Criador original de God of War detona novo spin-off 2D da franquia: ‘Não recomendo’
David Jaffe, criador do God of War original, critica duramente o novo spin-off 2D Sons of Sparta, apontando excesso de diálogos
O recém-lançado God of War: Sons of Sparta pode até ter surpreendido os fãs com seu anúncio e lançamento simultâneos na semana passada, mas não agradou a figura mais importante do passado da franquia. David Jaffe, criador original e diretor do primeiro God of War, publicou um vídeo implacável de nove minutos no YouTube criticando duramente o novo spin-off 2D.
Desenvolvido pela Mega Cat Studios em parceria com a Santa Monica Studio, o título propõe uma aventura retrô focada na juventude de Kratos durante seu rigoroso treinamento em Esparta. Para Jaffe, no entanto, a execução passa longe do que os fãs realmente desejam. “Eu comprei esse jogo. É um jogo de 30 dólares. Eu não gostei. Não recomendo. Mas eu queria fazer um vídeo mais sobre ‘o que eles estavam pensando?'”, disparou logo na abertura de seu monólogo.
Excesso de diálogos e “Kratos genérico”
A principal queixa de Jaffe reside na mudança de tom e no excesso de interrupções narrativas. Ele revelou ter ouvido de um ex-membro da Santa Monica Studio que a desenvolvedora atual é muito mais movida pela história do que pela jogabilidade, algo que, segundo ele, prejudicou severamente Sons of Sparta.
O diretor relatou que abandonou o jogo após apenas uma hora de jogatina, frustrado com as paradas constantes para os personagens “falarem, falarem e falarem”, além de classificar a dublagem como fraca. Jaffe argumentou que a ideia de um Metroidvania 2.5D de God of War seria o sonho de qualquer jogador hardcore, desde que mantivesse a essência brutal e violenta do personagem.
Em vez disso, ele sente que a Sony optou por ignorar o Kratos amado pelo público para transformá-lo em um protagonista muito brando, comparando a experiência a assistir a um programa infantil da “WB Kids”. Na visão do criador, a decisão de humanizar demais a versão jovem do Espartano em um jogo de ação não faz o menor sentido.
A concorrência e o desrespeito à marca
Para ilustrar sua frustração, Jaffe apontou que a base de fãs preferiria um jogo na linha de Blasphemous (2019), título indie aclamado por sua extrema violência e tom sombrio que remetem diretamente aos primórdios de God of War.
O veterano da indústria também não poupou a apresentação visual e técnica, afirmando que a qualidade de produção de Sons of Sparta empalidece perto de lançamentos 2D recentes. Ele citou nominalmente títulos modernos para exemplificar o que esperava do projeto: Ninja Gaiden: Ragebound pela variedade de jogabilidade, o excelente shooter Neon Inferno pelos cenários detalhados, e Shinobi: Art of Vengeance pelo altíssimo valor de produção.
Apesar de admitir que o gameplay em si é “funcional” e que não há nada inerentemente ofensivo nos controles, Jaffe concluiu que o maior pecado do jogo é sua falta de originalidade e o distanciamento do DNA da franquia. Ele comparou a situação a licenciar a marca John Wick apenas para fazer um filme sobre ele sentado em uma cafeteria conversando. Na visão de Jaffe, o lançamento não justifica sua existência e serve apenas para deixar um gosto amargo na boca dos fãs.