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Xbox planeja demissões em massa para julho

Memo interno vazado mostra que o Xbox gastou US$ 20 bilhões nos últimos cinco anos enquanto a receita caiu quase US$ 500 milhões.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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O memorando que chegou três dias depois do Showcase

Na última semana, a Xbox realizou seu Games Showcase mais comentado em anos, anunciando exclusivos como Gears of War: E-Day e Clockwork Revolution. Na quarta-feira, três dias depois, a CEO Asha Sharma enviou um memo interno aos funcionários detalhando por que uma reestruturação severa é inevitável.

O documento foi publicado no blog oficial Xbox Wire poucas horas depois de o jornalista Jason Schreier, da Bloomberg, reportar que demissões significativas estão planejadas para julho, logo após o encerramento do ano fiscal da Microsoft em 30 de junho.

Sharma assumiu o cargo em fevereiro deste ano, substituindo Phil Spencer após sua aposentadoria. O memo é sua primeira comunicação pública sobre o estado financeiro da divisão e a primeira grande decisão estrutural de sua gestão.

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Os números por trás da crise

O documento é direto sobre a situação financeira. A margem de accountability do Xbox, o equivalente interno à margem de lucro, chegou a 3% no encerramento do ano fiscal. Para efeito de comparação, essa mesma métrica era de 12% nos primeiros nove meses do ano fiscal de 2022. Sharma também revelou que, excluindo a Activision Blizzard King, o Xbox gastou mais de US$ 20 bilhões em investimentos ao longo dos últimos cinco anos enquanto a receita anual caiu quase meio bilhão de dólares no mesmo período.

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A crise de hardware agrava o cenário. Sharma revelou que os custos dos componentes de armazenamento para consoles subiram mais de cinco vezes em dois anos. A divisão está incapaz de produzir tantos consoles quanto os consumidores querem comprar, e a CEO admitiu que o Xbox precisará de um novo modelo de negócio e novas parcerias para o hardware enquanto segue comprometida com o projeto Helix, o próximo console da marca.

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O diagnóstico de Sharma

Além das demissões, o memo anuncia cortes significativos nos orçamentos de marketing e outras áreas do negócio. Sharma reconhece que o sistema de estúdios foi expandido de forma excessiva para atender múltiplas estratégias simultâneas de assinatura, streaming e hardware, e que o resultado foi uma divisão espalhada demais para executar qualquer uma delas com excelência. O memo também admite que as franquias mais valiosas do Xbox não receberam financiamento adequado para competir no nível necessário.

O documento cita cinco pilares para o reset: competitividade no mercado, custos de hardware, pipeline de exclusivos, infraestrutura de plataforma e eficiência operacional. Sharma encerrou com um pedido de paciência: “Para alguns de vocês, essas realidades serão surpreendentes e até frustrantes. Não venceremos escondendo verdades difíceis.”

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Um padrão que se repete

Não é a primeira vez que o Xbox enfrenta ondas de demissões. Em 2024, a Microsoft cortou cerca de 1.900 postos na divisão de games após a aquisição da Activision Blizzard por US$ 69 bilhões. Em 2023, outros 10 mil funcionários da Microsoft foram dispensados em diferentes áreas da empresa. A diferença desta vez é o tom do memo: Sharma não está descrevendo ajustes pontuais, mas um redesenho completo de como o Xbox opera. A escala exata dos cortes de julho ainda não foi divulgada.

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