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Produtor de Resident Evil Requiem vê críticas ao DLSS 5 como elogio ao design da protagonista

Produtor de Resident Evil Requiem comenta reação negativa ao DLSS 5 da Nvidia e defende o design original da protagonista Grace.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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A Nvidia revelou o DLSS 5 em março deste ano, e a reação foi longe de positiva. A tecnologia usa inteligência artificial para alterar os visuais de jogos compatíveis em placas de vídeo da fabricante, adicionando o que a empresa chama de “iluminação e materiais fotorrealistas”. O problema é que muitos jogadores e profissionais da indústria reagiram mal ao ver como a ferramenta muda a direção artística original dos games.

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Um dos casos mais comentados foi o de Resident Evil Requiem, da Capcom. A demonstração com DLSS 5 transformou a aparência da protagonista Grace de forma significativa, gerando uma enxurrada de críticas nas redes sociais.

A leitura da Capcom sobre a polêmica

Masato Kumzawa, produtor do jogo na Capcom, deu uma entrevista ao Eurogamer e adotou uma perspectiva diferente sobre o episódio. Para ele, a reação negativa dos fãs ao visual alterado de Grace é, na verdade, um sinal de que a equipe acertou na criação do personagem.

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“O fato de muitos jogadores comentarem que realmente gostaram do design original de Grace e não queriam vê-lo alterado foi algo positivo”, disse Kumzawa. Ele completou: “Significou que acertamos no design e aponta para o fato de que Grace rapidamente se estabeleceu como uma favorita dos fãs — as pessoas tinham opiniões tão fortes sobre ela.” Kumzawa não comentou sobre o nível de envolvimento da equipe com a Nvidia no processo.

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A defesa da Nvidia e as críticas da indústria

O CEO da Nvidia, Jensen Huang, respondeu às críticas logo após o anúncio. Ele afirmou que os desenvolvedores dos jogos participaram das demonstrações e têm controle sobre o resultado final da tecnologia. “Não é pós-processamento em nível de frame. É controle generativo em nível de geometria — tudo isso está sob controle direto do desenvolvedor do jogo”, explicou Huang. Ele ainda defendeu o termo usado pela empresa: “É por isso que chamamos de renderização neural.”

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Mesmo assim, vozes da indústria seguiram na contramão. Steve Karolewics, engenheiro de renderização da Respawn, foi um dos que criticou publicamente a tecnologia. “O DLSS 5 parece um filtro exagerado de contraste, nitidez e airbrushing”, escreveu. “Frames completamente diferentes com a justificativa de iluminação fotorrealista? Não, acho que vou ficar com a intenção artística original.”

Chegada prevista para o outono americano

O DLSS 5 tem lançamento previsto para o outono deste ano no hemisfério norte. Entre os jogos compatíveis estão Resident Evil Requiem, Hogwarts Legacy, Starfield, EA Sports FC e Assassin’s Creed Shadows.

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A polêmica levanta uma questão relevante para a indústria: até onde uma ferramenta técnica pode ir antes de comprometer escolhas criativas dos estúdios? Por enquanto, o debate segue aberto — e a Capcom, ao menos, já escolheu o seu lado.

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