Martin Scorsese se torna conselheiro de startup de IA e usa tecnologia para criar storyboards
Martin Scorsese anuncia parceria com a startup de IA Black Forest Labs e revela uso da tecnologia para storyboards em novo filme.
Martin Scorsese, um dos diretores mais respeitados da história do cinema, anunciou nesta segunda-feira sua parceria com a Black Forest Labs, startup alemã especializada em geração de imagens por inteligência artificial. O cineasta de Os Bons Companheiros e Touro Indomável assinou como conselheiro da empresa e revelou ter usado o modelo generativo FLUX da companhia durante a pré-produção de seu próximo filme, What Happens at Night, thriller sobrenatural protagonizado por Leonardo DiCaprio.
No vídeo que acompanhou o anúncio, gravado em seu escritório em Nova York, Scorsese, de 83 anos, usou a ferramenta ao vivo para trabalhar em storyboards e discutiu como a tecnologia pode ajudar a comunicar sua visão para a equipe criativa de forma mais rápida e precisa. A parceria foi intermediada por Rick Yorn, manager do diretor e co-fundador da BroadLight Capital, investidora da Black Forest Labs. Michael Ovitz, co-fundador da CAA e também investidor na empresa, também ajudou a selar o acordo.
A lógica de Scorsese para adotar a ferramenta
O diretor foi cuidadoso ao posicionar o uso da IA como uma ferramenta de comunicação criativa, não como substituta do processo artístico. “Há sempre esse problema: como você comunica o que vê na sua cabeça para o elenco e a equipe? Algumas coisas você precisa ver e sentir. Agora, com essa ferramenta, posso compartilhar o que estou visualizando de forma mais clara e eficiente com meu designer de produção, designer de arte e cinematógrafo para que eles possam construir sobre isso”, disse Scorsese no vídeo.
Ele também citou precedentes em sua própria carreira para contextualizar a adoção de novas tecnologias. Usou o 3D em Hugo e a tecnologia de rejuvenescimento digital em O Irlandês, e vê a IA generativa como mais um passo nessa direção. “O cinema é um meio jovem, com apenas cerca de 125 anos, então temos que estar abertos a como ele pode evoluir”, disse em comunicado publicado no site da Black Forest Labs.
Hollywood dividida entre entusiasmo e resistência
A adesão de Scorsese acontece em um momento em que a indústria segue profundamente dividida sobre o papel da IA no cinema. James Cameron integra o conselho da Stability AI. Peter Jackson declarou no Festival de Cannes no mês passado que não tem aversão à tecnologia, comparando-a a um efeito especial. O diretor Gareth Edwards, de Rogue One, disse na semana passada querer criar um filme híbrido com IA generativa.
Do outro lado, Guillermo Del Toro atacou duramente os que acreditam que “arte pode ser feita com um maldito aplicativo” e afirmou que preferiria morrer a usar IA generativa em seus filmes. A posição de Scorsese na cena certamente vai intensificar o debate, já que ele é historicamente um dos mais vocais defensores do cinema como forma de arte e um crítico regular das tendências que considera superficiais na indústria.
O próximo projeto do diretor
What Happens at Night está em pré-produção e é descrito como um thriller sobrenatural. Além de DiCaprio, o elenco ainda não foi completamente revelado. A parceria com a Black Forest Labs, segundo o próprio Scorsese, ajudou a equipe a “se mover mais rápido sem sacrificar qualidade ou artesanato” durante essa fase do projeto.