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Cate Blanchett é uma atriz reconhecida por seus grandes papéis no cinema. No momento se encontra em cartaz com dois filmes. O primeiro é o blockbuster Thor – Ragnarok e o outro tem uma pegada mais alternativa, que é o longa Manifesto.

Sua nova personagem não tem um nome, não tem uma trama definida, apenas aparece em cada cena para realizar discursos ou falar frases de efeito. É um filme que muitos irão ter dificuldade em entender, já que ele não segue as histórias lineares que a indústria de Hollywood está tão acostumada a fazer.

Produção dirigida pelo estreante em longas Julian Rosefeldt foge do padrão, e monta uma nova linguagem que é praticamente um monólogo, quase sempre a personagem principal está sozinha falando apenas com a câmera.

Cate impressiona como viúva, trabalhadora, mendiga, esposa e daí por diante. São treze interpretações distintas de pessoas com papéis sociais e natureza diferente. Ela está espetacular em seus monólogos. Encara a câmera e solta diálogos que soam como manifestos sobre a cultura, filosofia e sobre a vida. 

A câmera a segue por todo lugar, na rua, no serviço em casa. Isso sempre com o plano aberto colocando suas personagens centralizada e em destaque. Algumas das mulheres interpretadas tem poucas falas e frases curtas, enquanto outras tem diálogos longos, extensos e em alguns momentos cansativos. 

Esses diálogos focados na arte. Só que o desenvolvimento todo é feito por uma narração que direciona as personagens para as suas respectivas funções em cena ou serve para completar a personagem, já que elas não são desenvolvidas, são apenas pessoas que aparecem fazendo discursos que não fazem a história ter uma continuação.

O tema principal do longa é a já mencionada arte e suas vertentes artísticas como o dadaísmo e cultura pop. Tudo no filme remete a movimentos artísticos que fazem parte da cultura. Assim como a arte e a cultura estão muito presente no nosso dia a dia é possível enxergar que tudo que o diretor faz, desde os cenários até os figurinos é pensando nesses movimentos artísticos. Cada vez que Cate aparece é simbolizando e passando a mensagem que aquele movimento artístico quer passar na realidade. 

Julian Rosefeldt fez um ótimo trabalho de direção. Cada cena é trabalhada de forma artística como se fosse arte. Câmera sempre em movimento, indo de encontro a protagonista ou a ação.  A ideia do diretor foi criar não uma obra-prima, mas um trabalho que seja lembrado pela quebra desse padrão que dita o cinema atual. A direção de arte é fantástica com as cores do cenário bem trabalhadas, contrastando com todos os objetos de cena. 

A discussão principal é criticar todo o tipo de arte que não seja sincera, feita apenas para ser vendida e não apreciada. Crítica ao teatro, banda e ao cinema dão o mote a narrativa e trazem nada mais nada menos que uma reflexão sobre o tipo de conteúdo que consumimos atualmente. Cate está impressionante em todos os aspectos e dificilmente outra atriz faria o papel tão bem quanto ela fez, ainda mais tendo poucos dias para gravar vários personagens diferentes. 

Manifesto (Manifesto, Alemanha, Austrália – 2017)

Direção: Julian Rosefeldt
Roteiro: Julian Rosefeldt
Elenco: Cate Blanchett
Gênero: Drama
Duração: 95 min

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