Spoilers!

Quem diria que a Netflix viria esse ano lançar um filme capaz de causar tantas discussões e até chocar alguns que não estavam à espera de um filme tão gráfico e violento, ao mesmo tempo tão misterioso e intrigante como a trama de Apóstolo mostra ser. E isso vindo de um diretor como Gareth Evans, diretor dos dois ótimos thrillers de ação de sucesso, Operação Invasão, tomando aqui uma vertente de terror é no mínimo chamativo e capaz de despertar a curiosidade sobre o que ele tramou aqui.

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Apostolo é um longa declaradamente religioso e não usa seu título significativo para isso à toa. Desde o início quando vemos toda aquela formação religiosa da ilha, dá para claramente perceber o quanto todos ali estão perdidos. Se o personagem de Michael Sheen parece ser o verdadeiro vilão fanático da história, para mais tarde ele ser substituído por alguém ainda pior, percebemos a figura trágica que ele acaba sendo no final, tanto quanto o personagem Thomas Richardson, personagem interpretado pelo ator Dan Stevens.

O CULTO À DEUSA

O personagem do Michael Sheen em suas ações bastante questionáveis, procurava criar um culto livre e próspero para aquelas pessoas e usar dos poderes místicos da Deusa e sua força com a natureza para alcançar isso, mas acaba cometendo o erro de tentar colocar essa Deusa sobre o seu poder e controle o que acaba resultando na condenação da ilha.

O filme tem por debaixo de si uma boa linha de mistério envolto desde o início e Evans deixa muito disso à interpretação do espectador na sua ausência de explicações maiores sobre a figura mística em que louvam. Abrindo espaço para coisas além da realidade tomarem forma em um filme que segue uma linha tão tênue de realismo, tanto na forma com que o diretor cria a vida e o cotidiano dessa população quanto na violência brutal e gráfica que só aumenta em doses conforme o Thomas vai desvenda os segredos macabros dessa ilha.

Com isso, não demoramos muito para saber que Thomas tem uma estranha conexão com a estranha deusa da ilha, sempre a vendo em diferentes ocasiões em vislumbres tenebrosos assim como as ações dela na fauna e flora da ilha, como se tivessem uma vida própria.

O NASCIMENTO DE UM NOVO DEUS

Quando mais tarde descobrimos que a forma física dessa deusa era feita prisioneira na ilha e alimentada pelo de sangue pelos seus ditos discípulos. Quando Thomas dá de cara com a macabra figura, ela se dirige a ele como um conhecido e diz que o esperava. Logo que é tocado pela deusa, ele descobre os segredos cruéis dos três homens que chegaram aquela ilha e iniciaram o culto religioso baseando-se na figura dela, com medidas muito questionáveis claro.

Acontece que a Deusa percebendo a presença de Thomas ali naquela ilha, tenta entrar em contato com ele, pois ela o escolheu, para ser o que ela era, para ele se tornar, o novo deus da fauna e da flora daquele lugar.

Ele após ter todo esse vislumbre, queima o corpo dela com fogo, a libertando daquela forma. Após ele matar o fanático Quinn, interpretado por Mark Lewis Jones, que havia tomado posse do culto religioso e da ilha, e libertado sua irmã, Thomas perto da morte, parece se fundir com a ilha quando o vemos deitado na grama e as plantas começam a circular pelo seu corpo e curando as suas feridas enquanto ele sorri olhando para o céu. Um sinal de Deus na vida dele que ele pensou que havia perdido?! Com certeza.

O APOSTÓLO

O personagem de Stevens desde o início se assume como um homem perdido e sem fé, um antigo seguidor da palavra de Deus que no momento que mais precisou, não foi atendido pelo Senhor, como é mostrado nos flashbacks de suas missões religiosas na Ásia, que só lhe resultaram em uma tortura tanto mental como física quando uma cruz em brasa lhe é queimada nas costas.

Ele é o Apóstolo que o título indica, o homem que chega naquela ilha em uma missão, luta contra os falsos discípulo, libertando a ilha da presença deles, chegando ao ponto da ilha literalmente sangrar. E que depois de uma tortuosa jornada de libertar a única pessoa que lhe restava de amor na vida, que era a sua irmã, e subsequentemente a própria Deusa, ele acaba se tornando o novo guardião ou “Deus”, daquela ilha. Após a deusa ter o escolhido para herdar os seus gloriosos poderes, coisa que claramente vemos durante o seu ultimo encontro com ela.

Não é à toa que o personagem de Michael Sheen está vivo no final. Ele, depois de ver tudo pelo que lutou e construiu se auto destruir graças aos seus pecados e pela forma errada com que interpretou os desejos da antiga Deusa, pode agora talvez se tornar um seguidor humilde e são do novo Deus da ilha.

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