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PlayStation diz que consumidor já sabe que jogo digital não é seu

Sony argumenta em processo judicial que consumidores já entendem que compras digitais na PlayStation Store são apenas licenças.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

A Sony apresentou uma defesa direta em um processo judicial que a acusa de não deixar claro, na PlayStation Store, que a compra de um jogo digital garante apenas uma licença de uso, e não a posse do produto. Segundo a empresa, o “consumidor razoável” já entende essa diferença por conta própria, mesmo sem qualquer aviso adicional.

O processo foi movido em junho por quatro jogadores no Distrito Norte da Califórnia, alegando que a Sony violava uma lei estadual ao usar termos como “Comprar Agora” e “Confirmar Compra” na loja digital, dando a entender que o cliente estaria adquirindo uma cópia própria do jogo, e não uma licença revogável a qualquer momento pela empresa. A legislação em questão, conhecida como AB2426, exige que varejistas digitais expliquem de forma “clara e conspícua” quando um produto vendido é, na prática, apenas uma licença.

Um exemplo hipotético com Resident Evil Requiem

Na resposta apresentada em 21 de agosto, a Sony argumentou que, pela própria natureza de um jogo digital, não faria sentido algum a ideia de “posse” no sentido tradicional. Como cópias digitais não são um recurso finito, e diversas pessoas podem comprar o mesmo jogo simultaneamente, a empresa sustenta que ninguém realmente “possui” o produto, do contrário mais ninguém mais poderia adquiri-lo.

Para ilustrar o argumento, os advogados da Sony citaram o próprio caso dos autores do processo: o jogador Edward Heycock comprou Resident Evil Requiem na PlayStation Store por US$ 69,99 em 25 de fevereiro de 2026, dias depois de Jason Mendoza ter comprado o mesmo jogo, em 14 de fevereiro. Segundo a defesa, se a lógica de posse alegada pelos autores fosse verdadeira, Heycock jamais teria conseguido comprar o jogo, já que ele já pertenceria a Mendoza.

“Reasonable consumers” e o histórico de avisos já existentes

A Sony também reforçou que os termos de uso da PlayStation Store já deixam essa condição explícita, citando a Seção 1 do Acordo de Licença de Produto de Software (SPLA), que afirma que “o software é licenciado a você, não vendido”. Segundo a empresa, essa cláusula, somada ao entendimento geral do público sobre como funciona o consumo digital na era atual, torna implausível alegar que consumidores acreditavam estar obtendo a posse plena de um jogo.

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Na semana anterior à resposta formal, a Sony também enviou um e-mail a usuários com conta na PlayStation, relembrando que, ao aceitar os Termos de Serviço no cadastro, eles concordaram que “ao comprar ou baixar um produto digital da PlayStation Store, você compra uma licença pessoal para uso privado” do produto.

Um processo que ganha peso com o fim dos discos físicos

A disputa judicial ganha um contexto ainda mais sensível diante de outra decisão recente da Sony: a partir de janeiro de 2028, a empresa vai encerrar a produção de discos físicos para novos jogos de PlayStation, migrando de vez para um modelo majoritariamente digital. A mudança não afeta jogos já lançados ou que ainda serão lançados em disco antes dessa data, mas reforça as preocupações de parte dos consumidores sobre até que ponto eles realmente controlam o que compram quando a opção física deixa de existir.

Vale destacar que esta é uma disputa em andamento na Justiça americana, e os argumentos aqui descritos refletem a posição da Sony no processo, não uma decisão judicial final sobre o tema.

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