Games

Remaster da trilogia clássica de Dragon Age é quase impossível

Mark Darrah revela que um remaster da trilogia clássica de Dragon Age esbarra na falta de conhecimento sobre o motor Aurora.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Enquanto fãs de Dragon Age seguem torcendo por remasters da trilogia original nos moldes do que a BioWare fez com Mass Effect: Legendary Edition, o próprio ex-produtor executivo da franquia, Mark Darrah, jogou um balde de água fria nessa esperança. Segundo ele, o obstáculo não é falta de vontade, mas um problema técnico praticamente insolúvel.

Em entrevista ao podcast FRVR, Darrah, que passou 23 anos na BioWare antes de deixar o estúdio em 2020, revelou que um remaster reunindo Dragon Age: Origins (2009), Dragon Age 2 (2011) e Dragon Age: Inquisition (2014) chegou a fazer parte de seus planos internos, com nome já definido: Champion’s Edition. “Sempre foi meu plano: vamos fazer uma trilogia dos campeões, vamos transformar isso retroativamente em três jogos com três figuras importantes diferentes, vamos agrupar tudo e reunir numa trilogia”, contou.

O motor gráfico que ninguém mais sabe operar

O problema é que, diferente da trilogia de Mass Effect, que rodava inteiramente sobre a Unreal Engine 3, facilitando bastante o trabalho de remasterização, os dois primeiros jogos de Dragon Age usam versões próprias e obscuras do motor Aurora Engine da própria BioWare: Origins rodava sobre o Eclipse Engine, uma versão aprimorada do Aurora, enquanto Dragon Age 2 usava o sucessor dele, batizado Lycium Engine. Só Inquisition já rodava sobre o Frostbite, motor moderno da própria EA.

“Basicamente não existe mais ninguém na BioWare que entenda o Aurora Engine”, explicou Darrah. “E também não existe mais ninguém fora da BioWare que entenda esse motor. Então, diferente de Mass Effect, que é Unreal, não existem praticamente empresas terceirizadas que poderiam ajudar nesse trabalho”.

Um projeto que exigiria montar uma equipe do zero

Segundo Darrah, essa limitação técnica tornaria qualquer tentativa de remaster um projeto que provavelmente exigiria uma equipe inteiramente nova dedicada exclusivamente a essa tarefa, algo que esbarra diretamente na cultura corporativa da EA. “A EA não gosta muito de ter funcionários, então, se você for fazer isso, vai ter que fazer sob o guarda-chuva da BioWare, o que significa que essas pessoas não estarão trabalhando em outra coisa”, resumiu.

Publicidade

Em entrevistas anteriores ao canal MrMattyPlays, Darrah já havia detalhado que a BioWare chegou a apresentar múltiplas propostas informais à EA ao longo dos anos, incluindo a alternativa de contratar um estúdio de mods talentoso para produzir um remake completo de Origins usando as próprias ferramentas do Frostbite. Segundo ele, a publicadora historicamente demonstra certa aversão a projetos de remaster, uma postura que ele descreveu como estranha para uma empresa de capital aberto, já que remasters costumam representar dinheiro relativamente fácil de ganhar.

Um problema que se soma a outro: falta de gente disponível

A dificuldade técnica se junta a um obstáculo já conhecido: hoje, toda a equipe da BioWare está concentrada no desenvolvimento do próximo Mass Effect, deixando pouquíssimo espaço de manobra para qualquer projeto paralelo, seja um remaster ou um jogo completamente novo de Dragon Age. O cenário fica ainda mais incerto diante da proposta de compra da EA por um consórcio de investidores ligado ao fundo soberano saudita, negócio que pode redefinir por completo as prioridades da publicadora nos próximos anos.

Compartilhar: Twitter Facebook WhatsApp