheiro ingressou na Sega em 1971, chegou a atuar como presidente da empresa em um período turbulento entre 2001 e 2003, e deixou a companhia definitivamente em 2008.

A influência dos fliperamas e o fenômeno Mega Drive

O desenvolvimento de hardware doméstico da Sega sempre caminhou de mãos dadas com seu domínio nos arcades. Em entrevistas passadas à revista Famitsu, Sato explicou que essa transição começou de forma cautelosa com o SC-3000, uma máquina de 8 bits voltada para iniciantes. Como a Sega era focada exclusivamente em fliperamas, a equipe não tinha ideia de quantas unidades conseguiria vender.

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O grande salto, no entanto, veio com o Mega Drive, que se tornaria o console de maior sucesso comercial da empresa. Sato relembrou que a ambição nasceu da vontade de levar a excelência gráfica dos arcades, que já utilizavam CPUs de 16 bits, para a sala de estar.

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“Naturalmente, isso nos fez pensar: e se usássemos essa tecnologia em um console doméstico?”, detalhou o engenheiro na ocasião. “Dois anos após iniciarmos o desenvolvimento, estava pronto: um console doméstico com CPU de 16 bits, o Megadrive. O chip 68000 também havia caído de preço recentemente, então o momento era o certo.”

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Dreamcast e as “guerras dos bits”

Sobre o Dreamcast, o console pioneiro que infelizmente marcou o fim da trajetória da Sega na fabricação de hardware, Sato destacou que a visão da equipe era pautada em “jogo e comunicação”. Muito à frente de seu tempo, o aparelho incluiu um modem e os clássicos cartões de memória com tela (VMUs) para promover a conexão direta entre os jogadores. Havia até mesmo planos de integração com telefones celulares, que não puderam ser totalmente realizados na época.

O engenheiro também compartilhou, com bastante franqueza e bom humor, os bastidores do marketing agressivo nos anos 90. O mercado exigia números cada vez maiores, forçando a empresa a entrar no que ele chamou de absurda “guerra dos bits”.

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“Os consumidores estavam acostumados com as violentas ‘guerras dos bits’, então, mesmo sabendo que era um monte de bobagem, precisávamos atraí-los nesses termos com o Dreamcast. E assim o comercializamos como tendo uma ‘CPU RISC de motor gráfico de 128 bits’, mesmo que o SH-4 fosse de apenas 64 bits (risos). Por outro lado, personalizamos extensivamente o SH-4 original para o Dreamcast, a ponto de eu achar que quase se poderia chamá-lo de algo novo.”

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