Scarlett Johansson defende Woody Allen e reflete sobre as consequências
Scarlett Johansson falou sobre o furor online por defender Woody Allen. Atriz também revelou que um investidor tentou mudar a trama de seu filme.
A atriz Scarlett Johansson abriu o jogo sobre as consequências de sua pública defesa ao diretor Woody Allen em 2019, em meio às acusações de assédio sexual feitas por Dylan Farrow. A estrela de Viúva Negra afirmou que, embora seja importante ter integridade, ela amadureceu e percebeu que “é importante saber quando não é sua vez” de se manifestar.
A reflexão de Johansson — que trabalhou com Allen em três filmes — acontece em um momento em que ela mesma luta para defender a integridade artística em seu projeto de estreia como diretora, Eleanor the Great.
As consequências de defender Woody Allen
Em entrevista ao The Telegraph, Johansson foi questionada sobre o “furor online” que sua defesa a Allen gerou em 2019, quando ela declarou: “Eu amo Woody. Eu acredito nele, e eu trabalharia com ele a qualquer momento.” O diretor nega as acusações desde 1992, mas foi ostracizado por grande parte de Hollywood.
“Acho que é difícil saber [quais foram as consequências]”, respondeu a atriz. “Você nunca sabe exatamente qual é o efeito dominó. Mas minha mãe sempre me encorajou a ser eu mesma, [a ver] que é importante ter integridade e defender o que você acredita.”
No entanto, ela adicionou uma ressalva que mostra seu amadurecimento após a polêmica: “Ao mesmo tempo, acho que também é importante saber quando não é sua vez. Não quero dizer que você deve se silenciar. Quero dizer que às vezes não é a sua hora. E isso é algo que eu entendi mais à medida que amadureci.”
A postura de Johansson contrasta com a de outros atores que trabalharam com Allen, como Timothée Chalamet e Greta Gerwig, que publicamente expressaram arrependimento por terem feito isso.
O preço da integridade artística no filme de estreia
A atriz também revelou que, em seu novo filme, Eleanor the Great, ela enfrentou um dilema ético e financeiro. Um investidor desistiu do projeto de última hora por causa de um ponto crucial na trama: a personagem principal, uma mulher judia interpretada por June Squibb, alega falsamente ter sido uma sobrevivente do Holocausto.
Segundo Johansson, o investidor questionou: “Adoro o filme, Scarlett, mas não estamos muito interessados em toda essa coisa do Holocausto. Podemos fazer a personagem mentir sobre outra coisa?”.
Johansson se recusou a mudar o “ancoramento” do filme. O investidor se retirou, e a atriz disse ter ficado “muito chocada”. Felizmente, a Sony Pictures Classics entrou em seguida como distribuidora do filme, salvando o projeto, que estreia em 7 de novembro. O episódio reforçou a visão de Scarlett Johansson sobre a necessidade de defender a visão artística mesmo diante da pressão comercial.