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Drácula (Adam Sandler) e sua turma completamente irreverente de monstros estão de volta para mais uma aventura – e, dessa vez, os perigos tornam-se mais mortais que nunca. Enquanto os protagonistas que tanto fizeram parte das mais sobrenaturais narrativas procuram paz no Hotel Transilvânia – nome emprestado ao título do filme, inclusive -, uma força muito conhecida dentro desse mesmo cosmos insurge para tentar exterminá-los: o lendário e temido Van Helsing (em uma caricatura forçada e nunca antes vista interpretada por Jim Gaffigan).

Não é um trabalho nem um pouco complexo imaginar como a história irá se desenrolar, ainda mais levando em conta que as outras iterações da franquia Hotel Transilvânia, idealizadas e dirigidas por Genndy Tartakovsky, não ousam muito além do óbvio. Apesar do divertimento que o filme original nos traz ao misturar de forma hilária o mundo pacífico dos monstros em contraposição ao conturbado cotidiano humano – que não sente mais pavor dessas criaturas, mas sim um apreço que as transforma em celebridades -, tudo é direcionado para um público estritamente infantil, e nem mesmo tenta levá-lo a sair dos convencionalismos animados como tantas outras obras similares. Logo, o terceiro e talvez último filme também resolve manter-se na zona de conforto e acaba nos proporcionando o mesmo do mesmo.

Depois de um prólogo que incrivelmente nos presenteia com algumas inovações cênicas, incluindo alguns planos-sequência que logo são esquecidos e guardados a sete chaves, voamos para o tempo presente, no qual o vampiro mais conhecido de todos se tornou organizador e gerenciador de eventos ao lado da filha Mavis (Selena Gomez) e sob o olhar desaprovador de seu pai (Mel Brooks divertindo-se mais que qualquer um no longa). Entretanto, Mavis percebe que seu pai precisa de um tempo do trabalho e do hotel, principalmente agora que demonstra se sentir sozinho nos assuntos do coração – afinal, como bem sabemos, sua esposa faleceu quando a filha era apenas um pequeno “morceguinho”, e ele nunca mais se apaixonou por acreditar que o zing acontece uma vez só.

Assim, todos partem para uma viagem nem um pouco ortodoxa a bordo de um transatlântico de luxo localizado no Triângulo das Bermudas e cujo destino é a não-tão-mais-perdida cidade de Atlântida. Tartakovsky, também responsável pelo roteiro ao lado de Michael McCullers, sabe que sua criação não se leva a sério e por isso mesmo opta por misturar inúmeros elementos não tradicionais em um único lugar, brincando com uma paleta de cores viva, quase berrante, além de buscar o que pode de mais ridículo e mais escrachadamente cômico em seus protagonistas. Ainda que grande parte seja igual a tudo que já havíamos visto, alguns momentos são interessantes e satisfatórios, como a cena em que o casal Wayne (Steve Buscemi) e Wanda (Molly Shannon) finalmente se livram de suas centenas de filho na creche dentro do navio e voltam aos tempos de glória em que eram “livres”.

Os problemas começam quando a capitã Ericka (Kathryn Hahn), uma humana extremamente empática com as diversas raças monstruosas, revela sua verdadeira natureza e o que existe por trás da construção do cruzeiro: ela é bisneta de Helsing e, controlada pela vontade de seu ancestral agora robótico, parte em busca da cidade submersa para encontrar um artefato místico que irá destruir todas as criaturas de uma vez por todas. Sua personalidade, assim como de todos os outros personagens, mantém-se em uma linearidade que tem como objetivo agradar o seu ínfimo público – e, envolvendo-se posteriormente em um romance previsível com Drácula, não traz uma centelha de química para as telonas e cai nos clichês das histórias de gênero.

Hotel Transilvânia 3 não é um longa-metragem comedido – muito longe disso: ele preza proposital e erroneamente pelo exagerado, pelo caricato, respaldando até o movimento das personas que traz à vida para uma sequências de atos frenéticos, redundantes e bruscos que chegam a incomodar depois de certo tempo. Se não fosse pela total falta de cuidado com a história, que na verdade poderia ter sua conclusão insurgida em muito menos tempo que os meros 97 minutos, poderia até ser um grandioso videoclipe animado – principalmente pela quantidade de músicas-chiclete das quais o diretor se dispende para orquestrar algumas das cenas.

Sem sombra de dúvida, o ápice do longa é a chegada a Atlântida: diferente de qualquer coisa que poderíamos esperar, os tripulantes e passageiros são recebidos por uma versão alegre e convidativa do famoso Kraken (interpretado por Joe Jonas), o qual canta uma música agradável para dar-lhes as boas-vindas a um cassino no melhor estilo de Las Vegas. E as coisas apenas “melhoram” quando, ao chegar no clímax do terceiro ato, todos são convidados para uma rave fabulosamente bem construída – o estilo amalgamado entre o rebuscado e o contemporâneo é de tirar o fôlego – na qual enfrentarão o seu fim. Mas, como também podemos esperar, os minutos finais não trazem nada além de uma resolução feliz e fofa.

No geral, a mais nova investida dessa franquia nem um pouco memorável troca seis por meia dúzia e, exceto por pouquíssimos pontos altos, recai muito em todos os deslizes dos anteriores. Entretanto, é bem provável que as crianças se conectem em diversos momentos com a história, seja aos enérgicos personagens ou às obrigatórias mensagens de bonança e de amor costumeiras ao desgaste do gênero.

Hotel Transilvânia 3: Férias Monstruosas (Hotel Transylvania 3: Summer Vacation, EUA – 2018)

Direção: Genndy Tartakovsky
Roteiro: Genndy Tartakovsky, Michael McCullers
Elenco: Adam Sandler, Selena Gomez, Andy Samberg, Kathryn Hahn, Molly Shannon, Kevin James, Steve Buscemi, Jim Gaffigan, Joe Jonas
Gênero: Animação, Comédia
Duração: 97 min.

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