A segunda iteração da franquia Animais Fantásticos acabou de estrear e, apesar de não ter feito o sucesso prometido entre a crítica e o próprio público, conseguiu trazer revelações e cliffhangers interessantes que podem auxiliar na fluidez e na complexidade dos próximos filmes. E um desses insights narrativos envolve um das figuras mais conhecidas do universo mágico: Alvo Dumbledore.

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Mas primeiro vamos dar nome às cartas do jogo: como bem nos recordamos, um dos personagens mais conturbados do longa-metragem, Credence (Ezra Miller), que também retorna para Os Crimes de Grindelwald em um arco inexplicavelmente reduzido, foi acolhido pelas cruéis e manipuladoras mãos de Mary Lou (Samantha Morton), uma trouxa reacionária aversa à presença dos bruxos nos mesmos círculos sociais que seus semelhantes. Sua conduta repreensível impediu que Credence aceitasse quem realmente é, obrigando-o a internalizar sua identidade mágica e transformando-o em uma criatura mortal e muito instável conhecida como Obscurus ou Obscurial. Eventualmente, essa censura compulsória culmina em um sentimento destrutivo de não-pertencimento e numa consecutiva jornada para descobrir quem de fato é.

É claro que em meio a tantos deslizes narrativos, essa incessante busca é colocada em segundo plano e ofuscada, numa infeliz decisão, por uma trama maior e mais desenvolvida, por assim dizer. Credence cruza caminho com a sedutora presença de Grindelwald (Johnny Depp), o qual lhe diz que só ele conhece a verdadeira história do garoto – e, além disso, repete inúmeras vezes que ele é o único que pode destruir o principal obstáculo em seu caminho, Alvo (Jude Law).

As informações são muitas e, dentro de um escopo fílmico marcado pela alta de foco e pela inconstância de um roteiro perdido e saturado, as múltiplas subtramas acabam se confundindo e exaurindo a audiência. Porém, se prestarmos atenção, é até interessante observar como esses pontos a priori opostos convergem em uma resolução convincente, mesmo que previsível pelas dicas dadas pela própria obra: como bem sabemos, a família Dumbledore é associada à presença da fênix, a qual se atrela a cada membro  do clã e é capaz também de encontrá-los até mesmo nos mais inóspitos lugares. Tal qual é a nossa surpresa quando, nos minutos finais, esse belíssimo animal surge com a presença de Credence, que na verdade é o irmão perdido de Alvo, Aurelius.

Sim, é isso mesmo: Credence Barebone, de alguma forma, foi tirado de sua família e consumado com uma nova identidade, até irromper na revelação que o torna mais conturbado do que já é. Inúmeras teorias podem partir daí, incluindo aquelas em relação à irmã do Grande Mago, Ariana Dumbledore. Em Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2, Aberforth, o outro irmão de Alvo, revela que a caçula recusava-se a usar magia após ser agredida e também se transformou em um Obscurus, o qual a corroeu por dentro e, no final das contas, acabou matando-a. Talvez o ser que a habitava tenha encontrado um novo hospedeiro, uma compatibilidade de sangue com Credence/Aurélio, mantendo o trágico legado.

O problema é que a insurgência de um irmão perdido poderia bagunçar muito a timeline e a própria história arquitetada por J.K. Rowling. Afinal, até mesmo os livros refutam a presença de um quarto irmão. Eliphas Dodge, amigo íntimo de Alvo, deu declarações sobre o futuro dos Dumbledore após a morte dos pais, Percival e Kendra. A adição de Aurélio, logo, deve ser tratada com uma cautela muito além do normal – ademais, nem mesmo os números fazem muito sentido, seja em relação às idades, seja em relação aos anos dos acontecimentos.

Considerando a mixórdia sem sentido do segundo longa-metragem, essas informações adicionais podem complicar ainda mais as coisas. E ninguém iria gostar disso.

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