‘Superman’ sofre nas bilheterias internacionais; analistas culpam imagem ‘pró-americana’ do herói

Apesar do sucesso nos EUA, 'Superman' tem desempenho abaixo do esperado no mercado internacional. A imagem "americana" do herói seria um dos motivos.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura

Enquanto Superman, de James Gunn, voa alto nas bilheterias dos Estados Unidos, seu desempenho no mercado internacional tem sido mais contido, levantando um debate sobre os desafios de se vender o Homem de Aço para um público global no atual cenário geopolítico. Analistas apontam que a imagem historicamente “pró-americana” do personagem, reforçada por um meme postado pelo presidente Donald Trump no dia da estreia, pode estar dificultando sua aceitação em outros países.

O filme é um sucesso inquestionável na América do Norte, onde já ultrapassou a marca de US$ 250 milhões em menos de duas semanas. Globalmente, já soma mais de US$ 400 milhões. No entanto, a divisão dessa arrecadação chama a atenção: em seu fim de semana de estreia, apenas 42% do faturamento veio de mercados estrangeiros, uma porcentagem baixa para um blockbuster deste porte.

O “jeito americano” e o fator Trump

A Warner Bros., estúdio por trás do filme, há anos tenta minimizar a pátina patriótica do herói. Em 2006, o estúdio abandonou o slogan “o jeito americano” na divulgação de Superman – O Retorno. Em 2013, o filme de Zack Snyder foi intitulado O Homem de Aço, evitando o nome do herói. No novo longa, James Gunn alterou o lema para “verdade, justiça e o jeito humano”.

No entanto, esses esforços foram ofuscados quando, no dia da estreia, o presidente Donald Trump postou em suas redes sociais um meme de si mesmo com o traje do herói, reforçando a associação do personagem com a política americana.

O próprio James Gunn reconheceu o desafio em uma entrevista recente. Sem citar Trump diretamente, ele admitiu: “Temos um certo sentimento antiamericano ao redor do mundo agora. Não está nos ajudando muito.”

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A competição feroz e o novo cenário global

Além da questão de imagem, Superman enfrenta outros dois grandes obstáculos no exterior. O primeiro é a competição com Jurassic World Rebirth, que se tornou um fenômeno global e tem dominado mercados-chave. Na China, por exemplo, o filme dos dinossauros já arrecadou US$ 72 milhões, enquanto Superman estreou com modestos US$ 7 milhões.

O segundo obstáculo é a própria China. O país, que antes era um mercado essencial para o sucesso de Hollywood, tem dificultado a entrada de filmes ocidentais para priorizar produções nacionalistas, uma tendência que se agravou em retaliação às políticas de Trump.

Um sucesso doméstico inegável

Apesar das dificuldades no exterior, a DC Studios e a Warner Bros. têm muitos motivos para comemorar. O sucesso de Superman nos EUA, com uma estreia de US$ 122 milhões e uma forte sustentação na segunda semana, é uma vitória inaugural crucial para o novo Universo DC. Fontes do estúdio acreditam que o bom boca a boca ainda pode ajudar o filme a melhorar seus números internacionais nas próximas semanas, mesmo com a chegada do concorrente Quarteto Fantástico: Primeiros Passos.

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