Cinema

Jesse Eisenberg diz que Framboesa de Ouro por Batman vs Superman o afastou dos grandes estúdios

Jesse Eisenberg conta que o prêmio de pior coadjuvante pelo Lex Luthor o levou a escrever e dirigir, carreira que lhe rendeu indicação ao Oscar.

Matheus Fragata
Matheus Fragata 3 min de leitura

A Framboesa de Ouro nasceu como piada, um prêmio paródia entregue na véspera do Oscar aos piores filmes e atuações do ano. Para Jesse Eisenberg, a brincadeira saiu cara. O ator contou que, depois de ser “premiado” pelo Lex Luthor de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, deixou de conseguir papéis em filmes de grandes estúdios.

A revelação veio durante uma conversa com o público no Festival de Cinema de Londres, organizado pelo BFI. Eisenberg estava na cidade para a sessão de encerramento do evento, neste domingo (18), com The Debut, comédia musical que escreveu, dirigiu e estrela ao lado de Julianne Moore e Paul Giamatti.

O medo como motor da carreira

Segundo Eisenberg, a mudança de rumo veio do medo. Depois da Framboesa de Ouro de pior ator coadjuvante, em 2017, ele percebeu para onde a carreira estava indo. A saída foi começar a escrever e dirigir, basicamente para se manter de pé na profissão.

O ator descreveu a atuação como uma indústria instável e cruel, sem meio-termo. Para ele, ou você está subindo na esteira, ou já virou notícia velha. E, sendo uma pessoa paranoica, disse que enxergou o problema muito antes de ele acontecer.

“A indústria diz o que quer de você”

A lição que Eisenberg tirou da experiência foi clara: não fazer mais filmes de super-herói. Segundo ele, o mercado deixou evidente que não o queria nesse tipo de produção. Insistir, na visão do ator, seria coisa de quem não entende os recados que recebe.

Batman vs Superman teve uma estreia mundial gigante, de mais de US$ 420 milhões, mas foi massacrado pela crítica. O filme de Zack Snyder levou quatro Framboesas de Ouro, incluindo pior roteiro e pior dupla em cena, para Ben Affleck e Henry Cavill. Eisenberg já tinha dito antes que a recepção ruim prejudicou sua carreira.

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O Zuckerberg que ele não quis repetir

Se o Lex Luthor afastou os estúdios, outro papel continua sendo cobiçado. Eisenberg foi indicado ao Oscar de melhor ator por viver Mark Zuckerberg em A Rede Social, de David Fincher, em 2010. Mesmo assim, recusou voltar ao personagem em O Outro Lado das Redes, nova produção escrita e dirigida por Aaron Sorkin, lançada nos Estados Unidos em 9 de outubro.

Em Londres, o ator não explicou a recusa. Disse apenas que o novo filme, apresentado como uma obra complementar ao original, é bem diferente.

Emma Stone levou Kieran Culkin pela mão

A virada para a direção deu certo. A Verdadeira Dor, de 2024, rendeu a Eisenberg uma indicação ao Oscar de roteiro original e deu a Kieran Culkin a estatueta de ator coadjuvante. Mas os bastidores quase tiveram outro rumo.

Eisenberg contou que a equipe não sabia se Culkin apareceria na Polônia, onde o filme foi rodado. Emma Stone, produtora do longa, embarcou com ele pessoalmente e mandou um vídeo do ator passando pela imigração. Mesmo assim, Culkin chegou atrasado ao set. Recém-saído de Succession, ele ainda pediu um estilo de filmagem mais espontâneo, e o diretor decidiu seguir o ator, já que ele era o motor da história.

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