Kenneth Branagh é um dos nomes mais falados e versáteis da indústria do entretenimento. Tendo deixado sua marca no teatro, no cinema e na televisão, o ator e diretor é mais conhecido por seus papéis mainstreams, como em Harry Potter e a Câmara Secreta Hamlet. Entretanto, com a chegada de sua perspectiva como o detetive Hercule Poirot em Assassinato no Expresso do Oriente, resolvemos separar uma lista com seus melhores e mais memoráveis trabalhos.

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Confira nossas escolhas abaixo:

HENRIQUE V (1989)

Com apenas 29 anos, Kenneth Branagh já se destacava no cenário do entretenimento como um dos atores mais proeminentes de sua geração, inclusive por sua criação essencialmente teatral e shakesperiana que o permitiu trabalhar com nomes conhecidos até hoje – como Emma Thompson, Alan RickmanMaggie Smith. E foi em 1989 que Branagh também decidiu investir em sua carreira como realizador, escolhendo uma das peças mais controversas de Shakespeare para levar às telonas em sua estreia diretorial. Encarnando o personagem-título Henrique V, o longa tornou-se um sucesso de crítica e de bilheteria e rendeu para o ator uma indicação para o Oscar de Melhor Ator e Melhor Diretor.

VOLTAR A MORRER (1991)

Branagh e Thompson sempre formaram uma dupla imparável tanto nos palcos quanto nas telonas, seja pela química que conseguem trazer em cena, seja por suas atuações-solo. Logo, Voltar a Morrer é um daqueles mistérios românticos que já traz nomes conhecidos em uma narrativa que pode não ser original, mas é contada com maestria. O segundo filme dirigido pelo ator repetiu o sucesso e introduziu novos elementos ao seu repertório cinematográfico, principalmente por migrar de uma zona de conforto épica para uma história dos dias atuais girando em torno de uma mulher com amnésia e de uma conexão atemporal entre dois personagens completamente distintos entre si.

MUITO BARULHO POR NADA (1993)

Adivinhem só? O casal mais icônico do cinema retorna para mais uma adaptação shakesperiana, também dirigida e realizada por Branagh. Nessa incrível releitura de uma das comédias mais famosas do dramaturgo inglês, o ator da vida a Benedick, um charmoso lorde que não tem um pingo de tato com Beatrice (Thompson), colocando os dois em dois extremos tão impossíveis que não podemos deixar de nos divertir vendo-os brigar por coisas simples e mundanas. Além do sucesso de crítica, o filme levou para casa o Independent Spirit Award e mostrou uma evolução inimaginável nas técnicas de Branagh para seus longas, principalmente no tocante à direção de arte e de fotografia.

OTELO (1995)

Shakespeare e Branagh: uma história de amor para os tempos. Em mais uma investida no panteão fantástico do dramaturgo, o ator-diretor se entrega a um de seus melhores papéis ao encarnar o antagonista Iago, cuja personalidade maquiavélica induz o personagem-título a desconfiar da fidelidade de sua esposa Desdêmona e a cometer atos impensáveis e de pura covardia para não emergir como o marido traído. A narrativa, além de resgatar com grande afinco os maneirismos do dramaturgo – incluindo os diálogos metafóricos -, preza pela discussão de temas sociais contemporâneos, incluindo crimes passionais e até mesmo racismo.

HAMLET (1996)

A obra-prima de Kenneth Branagh obviamente viria com mais uma adaptação das peças shakesperianas. Em um longa-metragem de quase quatro horas de duração, o diretor, que também encarna o controverso e atormentado protagonista dinamarquês, conseguiu recriar de forma majestosa todo o tenso e claustrofóbico cenário da família real, misturando elementos de mistério, ação, tragédia e comédia dentro de um épico histórico que definitivamente entrou para a história como uma das melhores releituras já feitas. Este é uma das obras mais conhecidas de Branagh e o colocou definitivamente no cenário internacional como um dos realizadores mais promissores de sua geração.

HARRY POTTER E A CÂMARA SECRETA (2002)

Depois de sofrer duras críticas com seus trabalhos pós-Hamlet, que levaram o ator a receber o Framboesa de Ouro por sua pífia e esquecível performance em As Loucas Aventuras de James West e, logo depois, com o fracasso da adaptação Amores Perdidos, Branagh resolveu abandonar a cadeira de realizador por um tempo e voltar-se para seu status como thespian, uma das grandes honras concedidas pelo sindicato de atores e atrizes do Reino Unido para os melhores artistas da atualidade. Logo, não foi nenhuma surpresa quando recebeu um convite para encarnar o professor charlatão Gilderoy Lockhart no segundo filme da franquia Harry Potter, o qual o colocaria de volta em cena e o reuniria mais uma vez com Thompson e Rickman. Apesar de ter participado apenas deste filme, Lockhart é um dos personagens mais memoráveis e mais envolventes de sua carreira.

SETE DIAS COM MARILYN (2011)

Quem melhor para interpretar um dos maiores atores anglófonos de todos os tempos, Laurence Olivier, que Branagh? Afinal, em seus cinquenta anos, sua incrível capacidade de metamorfose em cena era conhecida por todos, e depois de um hiato relativamente considerável desde Harry Potter – é claro que houve outros trabalhos, mas nenhum com magnitude tão grande assim -, Sete Dias com Marilyn insurgiu como um projeto perfeito para colocá-lo de volta nos holofotes. E atuando com nomes de alto potencial do circuito contemporâneo, como Eddie RedmayneEmma WatsonMichelle Williams, Branagh conseguiu entregar uma de suas melhores performances em muito tempo, que inclusive lhe rendeu um indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante.

CINDERELA (2015)

Como parte da nova investida dos estúdios Disney em refilmar todas as suas animações sob a perspectiva do live-actionCinderela talvez seja seu filme de maior sucesso. Branagh é o grande cabeça do projeto (já tendo trabalhado com os estúdios com a franquia Thor) e consegue recuperar toda a nostalgia e a magia do longa de de 1950 para uma iteração tão incrível e tão emocionante quanto. A narrativa protagonizada por Lily James é simples, humilde e não força uma catarse artificial por parte do público, deixando que a fluidez de sua construção cênica coloque o espectador dentro do microcosmos do conto de fada. O filme tornou-se um sucesso e inclusive foi indicado ao Oscar de Melhor Figurino.

DUNKIRK (2017)

O ápice do amadurecimento de Christopher Nolan veio com Dunkirk, drama de guerra que reconta de modo tenebroso e envolvente o resgate dos soldados ingleses e franceses da baía de Dunkirk, a qual estava sendo atacada pelos países inimigos do eixo. Na narrativa, Branagh foi elencado como o Comandante Bolton, oficial da Marinha Britânica que tornou-se um símbolo heroico de patriotismo por se recusar a abandonar seus combatentes no molhe. Seu personagem possui uma construção tão bem orquestrada e equilibrada que, com a chegada do terceiro ato e a “resolução de todos os problemas”, seu ar intransponível se quebra em emoção – e, bom, é claro que o público também não deixar de ser levado pela catarse da situação e mergulhar num redemoinho de emoções.

ASSASSINATO NO EXPRESSO DO ORIENTE (2017)

O filme nem bem chegou aos cinemas e pode ter dividido grande parte da crítica, mas sem sombra de dúvida Branagh é um dos brilhantes ápices da mais nova adaptação do romance de Agatha Christie. Encarnando o detetive Hercule Poirot, seus movimentos meticulosamente bem pensados em cena, sua caracterização caricaturada e seus momentos de fraqueza possuem um equilíbrio estético e narrativo incrível, trazendo complexidade ao personagem e permitindo que o ator use e abuse de sua capacidade para torná-lo cada vez mais humano. E não é só isso: Branagh também é o diretor do filme, e não pensa duas vezes em usufruir de sua bagagem para fazer o seu melhor e trazer justiça para a mestra do suspense e do mistério.

E aí? O que achou da nossa lista? Acha que alguma obra ficou de fora? Deixe seu comentário abaixo!

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