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Mesmo com o grande sucesso de Final Fantasy III, lançado somente no Japão, a necessidade de inovação para a franquia era evidente. O que víamos até a terceira entrada era uma repetição dos acertos e, infelizmente, de alguns dos erros dos games anteriores. Veio, então, Final Fantasy IV (lançado como FFII nos EUA), com a proposta de utilizar os melhores elementos dos jogos anteriores e inovar ao mesmo tempo.

Irei começar pelos acertos reciclados dos antecessores. A progressão em levels se mantém, dessa vez contudo, a necessidade de grinding diminuiu consideravelmente – é possível passar por todo o jogo sem problemas, contanto que não se fuja das lutas constantemente. Os encontros com monstros se manteve da mesma maneira: pode ocorrer em quase todos os locais fora das cidades. A vantagem é que o número de encontros diminuiu, então nada de horas de batalha através de uma simples travessia.
As famosas classes dos jogos anteriores retornaram e são atreladas a um personagem específico. Um white mage o será até o fim do jogo, por exemplo (salvo alguns específicos casos que tem sua classe alterada por motivo da progressão da trama).

Seguindo o exemplo do segundo game da série e indo além, Final Fantasy IV apresenta um grande foco na história. Nele vemos personagens mais profundos e repletos de dúvidas, com motivações bem definidas. Cecil Harvey, o herói do jogo, chega a ser quase shakespeariano em seu constante dilema – o típico “ser ou não ser” através de monólogos constantes. O mesmo vale para seu amigo, Kain Highwind, que oscila entre a lealdade para com seu amigo ou para com seu reino. A trama é ainda mais complicada pela personagem Rosa que é amada por ambos, constituindo um típico triângulo amoroso que impacta consideravelmente o desenvolvimento da trama.

O início do game já nos coloca dentro das dúvidas de Cecil. Vemos o assassinato de inocentes em Mysidia (referência clara a Final Fantasy II) pela força militar do reino de Baron, os Red Wings. Esse exército, nada mais é que comandado por Cecil, que veste uma armadura inteiramente negra. A morte dos mysidianos afeta o herói e também as tropas sob seu comando e surge aí a dúvida em relação aos motivos do rei. A premissa era tirar o Cristal de Mysidia devido ao risco que ele apresentava a Baron, mas, por trás disso, parece que o monarca esconde motivos mais nefastos.

Aflito, Cecil indaga ao seu rei, após o termino da missão, sobre seus objetivos. O rei, contudo, foi alvo de palavras venenosas de seu conselheiro, que coloca Cecil como um possível rebelde. O líder dos Red Wings é, então, tirado de seus direitos de comando, recebendo uma missão para provar sua lealdade ao reino. Ouvindo essas acusações ao cavaleiro negro, Kain se aproxima e se oferece para ajudar o amigo. Partem os dois, portanto, na missão a eles conferida.

A história progride a partir desse ponto em uma constante descoberta do mal por trás do reino de Baron e à redenção de Cecil. O cavaleiro negro se torna um paladino branco, literal e simbolicamente. É um roteiro similar a FFII em seu tom mais sério e adulto – algo deixado bem claro pela constância da morte na história. Pela primeira vez na série vemos um arco romântico do personagem principal, fator que retorna em diversas outras entradas.

Ao longo do desenrolar da trama, novos personagens entram na equipe enquanto outros saem, podendo chegar a um limite de cinco integrantes. É importante ressaltar que o equilíbrio da equipe é sempre mantido, já que se trata de um elemento tão importante para as batalhas.

Pela primeira vez na série, as magias não mais podem ser compradas. Ao invés disso as recebemos com o passar dos levels ou até mesmo através da história. Essa é uma simplificação bem-vinda à franquia, já que somente alguns personagens podem, de fato, utilizar magias. Diminui, também, a necessidade de realizar infindáveis batalhas para conseguir dinheiro (que agora serve para passar a noite na taverna, comprar itens e equipamentos).

A maior inovação de Final Fantasy IV, contudo, é seu novo sistema de batalha, o active time battle. Dessa vez, cada personagem possui uma barra que se preenche com o passar do tempo. Quando ela está completa podemos escolher a ação do personagem. Essa mudança confere uma dinâmica totalmente diferente às batalhas, ao ponto que sabemos com mais exatidão o momento do nosso ataque e devemos fazer as escolhas mais rapidamente. Esse elemento, que altera totalmente a jogabilidade em comparação a seus antecessores, se mantém até o nono game da franquia (retornando com versões similares em FFX-2, FFXIII e FFXIII-2), se tornando um dos símbolos da série. O sistema de batalha, contudo, apresenta uma falha. Muitas vezes é preciso alternar entre os personagens durante a luta e devemos fazer isso inúmeras vezes até alcançar o objetivo desejado.

A trilha de Nobuo Uematsu, mais uma vez, nos surpreende, exibindo temas profundos que garantem o tom da narrativa do jogo. Em FFIV é introduzida a trilha sonora dinâmica, que altera a música de acordo com o drama, ao contrário do que víamos nós games anteriores: cada cenário detinha uma música específica. Devo colocar em destaque três peças musicais que marcam o game positivamente: a música tema, o primeiro tema de batalha e o emblemático Theme of Love.

Não posso finalizar esta crítica sem antes falar das diferentes versões disponíveis atualmente para o game. As duas principais são: a versão de PSP e a de NDS / iOS / Android / PC. A primeira exibe gráficos em modelos desenhados como no original, enquanto que a segunda conta com modelos e cenário totalmente refeitos em 3D. Além disso, a trilha sonora é rearranjada, substituindo os tons em midi da original. A versão de NDS/ iOS/ Android ainda conta com algumas animações dubladas. Para iOS, o jogo teve o texto traduzido para o português (se esse for o idioma escolhido pelo jogador), com áudio em japonês, nos livrando da costumeira péssima dublagem americana dos jogos da Square.

Dito isso, Final Fantasy IV representa um grande salto para a franquia, sendo, sem dúvidas, um dos melhores da série. É um jogo obrigatório para qualquer fã de RPG, contendo uma ótima história, desenvolvimento de personagens e jogabilidade, proporcionando diversas horas de diversão. É também uma ótima porta de entrada para qualquer um que deseje conhecer Final Fantasy, visto que refina todos os elementos introduzidos nos três primeiros jogos, garantindo sua posição como o primeiro grande marco da franquia, desde sua concepção.

Final Fantasy IV
Desenvolvedora:
 Square

Lançamento: 19 de Julho de 1991 (Japão), 23 de Novembro de 1991 (EUA)
Gênero: JRPG
Disponível para: SNES, WonderSwan Color, PS, GBA, PSP, Wii Virtual Console, PSN, iOS, Android, PC

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