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Não faz sentido que É o Fim seja lançado nos cinemas nacionais. Além de ter perdido completamente o timing da piada central (algo que também aconteceu nos EUA, o filme deveria ter sido lançado em dezembro do ano passado), o filme traz uma série de comentários e referências que o público brasileiro certamente não vai entender, já que a maioria dos trabalhos do elenco principal foi lançada diretamente para o home video. Isso sem falar que o resultado é bem mediano.

A trama é ambientada na Los Angeles “do mundo real”, trazendo todo o elenco interpretando a si mesmo. Jay Baruchel se encontra com o amigo Seth Rogen para que ambos compareçam a uma festa na casa de James Franco. Lá, se juntam a celebridades como Jonah Hill, Craig Robinson, Emma Watson e Danny McBride. No meio da diversão, a cidade é dominada por uma série de terremotos e incêndios que logo se revela como o Apocalipse.

Sinceramente, eu fiquei muito empolgado com a ideia desse filme. Lembro de ver os primeiros trailers em dezembro do ano passado (e, novamente, fazia muito mais sentido graças ao contexto) e pensar que esta seria uma das comédias mais geniais dos últimos anos; cometi o erro de extrapolar as expectativas. É o Fim se beneficia das cenas em que claramente há muita piada interna (como o fato de Jay Baruchel e Jonah Hill não se suportarem) e das invenções que acabam com a imagem de alguns atores (sem comentários para o hilário Michael Cera que surge aqui como um pervertido viciado em cocaína), proporcionando diversos momentos de improviso. É até difícil dizer o que é atuação e o que é espotaniedade dos atores: Seth Rogen, por exemplo, surge exatamente da mesma forma que o vemos em outros filmes (uma observação divertida apontada por Danny McBride) e também em suas entrevistas fora do set.

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O problema começa quando o roteiro de Rogen e do amigo Evan Goldenberg (a mesma dupla responsável por Superbad e Segurando as Pontas) se entrega de corpo e alma ao ridículo, procurando explorar os motivos e elementos por trás da catástrofe que assola Los Angeles. Apostando no Apocalipse mais “tradicional” possível, é de se espantar com a presença de criaturas cartunescas e demônios colossais com membros enormes (sério, me lembrou Sua Alteza, e o próprio James Franco diz aqui para nunca repetir esse filme) que dominam o último ato com a ajuda de efeitos visuais medíocres. A qualidade técnica nem prejudicaria se o resultado fosse realmente engraçado, mas não passa do ridículo – e não em sua forma positiva.

Dá pra se divertir e dar risadas em É o Fim, mas o grande trunfo da produção está nas piadas menores e em suas auto-referências (eu pagaria pra ver aquela ideia pra Segurando as Pontas 2, mesmo, mesmo!). Levando em conta o potencial gigantesco aqui, é uma triste decepção.

Obs: Há diversas participações especiais aqui, mas nenhuma delas é tão engraçada quanto a de Channing Tatum.

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