Roteirista de The Witcher 3 diz que ainda mudaria partes do jogo
Marcin Blacha, roteirista-chefe de The Witcher 3, diz que o RPG não é intocável e revela detalhes do remaster e de Songs of the Past.
Poucos jogos carregam o peso de crítica e público que The Witcher 3: Wild Hunt acumulou desde o lançamento, em 2015. O RPG da CD Projekt Red já vendeu mais de 65 milhões de cópias, recebeu nota média de 93 a 94 no Metacritic dependendo da plataforma, e somou 260 prêmios de Jogo do Ano ao longo dos anos, um recorde que o manteve como o título mais premiado da história até ser superado em 2021. Mesmo com esse currículo, Marcin Blacha, roteirista-chefe do jogo original e hoje vice-presidente de narrativa da CD Projekt Red, não trata a obra como intocável.
“Para mim, The Witcher 3 não é um monumento e não é intocável. Ainda está vívido na minha memória, e ainda é algo que talvez não seja uma referência, mas que ainda pode ser melhorado”, disse Blacha em entrevista à PC Gamer, às vésperas do relançamento remasterizado do jogo. Segundo ele, revisitar o game mais de uma década depois expõe trechos que, hoje, ele faria de forma diferente.
A remasterização chega em setembro, mas a expansão só em 2027
A declaração acontece no embalo de dois lançamentos que reacendem The Witcher 3 em 2026 e 2027. A versão remasterizada do jogo chega em 29 de setembro de 2026 para PC, PS5, Xbox Series X/S e Nintendo Switch 2, distribuída como atualização gratuita para quem já possui o jogo nas plataformas qualificadas. Já a nova expansão, batizada de Songs of the Past, é um conteúdo pago separado, com lançamento previsto apenas para 2027, chegando 12 anos depois do jogo base e mais de uma década após os últimos DLCs de peso da franquia, Hearts of Stone e Blood and Wine.
Uma arma que ficou engatilhada por 11 anos
Um dos detalhes mais curiosos revelados por Blacha é que a nova arma de corrente usada por Geralt em Songs of the Past não é uma ideia recente. A equipe já havia cogitado incluí-la no jogo original, mas limitações técnicas da época impediram que o conceito saísse do papel havia 11 anos. Só agora, com ferramentas mais avançadas, a CD Projekt Red conseguiu finalmente implementá-la.
Para Blacha, o processo de retomar o universo de The Witcher 3 para criar uma nova expansão foi um exercício estimulante, e não apenas um trabalho de manutenção de uma franquia consagrada. “Descobrir que ainda temos isso, que ainda somos capazes de criar uma história que se encaixa não só no Witcher 3 original, mas também em Hearts of Stone e Blood and Wine, é uma sensação revigorante, uma máquina do tempo que me leva 10 anos atrás, quando eu era mais jovem e talvez mais apaixonado e entusiasmado”, afirmou.
A disposição de revisitar um clássico
A postura de Blacha reflete um momento específico da CD Projekt Red, que passou por anos reconstruindo sua reputação após o lançamento problemático de Cyberpunk 2077, em 2020, e hoje aposta em revisitar seu maior sucesso com um olhar mais crítico do que nostálgico. Em vez de tratar The Witcher 3 como uma relíquia acabada, o roteirista sinaliza que a equipe segue enxergando espaço para ajustes, mesmo em uma obra já consagrada pela crítica e pelo público havia mais de uma década.