Leonardo DiCaprio questiona futuro do cinema e critica uso de Inteligência Artificial na arte
DiCaprio teme que cinemas virem nicho como "clubes de jazz" e afirma que arte feita por IA não tem humanidade.
O vencedor do Oscar Leonardo DiCaprio expressou preocupação genuína com o futuro das exibições cinematográficas em uma recente entrevista ao The Times of London. O astro de Titanic questionou se o público ainda mantém o “apetite” pelas salas de cinema ou se elas estão fadadas a se tornarem “silos”, comparáveis a clubes de jazz — locais de nicho frequentados apenas por um público específico e reduzido. Ele observou que a indústria passa por uma transição veloz e preocupante, onde documentários já desapareceram das grandes telas e dramas recebem janelas de exibição cada vez mais curtas, pois o público prefere aguardar o lançamento em plataformas de streaming.
Apesar do cenário incerto e da mudança de comportamento da audiência, DiCaprio reforçou sua esperança de que cineastas visionários ainda tenham oportunidades de apresentar trabalhos únicos na tela grande no futuro.
Para ele, a experiência coletiva e a magnitude do cinema ainda são insubstituíveis, mas a viabilidade comercial desse modelo para filmes que não sejam grandes franquias “arrasa-quarteirão” permanece uma incógnita que precisa ser observada com atenção.
Críticas à Inteligência Artificial e defesa da integridade artística
Além da crise das salas de exibição, o ator também se posicionou firmemente contra a ascensão da Inteligência Artificial na arte durante uma conversa com a revista Time. Para DiCaprio, a tecnologia é incapaz de replicar a humanidade necessária para que algo seja considerado artisticamente autêntico. Ele reconhece que a IA pode servir como uma ferramenta de aprimoramento para jovens cineastas criarem visuais inéditos, mas insiste que a essência da arte deve provir do ser humano.
Para ilustrar seu ponto, o ator citou os populares “mashups” musicais gerados por IA, que misturam vozes de artistas como Michael Jackson e The Weeknd ou recriam clássicos com timbres diferentes. Embora admita que essas criações possam parecer brilhantes ou divertidas momentaneamente, ele argumenta que elas têm apenas “15 minutos de fama” antes de se dissiparem no “lixo da internet”.
Segundo DiCaprio, essas obras carecem de uma âncora emocional e da alma humana, o que as impede de perdurar ou de serem consideradas arte verdadeira, independentemente de quão impressionante seja a tecnologia por trás delas.