Após fazer grande sucesso com o seu longa anterior, o clássico Alien – O Oitavo Passageiro, o diretor Ridley Scott foi contratado para dirigir Blade Runner, com e roteiro de Hampton Fancher e David Peoples, baseado no livro de Phillip K. Dick. No começo, Scott ficou com receio de entrar no projeto por ser outra ficção cientifica e não queria se repetir de gêneros. Mas viu que o material era bem diferente do filme anterior e se apaixonou pelo projeto, que foi financiado pela Warner, com o orçamento de 20 milhões de dólares e o grande astro do momento, Harrison Ford. Mas a filmagem do longa, foi um grande desafio, por várias questões. Vamos a elas:

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Perfeccionismo de Ridley Scott

Scott sempre foi um perfeccionista e isso é latente no cuidado técnico dos seus filmes (ou era). Em Blade Runner havia cenários grandiosos, muito complicados de se iluminar e, além disso, o diretor sempre queria colocar algum aspecto visual que diferenciasse  o seu filme e o deixasse especial. Era uma luz, alguma fumaça, ou a chuva… Enfim essas escolhas de Scott demoravam um tempo considerável para ficar pronto. Além do diretor repetir muitos takes –falam que a média era 10 takes por plano – que atrasou a filmagem. Na primeira semana a equipe estava atrasada em quatro dias de filmagem. Isso acabou deixando a relação de Scott e os financiadores problemática, mas o diretor seguiu até o fim e essas escolhas deixaram o filme inesquecível.

Harrison Ford

Desde Uma Nova Esperança há lendas que Ford é uma pessoa difícil de lidar. Em Blade Runner não foi diferente. O estilo perfeccionista de Scott não agradava o astro, além de desentendimentos com a parceira Sean Young que pelo que parece o ator não tinha paciência com ela, por ser uma novata e não decorar os seus diálogos. Ford foi profissional, foi atém o fim, mas não gostou da experiência desse set. Embora Scott e Ford tenham feitos as pases durante a pré-produção de Blade Runner 2049.

Fumaça e Chuva

O clima que predomina no mundo do filme é a chuva e o frio. O próprio set tinha esse tema, não a toa que os atores falam que passavam mal durante as gravações por conta desse clima. O mesmo para a equipe, que tinha uma relação conflituosa com Scott.

Guerra de Camisetas

Como já foi dito, a equipe tinha uma relação complicada com Ridley Scott. O ápice dessa briga foi quando alguém da produção entrou no camarim do diretor e viu uma entrevista que ele havia feito para um jornal inglês. Sendo que esse era o seu primeiro filme grande nos Estados Unidos, perguntavam aonde Scott preferia fazer filmes, na Inglaterra ou na América. Ele respondeu na sua terra natal, porque a equipe sempre estava pronta e falava: ”Quando quiser senhor!”. Isso deixou a equipe muito brava e começaram a utilizar camisetas com a frase “Quando quiser senhor, o Ca****”. Isso não abalou o diretor que começou a andar com outra camiseta que estava escrita: “Xenofobia é F**”. Os produtores executivos tiveram que intervir e conversaram com Scott para ter uma relação melhor com a equipe, pouco a pouco a relação melhorou.

Fim do Orçamento

O orçamento inicial de Blade Runner era de 20 milhões de dólares. Por contas dos problemas acima, ele custou 10 milhões a mais. A última cena que foi rodada foi o embate entre Roy Batty (Rutger Hauer) e Deckard na chuva, em que se tem o famoso monólogo das lágrimas da chuva. Ela foi rodada com o orçamento do filme acabado e precisava ser feita a qualquer custo. Scott estava tão pressionado que aceitou as ideias vindas de Hauer, que foram que deixaram a cena tão icônica como o pulo com o pássaro branco nas mãos e a frase “memórias morrerão no tempo como lágrimas na chuva. Hora de morrer”. Essa frase veio de um poema que Hauer tinha lido antes e achou apropriada para a cena. E se tornou uma das cenas mais icônicas do cinema.

Enfim, isso serviu para mostrar como a produção de Blade Runner foi um grande caos. Mas o resultado final – que é o que importa – foi uma das melhores ficções cientificas já feitas, que demorou para ser reconhecida, que ocorreu só quando Scott lançou a versão do diretor em 1992. O que importa é que hoje o filme tem o lugar que merece: obrigatório para qualquer fá de ficção cientifica.

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