Cinema

Christopher Nolan defende que A Odisseia vai conquistar público jovem

Christopher Nolan citou o sucesso de Backrooms e Obsessão para rebater as dúvidas de Matt Damon sobre o público jovem aguentar A Odisseia.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
4 min de leitura

O otimismo de Nolan contra o ceticismo do próprio protagonista

Em nova entrevista ao Telegraph, complementando as declarações que já detalhamos sobre a resposta de Nolan às críticas prévias ao filme, o diretor abordou um ceticismo específico levantado pelo próprio Matt Damon, protagonista de A Odisseia. O ator havia dito anteriormente que sentia estar diante da “última chance” de fazer um projeto de escala tão grande quanto essa, uma declaração que carregava certa dúvida sobre o apetite do público atual para um épico grego de quase três horas.

“Acho que sei o que ele estava querendo dizer, porque realmente parece que faz tempo desde que alguém fez um filme assim, desse jeito, onde você viaja o mundo, reúne um elenco de milhares de pessoas, e assim por diante”, disse Nolan. “Mas existe um aspecto derrotista em ver as coisas dessa forma que eu não concordo. Acho que o cinema é vital e essencial, e continua se transformando.”

Os exemplos que Nolan usa como prova

Para sustentar o argumento, Nolan citou dois fenômenos recentes de bilheteria que já cobrimos anteriormente: Backrooms, dirigido pelo cineasta de 21 anos Kane Parsons, e Obsessão, do diretor de 26 anos Curry Barker. Os dois filmes, construídos com orçamentos ínfimos para os padrões de Hollywood, US$ 10 milhões e menos de US$ 1 milhão respectivamente, já acumulam US$ 360 milhões e US$ 406 milhões em bilheteria mundial.

“É por isso que eu nunca comprei os argumentos de que a capacidade de atenção do público jovem está frita demais para curtir um épico grego de três horas”, disse Nolan. “Esses filmes são tão misteriosos e contemplativos. Quer dizer, partes de Backrooms são como o David Lynch mais obscuro possível. E mesmo assim os jovens não conseguem se saciar deles.”

O que Nolan disse sobre inteligência artificial

Na mesma entrevista, Nolan abordou um tema que vem se tornando cada vez mais recorrente em suas declarações públicas: a rejeição de jovens à inteligência artificial generativa no cinema. “Nunca vi uma rejeição em massa tão rápida de um suposto salto tecnológico fundamental em toda a minha vida”, afirmou o diretor, apontando Parsons e Barker como exemplos de cineastas jovens que optam deliberadamente por efeitos práticos em vez de recursos gerados por IA.

Nolan também mencionou que seus quatro filhos adultos, Flora, Rory, Magnus e Oliver, têm reação “imediata e dura” a conteúdo de IA, reforçando sua leitura de que a geração mais jovem está mais atenta do que se costuma supor à diferença entre produção artesanal e conteúdo artificial.

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O que Steven Spielberg disse sobre o mesmo assunto

O otimismo de Nolan em relação aos jovens cineastas encontra eco em outro nome de peso da indústria. Steven Spielberg comentou recentemente sobre o sucesso de Backrooms e Obsessão nos mesmos termos entusiasmados: “Estou tão feliz por eles. Acho isso tão fantástico. Eles tinham basicamente muito pouco dinheiro, especialmente Obsessão, com menos de um milhão de dólares, e o outro filme com talvez dez ou nove milhões, e estão indo tão bem, e eu simplesmente os aplaudo.”

Em entrevista separada à BBC News, Nolan reforçou o argumento com um dado histórico: “Nosso maior segmento de espectadores que vão ao cinema são jovens na casa dos vinte anos, e sempre foi assim. Desde os anos 1950, quando a televisão surgiu, existe essa tendência nessa mídia de sempre proclamar a morte do cinema.”

A aposta que A Odisseia representa

Com estreia marcada para 17 de julho e duração de 2 horas e 52 minutos, A Odisseia chega aos cinemas como o maior teste até agora dessa tese de Nolan. Depois do sucesso de Oppenheimer em 2023, que faturou quase US$ 1 bilhão globalmente, o diretor aposta que o público, especialmente o mais jovem, vai responder da mesma forma a uma narrativa igualmente ambiciosa, ainda que construída sobre um material fonte com quase três mil anos de existência. As primeiras reações de quem já assistiu ao filme, descritas como “impressionantes” e “de tirar o fôlego”, sugerem que a aposta pode estar dando certo.

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