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Crítica | Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive – Abraçando o espírito trash

O Jason da galhofa.

Lucas Nascimento
Lucas Nascimento Redação
27 de novembro de 2017 · 5 min de leitura
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Crítica | Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive – Abraçando o espírito trash

Massacrado tanto pela crítica (que nunca foi muito simpatizante da franquia) e pelos próprios fãs, Sexta-Feira 13: Um Novo Começo deixava uma lição bem clara: os filmes não iriam sobreviver sem Jason Voorhees, que naquele longa era apenas a memória de um dos personagens e uma identidade a ser assumida pelo real antagonista da história. Assim, a Paramount não perde tempo e já deixa explícito no título de sua nova desventura: Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive. Mas não só o retorno do filho de Pamela Voorhees é o grande atrativo, mas também de que, finalmente, a galhofa havia chegado ao Crystal Lake. E isso, pasmem, é ótimo.

A trama começa praticamente com um retcom do anterior, com Tommy Jarvis (substituído por Thom Mathews) ainda atormentado por suas visões com Jason e determinado a fazer algo a respeito. Com a ajuda de um amigo, eles invadem o cemitério onde o corpo do assassino está enterrado, mas após uma macarrônica reviravolta, um raio atinge o cadáver de Jason e ele retorna como uma espécie de zumbi indestrutível. Mais forte, sem dor e implacável, ele avança para um novo acampamento construído no antigo Crystal Lake, agora ocupado por um grupo de crianças, e Tommy é o único determinado a impedi-lo.

A coisa mais importante para se apreciar Jason Vive é aceitar o ridículo. Em toda grande franquia, em algum momento os filmes começam a se tornar auto conscientes e flertar com uma linha assumidamente trash, vide os pesadelos absurdos de Freddy Krueger nas sequências do filme de Wes Craven ou até mesmo o agente 007, que viu em Roger Moore e Pierce Brosnan oportunidades para se usar o ridículo a seu favor. Dessa forma, quando Jason é atingido por um raio em uma das cenas mais estúpidas da série (Tommy abre seu caixão e começa a chutá-lo sem necessidade, criando o problema que precisa confrontar), e vemos seu rosto cada vez mais monstruoso rugindo, vemos que a Paramount sabe o tipo de filme que quer fazer. Diabos, o longa conta até mesmo com uma vinheta no melhor estilo James Bond, com Jason entrando em quadro e jogando um facão em direção à tela!

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Já com essa abordagem mais trash, o roteiro de Tom McLoughlin (que também assina a direção) consegue elaborar uma trama que poderia até ser mais clichê e sonolenta se estivessemos usando o antigo clima da série, mas que ganha contornos divertidos aqui. Por exemplo, McLoughlin cria diversas subtramas que não se conectam com a narrativa principal, apenas para criarem diferentes “antologias” de mortes ao redor do antigo Crystal Lake. Vale destacar o nonsense de um jogo de paintball corporativo que é logo frustrado por Jason, ou quando um casal em um fusca encontra o assassino no meio de uma estrada, e a moça praticamente prevê a franquia Pânico ao falar “já vi filmes de terror demais pra saber que um mascarado no meio da noite é problema”, em uma boa amostra da metalinguagem divertida do filme.

Claro, é um resultado imperfeito e que erra no equilíbrio. O desespero da performance de Mathews como Tommy parece sugerir que o sujeito está no filme errado, e não ajuda que a personagem de Jennifer Cooke tenha uma crush quase doentia pelo protagonista. É engraçado, mas não criamos muito afinco por esses personagens, apenas pelo policial vivido por David Kagen, e que ganha mais força próximo do clímax. É uma pena ver o núcleo das crianças do acampamento, já que nunca chegamos a conhecê-las por completo, limitando-se a algumas tiradas e frases de efeito. Em tempos de It: A Coisa, uma aventura dark com crianças enfrentando Jason Voorhees seria algo que eu pagaria pra ver.

Eficiente no roteiro, McLoughlin mostra-se também um diretor criativo. Ainda que não traga mortes tão elaboradas quanto as do Capítulo Final, o diretor se diverte ao trazer um pouco de humor e nonsense para os ataques de Jason, e até mesmo nos coloca ao seu lado durante diversos estágios; nunca antes nós víamos o assassino antes da vítima, e aqui temos até reaction shots do mascarado, que parece surpreso com sua própria força bruta. Vale mencionar também a montagem inteligente, que cria raccords sutis puramente através da ordem dos planos, como quando Jason acerta um sujeito com uma faca bem no meio da testa, e o corte seguinte nos mostra um jogo de dardos na parede. Acho que até Alfred Hitchcock esboçaria um sorrisinho com esse pseudo efeito Kuleshov.

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Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive traz um inesperado senso de humor e galhofa para Jason Voorhees, que assume os exageros de sua proposta e entrega um filme que entretém, diverte e até consegue assustar, na mesma medida. Uma das pérolas da franquia.

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Sexta-Feira 13 Parte VI: Jason Vive (Jason Lives: Friday the 13th Part VI, EUA – 1986)

Direção: Tom McLoughlin
Roteiro: Tom McLoughlin, baseado nos personagens de Victor Miller
Elenco: Thom Mathews, Jennifer Cooke, David Kagen, Kerry Noonan, Renée Jones, Tom Fridley, Darcy DeMoss, Nancy McLoughlin, Tony Goldwyn, C.J. Graham
Gênero: Terror
Duração: 87 min

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Lucas Nascimento
Escrito por

Lucas Nascimento

Estudante de audiovisual e apaixonado por cinema, usa este como grande professor e sonha em tornar seus sonhos realidade ou pelo menos se divertir na longa estrada da vida. De blockbusters a filmes de arte, aprecia o estilo e o trabalho de cineastas, atores e roteiristas, dos quais Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock servem como maiores inspirações. Testemunhem, e nos encontramos em Valhalla.

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