Cinema

Criador de Lost conta por que foi demitido do filme de Star Wars que jamais existiu

Damon Lindelof revela que foi demitido do filme de Star Wars e explica a ideia ambiciosa que não convenceu a Lucasfilm.

Matheus Fragata
Matheus Fragata Redação
3 min de leitura
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Damon Lindelof finalmente falou sobre o assunto que o fandom de Star Wars esperava há anos. O criador de Lost e Watchmen confirmou publicamente, no episódio de 18 de maio do podcast House of R, da The Ringer, que foi demitido do filme que desenvolveu para a Lucasfilm. Sem rodeios, ele chamou o tema de “o Bantha na sala” e foi direto ao ponto.

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O roteirista trabalhou no projeto por dois anos ao lado de Justin Britt-Gibson e Rayna McClendon. A ideia era criar um filme que olhasse para dentro do próprio universo e debatesse, sem piscar para a câmera, a tensão entre nostalgia e renovação que divide o fandom há décadas. Na visão da equipe, Star Wars precisava de algo como uma Reforma Protestante. A Lucasfilm, no entanto, não comprou.

A ideia que não convenceu a Lucasfilm

O projeto de Lindelof girava em torno de Rey e se passaria após os eventos de Star Wars: Episódio IX, A Ascensão Skywalker. A trama acompanharia a personagem de Daisy Ridley na construção de uma nova Ordem Jedi. A diretora Sharmeen Obaid-Chinoy estava escalada para comandar o longa, e tudo parecia encaminhado quando a Lucasfilm anunciou oficialmente o filme em abril de 2023, já sem Lindelof, que havia sido desligado duas meses antes.

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“O que tentávamos fazer era ter essa conversa dentro do filme, que é dizer: existe uma Força da nostalgia e existe uma Força da revisão, e elas estão em conflito uma com a outra. E vamos fazer a Reforma Protestante dentro de Star Wars”, disse Lindelof no podcast. Ele mesmo admitiu que a proposta não funcionou e que a escrita foi lenta e difícil desde o início.

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O peso de encaixar uma história em um universo gigante

Lindelof descreveu o processo de criação como um desafio quase intransponível. Encontrar o tom certo, definir onde a história se encaixava no cânone e qual seria sua relação com o Episódio IX foram obstáculos que consumiram boa parte do tempo disponível. Ele usou a metáfora de um navio tanque para descrever o universo Star Wars: qualquer mudança de direção demora a aparecer.

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Para ele, a trilogia sequencial havia estabelecido Rey, Finn e Poe como o novo centro da franquia. Com o fim dessa trilogia, esperava-se que esses personagens seguissem como protagonistas de uma nova era. A pergunta que ficou sem resposta, segundo o roteirista, é se Mando e Grogu assumiram esse papel central agora, algo que o próprio universo ainda parece estar tentando responder.

Steven Knight entrou, e o filme seguiu sem Lindelof

Com a saída de Lindelof e Britt-Gibson em 2023, a Lucasfilm chamou Steven Knight, criador de Peaky Blinders, para assumir o roteiro. O projeto continuou em desenvolvimento, mas enfrentou novos percalços ao longo dos anos seguintes. Enquanto isso, outros filmes anunciados na mesma época, como o projeto de Dave Filoni sobre o Mandalorian-verse e o filme Dawn of the Jedi, de James Mangold, também patinaram ou foram descartados.

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A franquia segue tentando encontrar seus pés no cinema. O próximo lançamento nas salas é Star Wars: O Mandaloriano e Grogu, previsto para 22 de maio, e representa a aposta mais concreta da Lucasfilm para reconectar o público com Star Wars nas telas grandes. Para Lindelof, o que poderia ter sido ficou guardado numa gaveta, junto com a Reforma Protestante que a galáxia muito distante nunca chegou a ver.

Tags: #Star Wars
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