Mãe de Eliza Samudio recebe pertences da filha 15 anos após o crime e desabafa
Sônia Moura, mãe de Eliza Samudio, recebeu os pertences da filha 15 anos após o crime. "A dor continua tão intensa, tão crua", desabafou.
Quinze anos após o assassinato brutal de sua filha, Eliza Samudio, Sônia Fátima Moura recebeu nesta quinta-feira (17) os pertences que estavam com a jovem quando ela foi morta. Os objetos, que permaneceram sob a custódia da Justiça durante toda a investigação, foram entregues à mãe, que fez um desabafo comovente sobre a dor que sentiu ao reviver a perda.
Em uma publicação em seu perfil no Instagram, Sônia mostrou os itens recuperados: um par de sandálias, um óculos de sol e uma carteira que ainda continha a foto de seu neto, Bruninho, hoje com 15 anos, quando ele ainda era um bebê. “Depois de 15 anos de espera, na esperança de encontrar seus restos mortais, o que a Justiça me devolveu foram esses objetos da Eliza”, escreveu.
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Uma publicação compartilhada por Sonia Fatima Moura (@soniafatimaa2018)
“Um pedaço seu, um pedaço de mim”
Para Sônia, receber os pertences da filha foi como voltar no tempo. “Ter esses itens em minhas mãos é como se o tempo não tivesse passado. A dor continua tão intensa, tão crua”, desabafou. “Esses objetos são como um pedaço seu. Um pedaço de mim. É difícil acreditar que você se foi há tanto tempo, e de uma forma tão cruel e covarde”.
Em seu texto, ela refletiu sobre a convivência com o luto. “A dor da partida de quem amamos é uma ferida que nunca fecha completamente. […] A saudade é uma presença constante, uma sombra que me acompanha em cada passo meu. Mas foi nessa dor que encontrei forças para seguir”, completou.
O medo de reviver a dor
A entrega dos objetos já era um momento temido por Sônia. Na semana passada, em entrevista a um portal de notícias, ela havia confessado que não sabia como iria reagir. Ela contou que já havia recebido o computador de Eliza, mas que não teve coragem de ligá-lo. “Tem muita conversa, tem muitas fotos, conversas de amigas… Se eu mesma for abrir, meu psicológico não está muito preparado pra isso”, disse na ocasião.
A decisão da Justiça de liberar os itens foi tomada no ano passado, mas somente agora os objetos, que estavam no carro do ex-goleiro Bruno Fernandes, mandante do crime, foram encontrados e enviados à família.
Quinze anos de um crime bárbaro
Eliza Samudio foi assassinada em 2010, aos 25 anos. Seu corpo nunca foi encontrado. O ex-goleiro do Flamengo, Bruno, com quem ela teve um filho, foi condenado, junto com outros envolvidos, por sequestro, cárcere privado e homicídio triplamente qualificado.
O filho do casal, Bruninho, foi criado pela avó, Sônia, e hoje, aos 15 anos, segue uma promissora carreira como goleiro nas categorias de base do Botafogo, no Rio de Janeiro. A entrega dos pertences de Eliza, após 15 anos, marca mais um capítulo doloroso em uma história que chocou o Brasil e que, para a mãe da vítima, é uma ferida que permanece aberta.