O novo filme da Netflix, Caixa de Pássaros, de Susanne Bier e Sandra Bullock pode relembrar muito outro lançamento de 2018: Um Lugar Silencioso. Invertendo o barulho como a sentença de morte, uma força sobrenatural faz com que todos se suicidem no momento que alguém a olha diretamente.

Enquanto o filme constrói um primeiro ato eficiente em gerar tensão, deixa muito a dever em seu desenvolvimento e conclusão da narrativa. Oferecendo sempre exposições desnecessárias, o mistério nunca é parcialmente resolvido, apesar de algumas peças do quebra-cabeça serem oferecidas pontualmente ao longo da jornada tediosa.

Entretanto, se ficou frustrado pela completa carência que o filme oferece para seu mistério, fique tranquilo, pois tentarei explicar o que raio é o que os personagens veem quando se deparam com essa criatura disforme e onipresente.

Nas poucas explicações que o filme oferece, sabemos o funcionamento da coisa: viu, morreu. Entretanto, há outros detalhes interessantes das reações de algumas vítimas que conversam com entes queridos mortos há tempos em tom de saudade enquanto outros se deparam a um terror absoluto e desesperador.

Independentemente do que as vítimas veem, isso as motiva a se matarem. Seja pelo medo absoluto ou de uma saudade insuportável. Infelizmente, não há outros casos que saiam desse extremo.

Porém, as coisas ficam mais interessantes quando é revelado que os mentalmente instáveis não são afetados negativamente pelas criaturas, se tornando um verdadeiro perigo aos sobreviventes, já que os insanos formam um culto de adoração pelo bicho.

O que é possível entender, na base muito limitada que o filme oferece, é que os que sofrem de patologias psíquicas para de projetar as alucinações ou sentimentos negativos já que a realidade se torna o terror que eles viviam em suas próprias cabeças. Por isso que quando veem o ser, o admiram como algo belo e completamente natural. Eles encontram a normalidade de seu ser.

Em sua maioria, o filme trata de temas sobre imposição e confiança. No caso, a imposição vem através de diversas cenas de conflito entre os sobreviventes, com alguns tentando colocar suas vontades sobre a dos demais, buscando superioridade. Além disso, há a imposição do monstro que é tão poderosa a ponto de deixar qualquer um pronto para o suicídio.

Já a confiança seria justamente a força capaz de superar a imposição. Ela impera o sentimento de comunidade e de esperança, possibilitando que a protagonista aprenda com seus erros a superar o peso da maternidade indesejada e aprender a amar verdadeiramente seus filhos a levando ao extremo sacrifício da jornada até um refúgio óbvio, mas inusitado.

Em Às Cegas, em terra de espectadores, quem é cego, é rei. E isso ocasiona o refúgio ser justamente dentro de um instituto educacional para cegos que, em seu convívio diário, aprendem sempre a confiar em seus parceiros para superar uma miríade de desafios. Aqui, há essa bela inversão de papéis.

Conte para a gente o que interpretou do filme nos comentários!