Morre aos 71 anos Carlos Adão, o artista que transformou seu próprio nome em símbolo urbano
Carlos Adão, que espalhou seu nome em muros de SP, morreu de infarto em Taboão da Serra aos 71 anos.
Infarto interrompe a vida de uma das figuras mais reconhecíveis das ruas paulistas
Carlos Alberto Adão morreu neste sábado (8/8), aos 71 anos, em Taboão da Serra, na Grande São Paulo. A Secretaria da Saúde do município confirmou que o artista sofreu um infarto durante a manhã e chegou a ser levado a uma unidade de pronto atendimento da cidade, mas não resistiu.
Nascido em 1954 e criado no Butantã, na capital paulista, Adão enfrentava um câncer havia mais de dois anos, segundo pessoas próximas ouvidas pela imprensa local. A causa da morte, no entanto, foi atribuída ao infarto.
Uma assinatura que virou paisagem urbana
Antes de se tornar o “Carlos Adão” que milhares de paulistanos reconhecem em muros e fachadas, ele construiu uma trajetória de economista, tendo passado pelo setor bancário e pelo mercado imobiliário. A vocação como empresário, porém, nunca ofuscou o gosto por deixar sua marca literal pela cidade.
A intervenção começou de forma tímida ainda nos anos 1970, quando Adão passou a escrever o próprio nome em superfícies improvisadas pelo bairro. Ao longo das décadas seguintes, o traço evoluiu para o formato que o consagrou: letras verdes sobre um fundo preto, replicadas em muros de diferentes cidades da Região Metropolitana de São Paulo e também fora do estado.
Mais de 150 mil vezes pelas ruas
Em entrevista ao jornal O Taboanense, em 2023, Adão contou que já havia reproduzido a própria assinatura mais de 150 mil vezes. Ele descreveu o processo como um ritual quase artesanal, preparando primeiro o fundo preto para depois aplicar as letras verdes por cima.
A repetição incessante transformou uma escolha pessoal em fenômeno de cultura urbana. Quem circulava pela Grande São Paulo dificilmente deixava de notar aquelas duas palavras, o que rendeu ao artista tanto admiradores quanto críticos ao longo dos anos.
Uma tentativa frustrada na política
Adão também buscou espaço fora das artes plásticas. Ele disputou eleições para deputado estadual e federal, tendo Taboão da Serra como principal reduto eleitoral, mas nunca conseguiu se eleger para nenhum dos cargos.
Foi nas ruas, e não nas urnas, que o nome Carlos Adão ganhou projeção nacional. A persistência das intervenções acabou pesando mais na memória coletiva do que qualquer candidatura, consolidando-o como personagem popular muito além do universo político.
Uma vida também registrada no cinema
A trajetória do artista virou tema do documentário Os 3 Atos de Carlos Adão, lançado em 2018 sob direção de Diego Navarro e Francisco Franco. O filme acompanha a rotina de Adão e investiga as motivações por trás das pichações, além de explorar a construção do personagem que transitava entre arte, política, fama e anonimato.
Décadas depois de sua primeira intervenção improvisada, a assinatura “Carlos Adão” já fazia parte da identidade visual de diversas cidades paulistas. Aos 71 anos, ele deixa como legado uma das marcas mais reconhecíveis já espalhadas pelas ruas da Grande São Paulo.