A Hollywood de hoje transborda nostalgia. É evidente o desejo dos estúdios de repetir o sucesso dos filmes da Era de Ouro, que consistiam – entre outros – no popular gênero de gângster das décadas de 30-50, em alta graças aos atos de criminosos como John Dillinger e Al Capone. Eu pessoalmente me interesso muito por longas do tipo, e é por isso que me entristece ver o resultado medíocre alcançado por Caça aos Gângsteres, produção requintada e com ótimo elenco; mas nada além disso.

O roteiro de Will Beall adapta o livro de Paul Lieberman sobre o reinado criminoso de Mickey Cohen (Sean Penn) na Los Angeles de 1949. Visando driblar as relações corruptas que o mafioso mantinha com o governo, a polícia de LA organiza um grupo secreto liderado por John O’Mara (Josh Brolin) para agir fora da lei e capturar Cohen.

É de se entender o motivo pelo qual o projeto foi calorosamente disputado até chegar nas mãos do diretor Ruben Fleischer (do ótimo Zumbilândia). Sua premissa é a perfeita oportunidade para se realizar um filme de ação despretensioso no glorioso período de chapéus, sobretudos e metralhadoras, e o design de produção de Maher Amada é impecável ao recriar cenários e ambientes da época, enquanto a figurinista Mary Zophres é eficaz ao vestir apropriadamente os diferentes integrantes do elenco – desde a sensualidade da pseudo-femme fatale de Emma Stone até a simplicidade da esposa de O’Mara.

gangster

Mas infelizmente toda a competente plasticidade do filme é desperdiçada em um roteiro que se debruça sobre clichês e estereótipos, tornando-se uma experiência previsível demais. Basta olhar para a equipe de O’Hara, que é composta meramente por arquétipos (em determinado momento, uma das personagens até declara que “agora precisará de alguém com cérebro”) e têm como ligação emocional com o público fiapos como “amigo que foi morto” ou, acredite se quiser, a velha história da “esposa grávida em perigo”. Tudo bem que são elementos “clássicos” de produções do tipo, mas não funcionam com  a roupagem moderna adotada por Fleischer, que disfarça sua incompetência em comandar cenas de ação ao utilizar a câmera lenta simplesmente por “parecer legal” – da mesma forma como Ryan Gosling constantemente elabora uma expressão de “malvado”, como se o ator estivesse apenas se divertindo em seu traje; o que prejudica seu bom desempenho.

Trazendo uma performance curiosa de Sean Penn (que ora soa ameaçador, ora parece um vilão de desenho animado), Caça aos Gângsteres é uma falha tentativa de reviver os bons tempos do cinema gângster. Talvez as técnicas – que cada vez mais optam pela filmagem em digital, ao invés da película – estejam modernas, coloridas demais para um filme daquele período. É melhor ficar com os clássicos.

Nota: ★★

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