John Goodman diz que repercussão negativa matou Digger antes mesmo da estreia
Digger custou mais de US$ 160 milhões e pode dar prejuízo de US$ 250 milhões à Warner. Veja o que disse John Goodman.
John Goodman tem 74 anos e mais de quatro décadas de carreira. Ainda assim, admite que as críticas a Digger doeram. Em entrevista ao podcast Happy Sad Confused, o ator falou pela primeira vez sobre o fracasso do filme de Alejandro G. Iñárritu e apontou um culpado: o falatório negativo que cercou o longa meses antes de ele chegar aos cinemas.
Para Goodman, as manchetes que previam um desastre deram ao público o pretexto perfeito para ficar em casa. Ele resume o efeito numa frase curta: matou a gente antes mesmo da estreia. Mesmo assim, diz ter orgulho do trabalho, garante que se divertiu durante os seis meses de filmagem e aposta que o filme ainda vai durar muito tempo.
Os números de um desastre
O tamanho do tombo impressiona. Digger custou mais de US$ 160 milhões, estreou com apenas US$ 15 milhões nos Estados Unidos e, depois de um mês em cartaz, ainda não chegou a US$ 50 milhões no mundo todo. No Brasil, o filme entrou em cartaz em 1º de outubro.
Segundo estimativas do mercado, o longa precisaria de cerca de US$ 350 milhões só para empatar. Com a bilheteria atual, deve gerar um prejuízo de aproximadamente US$ 250 milhões para a Warner Bros. nos cinemas, o que o coloca entre os fracassos mais caros da história de Hollywood. A crítica também se dividiu, com 53% de aprovação no Rotten Tomatoes.
A sátira que ninguém foi ver
Primeira parceria entre Iñárritu e Tom Cruise, Digger é uma comédia ácida sobre o fim do mundo. Cruise vive Digger Rockwell, um magnata do petróleo de visual irreconhecível, com barriga, cabelos brancos e sotaque sulista. Quando uma de suas operações no gelo polar dá errado, blocos gigantes de gelo passam a ameaçar a Europa.
Goodman interpreta o presidente dos Estados Unidos, Compson, um político que liberou a exploração de petróleo e agora tenta fugir da culpa. O elenco ainda reúne Sandra Hüller, Riz Ahmed, Jesse Plemons, Michael Stuhlbarg e Emma D’Arcy.
Orgulho ferido, mas sem arrependimento
Perguntado se ainda se importa com a opinião de críticos e plateias, Goodman foi sincero. Disse que sim, mais do que antes, e brincou que talvez esteja ficando velho e sensível demais para levar pancada. Depois de tanto empenho no projeto, a recepção pesou. Agora, garante, já superou.
O ator também encontrou consolo na própria filmografia. Lembrou que tudo o que fez com os irmãos Coen fracassou de início e, mesmo assim, até hoje é parado na rua por fãs de Barton Fink: Delírios de Hollywood e O Grande Lebowski. Este último, aliás, rendeu pouco nas bilheterias em 1998 e só depois virou objeto de culto.
Hollywood sai em defesa
Goodman não está sozinho. Diversos nomes da indústria saíram em defesa de Cruise e do filme. O músico Neil Young escreveu em seu site que Digger é o melhor filme que já viu, e Mandy Patinkin chamou o longa de clássico instantâneo. Anne Hathaway e Jane Fonda também elogiaram publicamente o trabalho.
O discurso mais duro veio de Ben Affleck, no mesmo podcast, no mês passado. Ele criticou a euforia em torno do fracasso e lembrou que se trata de um filme ambicioso, feito por gente talentosa. Para o ator, punir obras que arriscam só leva a um cinema cada vez mais pasteurizado, já que ninguém faz algo interessante sem correr o risco de errar feio.
Editor-geral do Bastidores, formado em Cinema.
Apaixonado por histórias que transformam.
Contato: matheus@nosbastidores.com.br
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