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Não é de hoje que o cinema coreano nos brinda com ótimos filmes de diversos gêneros como drama, terror e suspense. A última produção do país a ser fenômeno mundial foi Invasão Zumbi, que terá em breve um remake feito por Hollywood.

Neste fim de ano, outro longa do país asiático chega aos cinemas brasileiros para causar certo impacto no público. Trata-se do bom A Vilã, dirigido por Byeong-gil Jeong (Confissão de Assassinato). Pelo título pode não parecer, mas A Vilã é um filme de ação, drama e com toques de suspense.

Na história, uma mulher é levada para o que parece ser um centro médico. Lá ela encontra um lugar surreal, com um laboratório onde ela passa por uma operação de plástica. Nesse local, querem que ela encontre uma função para trabalhar, algo em que seja boa entre as opções disponíveis como cozinhar, balé, teatro e artes marciais.

Um lugar estranhíssimo, em que o diretor não dá pistas do que ela esteja fazendo lá, ou sequer quais experimentos querem fazer com ela, ou nem quem são as outras mulheres que estão por lá. Isso só será definido depois de algum tempo em que está por lá.

Não é explicado claramente na produção que lugar é esse, mas sabe-se que ele é um órgão do governo que treina assassinos para matarem traficantes ou criminosos. A Vilã é baseado em Nikita de Luc Besson, portanto, dá para se ter uma ideia do que é o lugar justamente por isso.

Enquanto permanece nessa espécie de projeto, vão sendo mostrados flashbacks de como era sua vida antes da matança na cena inicial. Em quase toda ação há um flashback, com parte de sua infância ou fase adulta sendo mostrada. Essa quebra na história causa alguma confusão por inserir novos assuntos sem definir outros que já estavam sendo discutidos antes.

Na realidade, A Vilã é um longa difícil de compreender em um primeiro momento justamente pelas suas várias reviravoltas. Em primeiro momento você acha que a personagem está em busca de vingança por um motivo ainda não apresentado, depois o diretor traz novos fatos, mudando totalmente nossa percepção.

São essas reviravoltas, a todo instante, que deixam um longa com uma boa proposta se transformar em algo cansativo e em algumas partes confuso. A ideia é boa, mas esse pensamento de tentar enganar o público, constantemente, com algum acontecimento diferente, passa a se tornar repetitivo depois de um tempo.

Como todo bom filme coreano de ação, A Vilã tem suas cenas memoráveis. O diferencial da obra vem logo de cara com um plano sequência sangrento de tirar o fôlego. A protagonista (Ok-bin Kim) entra em um prédio e retalha com requintes de crueldade todos que aparecem pelo seu caminho.

Tudo apresentado em primeira pessoa, ou seja, você não vê o rosto da personagem até chegar ao final da cena e ela ser apresentada. Há outras duas cenas no mesmo estilo que são impressionantes, inclusive uma luta em cima de motos em alta velocidade.

Há cortes muito sutis nesses planos, que são praticamente invisíveis e são dados no momento certo. São sequencias bem coreografadas ao bom estilo asiático, diferente do que é mostrado no cinema hollywoodiano atual em que as batalhas se tornaram todas praticamente iguais.

O início arrebatador com uma cena ao estilo John Wick pode enganar o público por fazer pensar que o longa inteiro seja feito neste estilo, mas não é. Logo depois começam a desenvolver a história da personagem e só depois de algum tempo é que volta a ter uma ou outra cena de ação. A Vilã notadamente foca em seu drama.

A direção fica a cargo do já citado Byeong-gil Jeong, que faz uma produção que não é empolgante, mas envolvente, por nos inserir na vida da personagem e o que seria toda aquela loucura em que ela está metida.

A todo instante ficam questionamentos, que são explicados mais para frente em seu devido tempo. Mesmo que a estrutura narrativa tenha problemas relacionados ao excesso de drama, isso não influência em nada ao projeto como um todo.

O roteiro poderia ter explorado melhor o passado da personagem. Alguns flashbacks perdem a função por serem rápidos ou por simplesmente não dizerem logo de cara o que seria tudo aquilo. Talvez se trabalhassem melhor essa parte do passado – como Oldboy faz com muita maestria – provavelmente o andamento seria muito mais interessante e empolgante.

Ok-bin Kim (Sede de Sangue), atriz que interpreta a personagem Sook-hee, apresenta uma atuação competente e não sai da personagem em nenhum momento. Intercala reações entre raiva, frustração e ódio, em um sentido que pode criar envolvimento com o público. Apenas na cena envolvendo sua filha, que demandava maior emoção da protagonista, é que não passou o sentimento necessário.

Quanto aos aspectos técnicos o grande destaque fica para as jogadas de câmera nas cenas de ação. Principalmente na cena inicial. A ideia de colocar a personagem em primeira pessoa permitiu que pudesse se deslocar como se fosse a reação da personagem lutando e criando uma relação maior com o público. Chamaram a atenção também as cores empregadas tanto no cenário quanto fotografia. Elas se completam criando uma atmosfera que se relaciona com o sentimento da personagem ou com relação ao momento que está sendo apresentado.

No mais, A Vilã prova ser, apesar de seus eventuais deslizes, mais um belo exemplar do Cinema sul-coreano, que há muito vem mostrando a Hollywood como se fazer filmes dos mais variados gêneros.

Escrito por Gabriel Danius

 A Vilã (Ak-Nyeo, Coréia do Sul – 2017)

Direção: Byeong-gil Jeong
Roteiro: Byeong-gil Jeong, Byeong-sik Jung
Elenco: Ha-Kyun Shin, Ok-bin Kim, Sung Joon, Geum Kwang-San, Hye-na Kim, Jo Eun-Ji, Jung Hae-Kyun, Kin Hae-na, Kim Suh Hyung, Kim Yeon-woo, Lee Ji-hyeok, Lee Seung-joo, Min Ye-ji, Park Cheol-Min, Son Min-ji
Gênero: Ação, Drama
Duração: 123 min.

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