Capcom diz não temer futuro sem discos: ‘90% das nossas vendas já são digitais’
Capcom afirma que 90% de suas vendas já são digitais e não espera impacto significativo com o fim dos discos de PlayStation.
A Capcom se juntou ao coro de publicadoras que não veem motivo para preocupação com o futuro sem discos físicos anunciado pela Sony. Em sessão de perguntas e respostas após a divulgação dos resultados financeiros mais recentes, a empresa japonesa foi questionada sobre o impacto esperado da retração do mercado físico no médio e longo prazo, e a resposta foi direta.
“Aproximadamente 90% das nossas vendas unitárias já são digitais. Não antecipamos um impacto significativo neste momento”, respondeu a Capcom, dispensando qualquer tom de alarme diante da polêmica que a Sony provocou há um mês ao anunciar o fim da fabricação de discos de PlayStation a partir de 2028.
Um número ainda maior escondido nos próprios balanços
Os dados financeiros detalhados da empresa mostram um cenário ainda mais acentuado do que a resposta institucional sugere: no primeiro trimestre do ano fiscal atual, 93,3% de todas as vendas de jogos da Capcom vieram do formato digital, deixando cópias físicas com uma fatia de apenas 6,7% do total. O PC liderou essa distribuição digital, respondendo por 60,4% do volume total, enquanto consoles somaram 32,9%.
Vale um adendo importante sobre essa contabilidade: a Capcom classifica como digitais até mesmo os Game-Key Cards do Nintendo Switch 2, cartuchos físicos que na prática funcionam apenas como chave de ativação para download, sem conter o jogo propriamente dito. Isso infla ainda mais a proporção digital reportada pela empresa em relação a discos e cartuchos tradicionais.
Um trimestre de resultados recordes
A tranquilidade da Capcom em relação ao tema tem respaldo direto nos próprios números do trimestre, encerrado em 30 de junho. A receita líquida somou ¥70,41 bilhões, cerca de US$ 430 milhões, alta de 54,7% em relação ao ano anterior, enquanto o lucro operacional chegou a ¥41,05 bilhões, US$ 250 milhões, crescimento de 66,9%.
O resultado foi puxado principalmente pelas vendas de jogos: a empresa vendeu 23,81 milhões de unidades no período, contra 14,16 milhões no mesmo trimestre do ano passado, um salto histórico impulsionado por Resident Evil Requiem, que já soma mais de 8 milhões de cópias vendidas, e por Pragmata, que ultrapassou 2,5 milhões de unidades.
Um contraste que reforça a lógica por trás da decisão da Sony
O posicionamento da Capcom ajuda a explicar, de forma indireta, por que a Sony tomou a decisão de abandonar os discos: se publicadoras de peso já operam com uma fatia física residual de vendas, o incentivo comercial para manter toda a infraestrutura de fabricação, distribuição e logística de mídia física perde força ano após ano.
O caso da Capcom se soma a uma sequência recente de posicionamentos parecidos vindos de outras grandes publicadoras, incluindo a própria Ubisoft, cujo CEO já havia defendido publicamente a decisão da Sony citando o histórico digital do mercado de PC como precedente, reforçando que a resistência mais forte contra o fim dos discos segue vindo majoritariamente dos próprios jogadores e de organizações de preservação digital, não das empresas que produzem os jogos.