Ubisoft confirma múltiplos jogos de Assassin’s Creed e Far Cry em meio a reestruturação
CEO Yves Guillemot revela foco em franquias de peso através da Vantage Studios, mas enfrenta pressão e protestos devido a demissões
A Ubisoft segue apostando alto em suas maiores franquias, mesmo atravessando um dos períodos mais turbulentos de sua história corporativa. Em uma recente entrevista à revista Variety, o CEO Yves Guillemot confirmou que a empresa está desenvolvendo múltiplos jogos das séries Assassin’s Creed e Far Cry, abrangendo experiências tanto para um jogador quanto para o modo multiplayer.
As novidades chegam no esteio de uma reestruturação profunda na companhia. O futuro dessas duas marcas gigantescas ficará sob a responsabilidade da recém-criada Vantage Studios, uma subsidiária apoiada pela gigante chinesa Tencent.
A expansão dos universos de peso
Guillemot demonstrou otimismo em relação ao fluxo de produção da nova divisão. Sob o guarda-chuva da marca Assassin’s Creed, há diversos títulos em desenvolvimento simultâneo. O objetivo da empresa é claro: continuar expandindo uma comunidade apaixonada que já ultrapassou a marca de 30 milhões de jogadores apenas no ano passado.
O cenário para a série de tiro em primeira pessoa da empresa também é movimentado. O executivo destacou que a expectativa interna para Far Cry é alta e confirmou que a produtora tem atualmente dois projetos muito promissores em andamento.
Cortes drásticos e onda de protestos
A expansão do portfólio contrasta fortemente com o “grande reinício” detalhado pela Ubisoft no mês passado. A editora está reestruturando radicalmente suas equipes criativas em casas autônomas e implementando uma agressiva iniciativa de corte de custos. Até o momento, essa manobra resultou no cancelamento de seis jogos, no adiamento de outros sete e no fechamento definitivo de dois estúdios.
O epicentro da crise atual está na sede da empresa em Paris, na França, onde foi proposta a eliminação de até 200 postos de trabalho, o equivalente a cerca de 18% da força de trabalho local. A decisão gerou revolta imediata, levando muitos funcionários a protestarem e sindicatos a exigirem a renúncia do próprio Guillemot.
A resposta do CEO
Diante da pressão pública e interna, Guillemot adotou um tom de conciliação, afirmando compreender totalmente as preocupações legítimas de suas equipes. O executivo explicou que a Ubisoft atravessa uma grande fase de transformação que afeta diretamente sua organização, operações e cultura.
“Mudanças dessa escala naturalmente levantam questões e criam tensão, particularmente quando impactam as rotinas das pessoas, e eu reconheço isso”, ponderou o CEO.
Publicidade
Ele argumentou que, para entregar o nível de ambição e qualidade que os jogadores exigem atualmente, é necessário um alinhamento forte, velocidade de execução e colaboração estreita. Seus focos principais no momento são garantir a sustentabilidade financeira da empresa a longo prazo e manter a qualidade dos lançamentos, ressaltando que a transparência e o diálogo aberto com os sindicatos e equipes são essenciais neste período de transição.