Inteligência artificial recria Val Kilmer em novo filme; veja os detalhes
O trailer de As Deep as the Grave revelou a imagem póstuma de Val Kilmer gerada por IA. Entenda como a família aprovou o projeto inédito.
A presença de Val Kilmer foi o grande destaque do trailer inédito de As Deep as the Grave, exibido nesta quarta-feira durante o painel da CinemaCon, em Las Vegas. O detalhe que roubou a cena, no entanto, é que a imagem do astro foi totalmente recriada usando inteligência artificial. O filme independente, escrito e dirigido por Coerte Voorhees, também conta com Abigail Lawrie, Tom Felton e Abigail Breslin no elenco principal.
A trama nos joga direto para a década de 1920 para acompanhar a jornada real dos arqueólogos Ann e Earl Morris, vividos por Lawrie e Felton, durante a escavação de restos mortais dos povos ancestrais Pueblo. Nessa história, a imagem de Kilmer dá vida ao Padre Fintan, um sacerdote católico com fortes laços com a espiritualidade nativo-americana. O impacto da tecnologia já fica bem claro na prévia, quando a versão digital do ator dispara o aviso para não temermos os mortos, nem a ele próprio.
O desejo de atuar e o sinal verde da família
O eterno astro de Top Gun e Batman Eternamente nos deixou em abril de 2025, aos 65 anos, após uma longa e dura batalha contra um câncer na garganta. Ele já estava escalado para a produção muito antes de falecer, mas o agravamento do seu quadro de saúde o impediu de ir para o set gravar suas cenas. Para não perder o envolvimento do ator, Voorhees decidiu criar a performance digitalmente, uma manobra que só aconteceu graças ao apoio total da filha do astro, Mercedes Kilmer.
A decisão passou longe de ser um mero capricho de estúdio. O diretor explicou que Kilmer havia embarcado no projeto há cinco anos e se identificou de imediato com a carga cultural do personagem. Ele queria muito ajudar a divulgar a trajetória fantástica de Ann Morris, considerada a primeira arqueóloga da América do Norte. Mercedes reforçou esse sentimento nos bastidores, lembrando que o pai sempre encarou as inovações tecnológicas com muito otimismo, enxergando a IA como uma ferramenta poderosa para expandir as fronteiras de como contamos histórias hoje em dia.
O lado espinhoso da tecnologia em Hollywood
Mesmo com a bênção da família e o tom de homenagem do projeto, o lançamento reacende uma das discussões mais inflamadas da indústria audiovisual. O uso de inteligência artificial virou um campo minado em Hollywood, motivando até a criação de leis recentes que tentam proteger os direitos de imagem póstuma dos artistas.
A polêmica tem ficado cada vez mais intensa e gera calafrios em parte da classe artística. Basta lembrar das duras críticas que dominaram o setor recentemente por conta da criação da atriz digital Tilly Norwood, um caso que provocou o repúdio de vários membros da indústria e acionou o radar de alerta do SAG-AFTRA, o sindicato dos atores americanos. A recriação de Kilmer agora adiciona mais um capítulo importante nesse debate sobre os limites da arte digital.