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Review | Man of Honor mostra que a Sicília de Mafia: The Old Country ainda tinha história para contar

Man of Honor conecta Mafia: The Old Country ao clássico original com um jovem Salieri, mas a curta duração pesa no preço

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
7 min de leitura

Existe uma expectativa específica que ronda toda expansão narrativa de um jogo com história bem fechada: será que essa é uma continuação genuína, ou apenas uma desculpa para vender mais conteúdo reciclado? Mafia: The Old Country, lançado em agosto de 2025 pela Hangar 13, contou a ascensão de Enzo Favara dentro da família criminosa Torrisi de forma linear e cinematográfica, sem os excessos de mundo aberto que caracterizaram entradas anteriores da franquia. Um ano depois, chega Man of Honor, primeira expansão paga do jogo, e a pergunta natural é se ela tinha algo genuíno a acrescentar, ou se é apenas um pretexto comercial.

A resposta, felizmente, tende mais para o primeiro caso. Mas com ressalvas que pesam bastante na hora de decidir se vale o investimento.

Um encontro que a franquia sempre quis fazer

O grande trunfo de Man of Honor é trazer para o centro da história um jovem Ennio Salieri, personagem que qualquer fã da franquia reconhece imediatamente como o antagonista do primeiro Mafia, e que décadas depois construiria seu próprio império criminoso em Lost Heaven. A expansão se passa num período específico da linha do tempo, logo depois de Enzo ter sido formalmente aceito na família Torrisi, quando ele ainda está construindo sua reputação e aprendendo os limites do próprio papel dentro da hierarquia criminosa. É nesse momento que o protagonista e seu companheiro Cesare são colocados a serviço de Salieri, recém-saído da prisão e determinado a recuperar o que considera seu por direito.

É um encontro que funciona bem dramaticamente porque ambos os personagens estão em pontos muito diferentes de suas trajetórias. Essa diferença de maturidade entre os dois cria uma dinâmica interessante ao longo dos capítulos: Enzo cumprindo seu papel dentro da hierarquia, enquanto Salieri deixa transparecer, aos poucos, a ambição fria que definirá sua trajetória décadas depois. Ver essas duas personalidades lado a lado dá à dupla de capítulos uma identidade mais forte do que seria apenas mais missões com o mesmo protagonista.

Há também um momento no início da expansão que funciona como um afago para quem cresceu com o imaginário clássico do cinema de máfia: uma celebração comunitária onde a figura do Don aparece recebendo pedidos da população local, num tom que qualquer fã do gênero reconhece instantaneamente. É o tipo de referência que funciona tanto como homenagem quanto como reforço de tom, sem soar forçada dentro da narrativa.

Dois capítulos curtos, mas com peso dramático real

A limitação mais discutida em torno de Man of Honor antes mesmo do lançamento era a duração. A campanha se resume a dois capítulos, e o tempo de conclusão gira em torno de duas horas para quem foca exclusivamente na história principal, podendo se estender um pouco mais dependendo da dificuldade escolhida e do quanto o jogador explora documentos e itens colecionáveis pelo caminho.

Dentro desse tempo reduzido, porém, a narrativa consegue construir momentos de peso genuíno. O inverno siciliano confere uma atmosfera diferente das paisagens ensolaradas do jogo base, e revisitar locações já conhecidas sob um clima e circunstâncias diferentes reforça a sensação de que esse mundo continua existindo além da campanha original. A sequência final da campanha se destaca especialmente pela forma como amarra as pontas em aberto da trama num confronto tenso e bem coreografado, um dos momentos mais bem construídos de toda a expansão.

A qualidade técnica da apresentação segue o padrão elevado que já era marca registrada de The Old Country: expressões faciais bem trabalhadas, atuações que não deixam a desejar frente a produções cinematográficas do gênero, e uma cuidadosa atenção à ambientação histórica que faz cada cena parecer genuinamente apropriada historicamente.

Free Ride finalmente ganha propósito

Se a narrativa é o principal atrativo para fãs mais dedicados da franquia, a expansão do modo Free Ride é provavelmente a contribuição mais significativa em termos de conteúdo jogável de longo prazo. Antes de Man of Honor, o modo de mundo aberto, adicionado como atualização gratuita meses após o lançamento original, funcionava mais como uma coleção solta de atividades sem grande coesão. Agora, o esconderijo de contrabando administrado por Salieri em Porto Almaro passa a funcionar como ponto de encontro central para essas novas atividades, dando ao mapa uma razão prática para ser revisitado.

Os chamados Trabalhos de Salieri colocam Enzo em situações que exigem mais do que força bruta: rastrear pistas, planejar rotas de fuga e avaliar riscos antes de agir, numa lógica que se aproxima mais de investigação criminosa do que de simples cumprimento de tarefas. Já a linha de desafios mais avançados existe para quem terminou a campanha principal e quer testar seus limites: versões mais punitivas dos mesmos tipos de confronto que já apareciam no jogo, exigindo timing mais apertado e menos margem para erro.

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O problema, apontado por uma parte considerável de quem já testou a expansão, é que essa reformulação do Free Ride parece dirigida quase exclusivamente ao público mais fiel da franquia. The Old Country sempre foi construído como uma experiência predominantemente narrativa, com a maioria dos jogadores completando a campanha principal e seguindo em frente sem grande interesse pelo mundo aberto. Continuar investindo pesado nesse modo secundário, ainda que bem executado, levanta a pergunta legítima sobre para quem exatamente essas recompensas de progressão realmente importam.

Equipamentos novos, personalização ampliada

A coleção de itens novos disponíveis através de Trabalhos e Desafios é generosa: armas, facas, amuletos, roupas, veículos e cavalos adicionais para quem gosta de customizar Enzo e experimentar abordagens diferentes. Os amuletos, em particular, são a adição mais interessante, já que alteram genuinamente como certas situações podem ser abordadas, adicionando uma camada extra de personalização sem transformar o jogo num RPG completo, mantendo o equilíbrio que sempre foi característica de The Old Country.

Além disso, cartazes de procurados, saltos acrobáticos e caminhões de enxofre pertencentes aos inimigos de Salieri se espalham por Valle Dorata, dando mais motivos para explorar áreas que a estrutura linear da campanha principal deixava frequentemente ignoradas.

Vale a pena?

Man of Honor não tenta reinventar nada do que fez The Old Country funcionar. Não introduz sistemas de combate radicalmente novos, não expande o mapa em tamanho, e não muda a filosofia central de uma experiência voltada primariamente para narrativa cinematográfica em vez de conteúdo de mundo aberto extenso. O que a expansão faz é usar exatamente essas fundações já estabelecidas para contar uma história que conecta pontos importantes da mitologia da franquia, ao mesmo tempo em que dá ao Free Ride um propósito que antes lhe faltava.

Para os fãs mais fervorosos da série, especialmente aqueles curiosos sobre a origem de um personagem tão central à história completa da franquia Mafia, essa é uma recomendação fácil. A qualidade da escrita, a atuação e a direção artística mantêm o padrão elevado que definiu o jogo base, e o desfecho da campanha entrega uma das sequências mais bem construídas de toda a série. Para quem está considerando a compra puramente pelo volume de conteúdo oferecido pelo preço cobrado, vale mais a pena esperar por um desconto ou por uma eventual edição completa que reúna tudo num único pacote.

Esta review foi feita através de uma cópia para PC gentilmente cedida pela Take Two.

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