Co-CEO nega que Cyberpunk 2077 motivou troca de motor gráfico de The Witcher 4
Michał Nowakowski revela que uma demo técnica da Epic, não os problemas de Cyberpunk 2077, motivou a mudança para Unreal Engine 5.
O co-CEO da CD Projekt Red, Michał Nowakowski, negou que os problemas técnicos do lançamento de Cyberpunk 2077 tenham sido o motivo por trás da decisão de abandonar o RedEngine e adotar a Unreal Engine 5 em The Witcher 4. Segundo ele, a real virada de chave aconteceu depois que a equipe teve acesso antecipado à demonstração técnica The Matrix Awakens, produzida pela Epic Games em 2021.
A declaração foi dada em entrevista ao podcast Deconstructor of Fun, quando Nowakowski foi questionado diretamente se o desempenho falho de Cyberpunk 2077 nos consoles de geração anterior, lançado em dezembro de 2020, havia sido o fator decisivo por trás da mudança de motor gráfico. “Sim e não”, respondeu o executivo. “Muita gente pensa assim, mas essa é uma suposição um pouco falsa, eu diria, porque o problema com Cyberpunk não era realmente o RedEngine em si.”
A história do motor que construiu a trilogia Witcher
O RedEngine nasceu dentro da própria CD Projekt Red e passou por sucessivas versões ao longo de mais de uma década. A primeira iteração relevante sustentou The Witcher 2: Assassins of Kings, lançado em 2011, e evoluiu de forma significativa para dar conta da escala aberta de The Witcher 3: Wild Hunt, em 2015, um dos RPGs mais aclamados da década. A terceira geração da tecnologia, batizada de RedEngine 4, foi então adaptada para o cenário urbano de Night City em Cyberpunk 2077.
Segundo Paweł Zawodny, diretor de tecnologia da companhia, cada novo lançamento exigia um esforço enorme de adaptação do motor interno. Em declaração dada quando a parceria com a Epic foi anunciada, ele afirmou que a empresa “gastou muitos recursos e energia para evoluir e adaptar o RedEngine a cada lançamento subsequente”, um desgaste que ajuda a explicar por que a companhia passou a olhar com mais interesse para engines de terceiros já maduras e testadas pelo mercado.
A demo que mudou os planos da CD Projekt
Nowakowski foi específico ao apontar que não foi o caos do lançamento de Cyberpunk 2077 que convenceu a empresa a migrar de motor, e sim o instante em que a equipe teve um vislumbre prévio da demo The Matrix Awakens, lançada pela Epic Games em dezembro de 2021 para PlayStation 5 e Xbox Series X|S. A demonstração se tornou famosa na época por rodar uma cidade aberta com mais de 38 mil veículos dirigíveis e milhares de pedestres simulados simultaneamente, servindo como vitrine para os recursos de nova geração da Unreal Engine 5.
“Não foi o lançamento de Cyberpunk que nos convenceu a abandonar o RedEngine e migrar completamente para a Unreal Engine 5 nos projetos futuros”, relembrou o executivo. “Foi mais o momento em que tivemos um adiantamento da demo da Matrix que a Epic fez. Aí nos perguntamos: ‘A UE5 está pronta para lançar um jogo como o que fazemos?'”
Segundo ele, a resposta inicial da própria equipe foi negativa, mas com uma ressalva importante. “A resposta foi ‘não, não no momento, não no nível básico, mas se formarmos uma relação com a Unreal e trabalharmos em certas coisas que são especificamente necessárias para fazer jogos do tamanho, escopo e particularidades técnicas que precisamos para os jogos que fazemos, isso poderia funcionar’.” Foi esse raciocínio, segundo Nowakowski, que levou a CD Projekt a se sentar à mesa com a Epic Games para negociar.
Uma parceria multianual e acesso raro ao motor
A colaboração entre as duas empresas foi formalizada publicamente em março de 2022, quando a CD Projekt Red anunciou simultaneamente uma nova saga de The Witcher construída em Unreal Engine 5 e um acordo estratégico de longo prazo com a Epic Games. Meses depois, a companhia revelou também que estava refazendo o primeiro jogo da franquia, batizado de The Witcher: Remake, igualmente na nova tecnologia.
Nowakowski explicou que o acordo deu à CD Projekt Red acesso a um nível de personalização do motor que poucas desenvolvedoras no mundo possuem. “Somos, acho, a única equipe no mundo fora da Epic que mexe dentro da ‘caixa-preta’ que é o motor”, afirmou. “Ninguém mais faz isso, exceto nós e eles, o que fazemos por meio de esforços colaborativos em conjunto.”
Para o executivo, esse acesso privilegiado significa que a empresa pode se concentrar em contar histórias em vez de gastar anos desenvolvendo tecnologia do zero. “Ao fazer isso, sentimos que vamos conseguir contar mais histórias e lançar mais jogos, porque não seremos responsáveis por criar a tecnologia do zero, mas sim por criar, para essa tecnologia, pequenas coisas que realmente fazem uma grande diferença para os tipos específicos de jogos que fazemos.”
Por trás de toda a discussão técnica, Nowakowski reforçou que a filosofia da companhia nunca foi construir tecnologia por si só. “O sonho da empresa nunca foi realmente fazer tecnologia”, disse. “Era, sim, criar jogos visualmente e tecnicamente de ponta, mas o mais importante era contar as histórias da forma mais convincente e imersiva possível.” The Witcher 4, protagonizado por Ciri, tem lançamento previsto para 2028.